terça-feira, 10 de março de 2009

Montagem de projetos e atividades de Educação Ambiental

Texto que apresenta em detalhes uma opção para elaboração de projetos.
por Declev Dib-Ferreira em Dicas, Educação Ambiental, Projetos
Fonte: http://www.revistaea.org/
Número 27, Ano VII. Março-Maio/2009

Aqui estou eu, mais uma vez, escrevendo sobre projetos. Já fiz isso mais de uma vez - veja os diversos posts na categoria PROJETOS. Mas sou um entusiasta. Acho que nosso trabalho educativo, seja dentro ou fora da escola, pode ser muito mais aproveitado, aprofundado, "capilarizado" (utilizando um neologismo da área) e solidificado através deles.
O bom desenvolvimento de atividades de educação ambiental depende, muitas vezes, da montagem de um bom projeto, que amarre todas as possibilidades e esclareça as caracteristicas do local e do trabalho a ser realizado.
Descrever seus objetivos e ações pode facilitar o envolvimento de mais pessoas, até mesmo a obtenção de apoios financeiros ou materiais.
Seja qual for a atividade, simples como a montagem de uma exposição, ou um projeto mais completo, um bom planejamento é o primeiro passo para seu sucesso.
Veja um pequeno resumo de como pode ser escrito o seu projeto, lembrando que outras opções podem entrar e se somar à esta idéia:1. Apresentação (quem?) Capa, título do projeto, coordenador do projeto, equipe técnica, local edata.
2. Introdução (o quê? Por quê?) Discorrer, resumidamente, sobre o tema geral no qual o projeto está inserido. Na introdução, a justificativa e a relevância do projeto podem ser apresentadas. Na justificativa, você vai expor as razões teóricas e práticas que tornam importante a realização do trabalho - o que ele vai mudar, e porque ele é fundamental. Pode-se dizer, aqui, qual o Público-alvo do projeto, ou seja, a quem ele se destina.
3. Objetivos (para quê? Para quem?) Os objetivos indicam os resultados a serem alcançados pelo projeto. São construídos com frases que começam com um verbo no infinitivo. São divididos em:Objetivo geral - É o seu resultado a longo prazo, aonde você quer chegar através da execução do projeto. Em geral, estabelece-se apenas um.Objetivo específico - São operacionais, correspondem ao que se pretende pôr em prática através do projeto. Definem as ações que, realizadas, farão o projeto alcançar o objetivo geral.
4. Desenvolvimento (como? Com quê?) Como o projeto será realizado? Chama-se também de metodologia do seu projeto. Considerando que você tem um ponto de partida (situação antes do projeto) e um ponto de chegada (situação após o projeto), esta etapa vai dizer como você vai chegar de um ponto a outro. Entram aqui suas concepções teóricas, a escolha do conjunto de estratégias que você vai utilizar.Desenvolver um curso é uma atividade, mas quais metodologias irão nortear a realização deste curso?
5. Cronograma de atividades (quando?) Deve explicitar como os objetivos serão atingidos. Aqui vamos definir quais atividades - as tarefas - serão desenvolvidas para se alcançar os objetivos específicos descritos. O que se precisa fazer para que os resultados esperados aconteçam? Sabendo o que se vai fazer, deve-se determinar quanto tempo cada atividade necessita para ser desenvolvida e quando ela será realizada.
O cronograma servirá também para a avaliação permanente do projeto. A melhor maneira é fazer uma tabela das atividades x mês de realização:AtividadesMês 1Mês 2Mês 3 Mês 4Mês 5Atividade I xAtividade II x xAtividade III x xAvaliação final x.6. Recurso para a realização do projeto (com o que e quanto?) Resumo financeiro ou dos recursos que requer. Entram os recursos humanos (pessoal) e os materiais (publicações, equipamentos, mesas, cadeiras, materiais de escritório.). Quem vai te dizer o que precisa são as atividades as quais você se dispõe a realizar. Muitas vezes, é necessário fazer um cronograma de desembolso (ou cronograma financeiro): uma tabela como a das atividades, mas com os valores a serem gastos por períodos determinados.
7. Bibliografia (quais as fontes?) Pode-se relacionar, ao final do projeto, os livros, artigos, documentos etc., que nortearam o trabalho.
8. Avaliação e Monitoramento (como acompanhar) Não se trata de avaliar apenas o desempenho daqueles que se submetem ao processo (como os alunos, por exemplo), mas avaliar toda a equipe e o próprio plano elaborado e desenvolvido. Trata-se de avaliar o projeto não como um julgamento, mas para melhorar a prática e consertar possíveis erros. Lembrando que a avaliação é um aspecto que deve estar presente em todos os momentos do processo, do planejamento à conclusão. É imprescindível uma avaliação final ao término do projeto, medindo osresultados imediatos. Estes resultados fornecem instrumentos para futuros projetos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ecologia Humana

