terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Educação, Religiosidade e Arte

Educação, Religiosidade e Arte estão muito ligadas.
Os povos indígenas já expressam nas danças e ornamentos sua devoção aos espíritos da floresta, assim como os africanos, em pinturas e esculturas. Também faz parte das imagens de santos que ornamentam as igrejas.
A arte é expressão da fé cujas obras emanam conhecimento e sentimento dos mais profundos.

A tarefa que nos cabe de criar e recriar o mundo é o compromisso que temos de sensibilizar para que haja o necessário cuidado com a obra Divina.
A apatia perante a violação das leis de proteção nos cega e nos deixa surdos aos gritos de alerta.
Assim também calamos perante aos inúmeros ataques à vida, em todas as suas formas.


Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta

De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado

Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta

Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

Cálice
Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil

PAI AFASTE DE MIM ESTE:
CALE-SE!
NÃO VAMOS NOS CALAR PERANTE AS ATROCIDADES QUE ESTÃO DESTRUINDO A VIDA
.