A Ecopedagogia contribui para a formação do jovem, na perspectiva de cidadão e cidadã planetários, voltado não só para a ecologia necessária ao cultivo da terra, mas a ecologia humana em termos de equilíbrio de seus saberes, fazeres, seus conhecimentos e emoções. O jovem como um sujeito capaz de saber de si e saber sobre o mundo manifesta-se como sujeito que percebe, compreende, imagina, reflete, pensa e expressa. Neste entendimento de si e do mundo, de forma mais abrangente, volta seu estudo para a dimensão das competências e habilidades exigidas neste milênio em termos prospectivos, considerando, em especial as novas tecnologias que este dispõe para a construção da sua identidade pessoal/social.

Vídeo construído pela jovem Fernanda Luchina, que demostra sensibilidade (aliada ao conhecimento tecnológico) para com as questões ambientais, relacionando seu cotidiano com mensagens musicais e imagens, indo ao encontro do conceito de Ecopegagogia como a Pedagogia do 'CUIDAR'.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

ORAÇÃO POR UM MUNDO MAIS JUSTO E SUSTENTÁVEL


Tu és grande, ó Senhor do Universo,
Tu te vestes de luz como um manto
Nossa terra sustentas no espaço
A revestes de graça e de encanto.

Tu navegas nas asas do vento,
Tua face em mistério se encobre
Sobre as nuvens fixaste morada,
Mas habitas no humilde, no pobre.

Sobre a terra estendeste o oceano
Como vasto e infinito lençol
Tu fixaste no espaço as estrelas
Para a terra aquecer deste sol.

Tu mandaste que as fontes brotassem
das entranhas da terra, a cantar,
homens, aves e todo ser vivo
nelas vêm sua sede saciar.

Tu plantaste no mundo criança
a beleza da planta e da flor,
que transformam os prados floridos,
numa festa de graça e de cor.

Todo o ser que criaste te louva,
esperando de ti o sustento
Se lhes abres as mãos, os sacias,
e se fartam de bens num momento.

O infinito dos céus e dos mares,
a beleza e o perfume da flor,
a magia dos nossos luares,
a ti cantam, por nós, seu louvor.

Tu criaste, por fim, o homem livre
como a imagem fiel da tua glória
e entregaste em suas mãos o mundo,
para nele viver sua história.

Deste ao homem poder sobre tudo,
confiando-lhe a nobre missão
de zelar pelos bens que criaste
preservando o que cabe ao irmão.

Tu ao homem confiaste o Universo;
Nós queremos cumprir a missão
De tornar nosso mundo fraterno
Preservando o que deste ao irmão.

Por um mundo mais justo e habitável
cada dia queremos lutar
e o produto do nosso trabalho
em pão vivo se vai transformar

Vem ó Pai, converter o teu povo;
ele é santo e também pecador
Para criarmos um mundo mais justo,
mais humano e mais rico em amor.
Irmã Maria/2005

Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus

Instituição Verzeri

Adaptado dos materiais das Campanhas da Fraternidade

Ecopedagogia, uma nova visão

A ecopedagogia, termo que significa educação sócio-ambiental, é um movimento político que respeita os princípios de resgate cultural, histórico e ético do cidadão. Esse projeto virou a paixão de uma aluna da Faculdade JK que participa da ONG Círculo de Giz, parceira da Universidade de Brasília (UnB), divulgando a ecopedagogia para ser estudada em sala de aula e na formação de novos professores.O projeto visa a priorizar as vivências da prática educativa escolar e cotidiana por meio das atividades socioeducativas e interdisciplinares, permitindo que educadores e educandos posicionem-se com responsabilidade, compromisso, ética e cidadania, colaborando na resolução das situações-problemas diversas inerentes à educação brasileira. A ecopedagogia poderá propiciara construção dinâmica dos conhecimentos e as experiências interdisciplinares para o desenvolvimento de hábitos e atitudes como o discernimento crítico das contribuições positivas e negativas da globalização para a educação contemporânea; a discussão dos temas transversais contextualizados no processo de ensino-aprendizagem; a reflexão crítica e ativa referentes às situações-problemas coexistentes no planeta e violências no geral; desigualdades sociais; preconceito racial; degradação ambiental; e outros. E como fazer para resolvê-los.“Esse tipo de educação deveria ser estudado mais em sala de aula e na formação de novos educadores, pois hoje existe uma grande preocupação com a questão social e ambiental em sala de aula, Trabalhos com reciclagem, poderia ser um ponto desenvolvido por alunos para eles perceberem quanto tempo leva algo para se decompor no meio ambiente, a importância de separar o lixo, de reciclar um papel e outros projetos a serem desenvolvidos”, explica a aluna, que prefere não se identificar.O projeto democratiza as informações educativas referentes à preservação socioambiental por meio de campanhas a curto, médio e longo prazos e promove a valorização das competências artísticas e culturais inerentes ao movimento de ecopedagogia. “O curso de pedagogia deveria acrescentar essa visão para melhorar a formação do aluno”, acrescenta a estudante.
Natacha
http://jornalmedidacerta.blogspot.com/2008/06/ecopedagogia-uma-nova-viso.html

A prática no cotidiano


www.ecofuturo.org.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CARTA DA ECOPEDAGOGIA

A CARTA DA TERRA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO
Primeiro Encontro Internacional - São Paulo, 23 a 26 de agosto de 1999.
Organização: Instituto Paulo Freire - Apoio: Conselho da Terra e UNESCO-Brasil
Em defesa de uma Pedagogia da Terra
(Minuta de discussão do Movimento pela Ecopedagogia)
1. Nossa Mãe Terra é um organismo vivo e em evolução. O que for feito a ela repercutirá em todos os seus filhos. Ela requer de nós uma consciência e uma cidadania planetárias, isto é, o reconhecimento de que somos parte da Terra e de que podemos perecer com a sua destruição ou podemos viver com ela em harmonia, participando do seu devir.
2. A mudança do paradigma economicista é condição necessária para estabelecer um desenvolvimento com justiça e eqüidade. Para ser sustentável, o desenvolvimento precisa ser economicamente factível, ecologicamente apropriado, socialmente justo, includente, culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação. O bem-estar não pode ser só social; deve ser também sócio-cósmico.
3. A sustentabilidade econômica e a preservação do meio ambiente dependem também de uma consciência ecológica e esta da educação. A sustentatibilidade deve ser um princípio interdisciplinar reorientador da educação, do planejamento escolar, dos sistemas de ensino e dos projetos político-pedagógicos da escola. Os objetivos e conteúdos curriculares devem ser significativos para o(a) educando(a) e também para a saúde do planeta.
4. A ecopedagogia, fundada na consciência de que pertencemos a uma única comunidade da vida, desenvolve a solidariedade e a cidadania planetárias. A cidadania planetária supõe o reconhecimento e a prática da planetaridade, isto é, tratar o planeta como um ser vivo e inteligente. A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes.
5. A partir da problemática ambiental vivida cotidianamente pelas pessoas nos grupos e espaços de convivência e na busca humana da felicidade, processa-se a consciência ecológica e opera-se a mudança de mentalidade. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A ecopedagogia implica numa mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente, que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.
6. A ecopedagogia não se dirige apenas aos educadores, mas a todos os cidadãos do planeta. Ela está ligada ao projeto utópico de mudança nas relações humanas, sociais e ambientais, promovendo a educação sustentável (ecoeducação) e ambiental com base no pensamento crítico e inovador, em seus modos formal, não formal e informal, tendo como propósito a formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.
7. As exigências da sociedade planetária devem ser trabalhadas pedagogicamente a partir da vida cotidiana, da subjetividade, isto é, a partir das necessidades e interesses das pessoas. Educar para a cidadania planetária supõe o desenvolvimento de novas capacidades, tais como: sentir, intuir, vibrar emocionalmente; imaginar, inventar, criar e recriar; relacionar e inter-conectar-se, auto-organizar-se; informar-se, comunicar-se, expressar-se; localizar, processar e utilizar a imensa informação da aldeia global; buscar causas e prever conseqüências; criticar, avaliar, sistematizar e tomar decisões. Essas capacidades devem levar as pessoas a pensar e agir processualmente, em totalidade e transdisciplinarmente.
8. A ecopedagogia tem por finalidade reeducar o olhar das pessoas, isto é, desenvolver a atitude de observar e evitar a presença de agressões ao meio ambiente e aos viventes e o desperdício, a poluição sonora, visual, a poluição da água e do ar etc. para intervir no mundo no sentido de reeducar o habitante do planeta e reverter a cultura do descartável. Experiências cotidianas aparentemente insignificantes, como uma corrente de ar, um sopro de respiração, a água da manhã na face, fundamentam as relações consigo mesmo e com o mundo. A tomada de consciência dessa realidade é profundamente formadora. O meio ambiente forma tanto quanto ele é formado ou deformado. Precisamos de uma ecoformação para recuperarmos a consciência dessas experiências cotidianas. Na ânsia de dominar o mundo, elas correm o risco de desaparecer do nosso campo de consciência, se a relação que nos liga a ele for apenas uma relação de uso.
9. Uma educação para a cidadania planetária tem por finalidade a construção de uma cultura da sustentabilidade, isto é, uma biocultura, uma cultura da vida, da convivência harmônica entre os seres humanos e entre estes e a natureza. A cultura da sustentabilidade deve nos levar a saber selecionar o que é realmente sustentável em nossas vidas, em contato com a vida dos outros. Só assim seremos cúmplices nos processos de promoção da vida e caminharemos com sentido. Caminhar com sentido significa dar sentido ao que fazemos, compartilhar sentidos, impregnar de sentido as práticas da vida cotidiana e compreender o sem sentido de muitas outras práticas que aberta ou solapadamente tratam de impor-se e sobrepor-se a nossas vidas cotidianamente.
10. A ecopedagogia propõe uma nova forma de governabilidade diante da ingovernabilidade do gigantismo dos sistemas de ensino, propondo a descentralização e uma racionalidade baseadas na ação comunicativa, na gestão democrática, na autonomia, na participação, na ética e na diversidade cultural. Entendida dessa forma, a ecopedagogia se apresenta como uma nova pedagogia dos direitos que associa direitos humanos – econômicos, culturais, políticos e ambientais - e direitos planetários, impulsionando o resgate da cultura e da sabedoria popular. Ela desenvolve a capacidade de deslumbramento e de reverência diante da complexidade do mundo e a vinculação amorosa com a Terra...

...POIS COMO UM SER VIVO ELA RESPIRA CONOSCO.

HARMONIA DA TERRA



O Instituto Harmonia na Terra é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), com sede na Ilha de Santa Catarina, Brasil

A Instituição tem os seguintes objetivos:
Promoção da educação, em especial a ecopedagogia e a educação ambiental;
Produção e distribuição de materiais educativos;
Defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção da sustentabilidade ambiental, econômica, social, política e ética;
Promoção da cultura e da arte;
Experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, serviços e trabalho;
Incentivo à justiça social e combate à pobreza;
Promoção da ética, da paz, da cidadania e dos direitos humanos;
Promoção do voluntariado.

- missão: promover a ecopedagogia e a harmonia dos seres humanos entre si e com o planeta.
- Núcleo da Ecopedagogia: projetos e programas educacionais

domingo, 4 de janeiro de 2009

Artigo de Leonardo Boff

Ressonância Schumann
publicado no JB em 05/MAR/2004

Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formasde vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz.Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde.Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico.
Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra. Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera.Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann. Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz.


Carta da Terra em
2009


Que tenhamos amor a vida,
respeito com a natureza
e vontade política para fazer acontecer.

A Carta da Terra é um documento e um movimento.
Como documento começou a ser produzido na Conferência de Meio Ambiente Rio 92 e, tecido por pessoas no mundo inteiro, foi acolhido pela UNESCO, em 2002, como um código de ética planetário. Esse documento deu origem a um movimento mundial que visa implementar seus princípios.
A Carta da Terra tem como eixos o respeito à comunidade da vida, à integridade ecológica, à justiça econômica e social e à democracia, cultura de paz e não-violência.


Visite o site abaixo e tenha acesso a diversos materiais:
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/umapaz/cartadaterra.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ação na comunidade


Um exemplo da

'PEDAGOGIA A PARTIR DA VIDA COTIDIANA'

- ECOPEDAGOGIA -


é a ação na comunidade de Canoas/RS

em prol ao arroio da cidade

- Projeto Ambiental Arroio Araçá nosso Rio Guri.
Um projeto que envolve escolas municipais, estaduais e particulares, moradores e associações de diversos bairros, religiosidades, representantes e alunos das universidades, unindo-se a outros projetos para a defesa da natureza local.

Você pode ver as ações por aqui:
http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=48064434
http://picasaweb.google.com/arroioaracacanoas
http://www.ceucabrscanoas.com.br/documents/blog_1.php
http://www.opaaraucaria.org.br/links.html

Cotidiano

A Pedagogia a partir da vida cotidiana pode ser orientada
através do livro de Carlos Rodrigues BRANDÃO:
Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”.
Brasília/DF: Programa Nacional de Educação Ambiental/MMA, 2005. 180 p.

Resenha de Roberta Oliveira “Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”
O livro recém-lançado de autoria de Brandão, antropólogo de formação e humanitarista de paixão, autor de outras dezenas de livros, carioca de coração sertanejo, mora há décadas em Campinas – SP, onde atua como professor na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia –
UFU.
O livro faz parte das atividades do Programa Municípios Educadores Sustentáveis do
Ministério de Meio Ambiente através de sua Diretoria de Educação Ambiental, que tem
como proposta educacional contribui para uma mudança cultural no sentido do ideário
ambientalista, e que perpasse a dinâmica cotidiana do município, respeitando as
diversidades e a cultura local, através de parcerias que possam apoiar e estimular
municípios que queiram atuar nesta direção.
Na obra fica clara a importância da valorização da cultura e práticas de educação popular
aliada ao meio ambiente, resultando então, numa educação ambiental através do
testemunho de vida, aponta como um sugestivo viés no processo de empoderamento da
população, trilhando o caminho em busca de Municípios Educadores Sustentáveis.
Na obra o autor “dar o seu testemunho” de vida em cada capítulo do livro trapaceando
com as palavras e conceitos numa geopoética harmônica procurando situar, orientar e
refletir policemicamente o que fomos, somos e seremos, na qual é expressa através de
nossos sentidos, significados, sensibilidades e saberes conforme nossas vivências e
referências. Ao trapacear com as palavras, navega duma escala do local ao global e versa em uma dimensão em que uma abriga a outra ao invés de se opor a ela. Lança luz
sobre a existência e dilemas do ser humano, com um olhar novo sobre o sentimento
crescente dia-a-dia de co-responsáveis pela nossa vida e pela vida no mundo. Contribui
para bem mais do que imaginávamos, comoum repositório de idéias e estímulos para
que definitivamente as pessoas comecem a desempenhar o verdadeiro papel de cada
um de nós (você e eu) de cuidar do nosso corpo, casa, rua, bairro, cidade, enfim a nossa
casa-nave - Terra, e conseqüentemente de buscar melhoria na qualidade de nossas
vidas e da vida do mundo onde vivemos.
Neste trabalho, a obra destaca, sobretudo a socialização dos seres vivos através da
transformação da natureza ao bel prazer do ser humano. Faz uma correlação entre o
modo de vida do ser humano e as demais espécies de seres vivos, onde vivem em
harmonia com a natureza, retirando dela apenas o necessário para sua sobrevivência.
Assim, parte do princípio da teoria de pensamento sistêmico, ou seja, o ciclo da vida
onde tudo tem haver com tudo que interage e está relacionado com tudo. Destaca o
Mundo da Vida em teia-rede, que começa aqui no lugar onde eu moro, aqui no lugar
onde nós vivemos até cubrir a terra inteira.
Diligentemente, o autor aprofunda os conhecimentos sobre a proposta do Programa
Municípios Educadores Sustentáveis informando os passos do trabalho e da participação
estimulando adesão de cada município. O foco do Programa concentra-se na mudança:
mudança no modo de sentir, de pensar, de se motivar e de agir das pessoas para poucoa-
pouco se transformarem mais ativa, solidária e mais aberta aos outros e à Vida. Deste
modo, toda ênfase voltasse para a palavra “participação”: do sair da passividade do
“reclamar” e se dar ao prazer de participar, de agir, de fazer, de trocar, de partilhar. E
para isso, reunir é a palavra-chave. A interação é o ponto de partida por meio de
encontros, diálogos, acordos e parcerias.
Como assevera Marcos Sorrentino, o autor nos ensina a “dar o testemunho”. “Esta obra
nos aponta um caminho”. É uma obra não só para governantes e organizações
ambientalistas, mas para leitores, pesquisadores, educadores e interessados em
compreender e contribuir para construção e consolidação de comunidades aprendentes
até tornarem-se Municípios Educadores Sustentáveis.
Trata-se, portanto, de um formidável e sugestivo convite à leitura, reflexão e ação por
todas e todos sobre a nossa realidade e reflete sobre nossos costumes e valores
culturais tradicionais tantas vezes esquecidos na nossa forma cotidiana de conviver e
interagir a luz de uma nova época marcada pelo espírito cooperativista, solidário e
conservacionista, onde as pessoas trocam experiências e conhecimentos e assim,
mutuamente, ensinam e aprendem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CONCEITO

O conceito de ecopedagogia,
criado por Francisco Gutiérrez, pesquisador do pensamento de Paulo Freire na Costa Rica, segue os princípios da “Carta da Terra”, documento anunciado em março de 2000 pela Unesco e que será adotado pela ONU no ano 2002 com o mesmo valor da “Declaração dos Direitos Humanos”. A “Carta da Terra” foi aprovada por um fórum da sociedade civil, com representante de todos os povos, e, por isso, conseguiu o status de documento da “cidadania planetária”.

A ecopedagogia trabalha com a fundamentação teórica dessa “cidadania planetária” cuja idéia é dar sentido para a ação dos homens enquanto seres vivos que compartilham com as demais vidas a experiência do planeta Terra. Ou seja, constitui-se um verdadeiro movimento político e educativo cujo projeto é mudar as atuais relações humanas, sociais e ambientais. A promoção das sociedades sustentáveis e a preservação do meio ambiente depende, de acordo com a ecopedagogia, de uma consciência ecológica e a formação dessa consciência depende da educação.

http://br.geocities.com/decioladislau/Ecoped1.htm

terça-feira, 29 de julho de 2008

O Cotidiano e a Sustentabilidade

Trata-se da pedagogia orientada para a aprendizagem do sentido das coisas
a partir da vida cotidiana,
tendo como objetivo a promoção das sociedades sustentáveis.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ecopedagogia e Cidadania Planetária

Resenha: Ecopedagogia e Cidadania Planetária.
Professor MS. João Beauclair

Este interessante livro trata de uma temática essencial para a educação do século XXI. Desde a sua apresentação, intitulada Cidadania Ambiental, elaborada por Alicia Bárcena, e a apresentação feita pelo eminente educador brasileiro, Moacir Gadotti, com o texto Cidadania planetária, a temática Ecopedagogia ganha destaque e exemplificação. Trata-se, entretanto, de um livro oriundo de um programa coordenado pelos autores Francisco Gutiérrez e Cruz Prado, organizado pelo PNUMA – Programa de Cidadania Ambiental Global.Oriundo de uma travessia histórica, o problema ambiental supõe o reconhecimento e a prática da planetariedade, que é percebermos o planeta terra como um ser inteligente e vivo. Isso se refere a uma mudança paradigmática onde a dimensão educativa ganha ênfase cada vez maior. No decorrer dos capítulos que compõem as diferentes partes do livro, ganha cada vez mais destaque a idéia de que somos todos parte de uma mesma Nave Mãe Terra, como sempre nos lembra Leonardo Boff. Na primeira parte deste livro, temos os referenciais teóricos que nos mostram novas perspectivas, onde seja possível superar a lógica racional, hierárquica e dominante por uma outra ordem, mais intuitiva, processual e relacional, onde a flexibilidade seja predominante e essencial. Inicia-se esta primeira parte com o capítulo 1 Novas Categorias interpretativas, trazendo reflexões sobre o paradigma emergente, que nos leva para novos modos de ver, sentir, perceber e agir, onde novos valores e comportamentos fomentem novas atitudes e novos sonhos. Um aspecto relevante aqui lançado é o de revalorizar a consciência como essencial ao processo de construção de uma nova harmonia ambiental, focalizando novas relações com o planeta terra e com valores que refletem tolerância, igualdade, biodiversidade, e promoção cultural a partir da dimensão ética do ser humano. Compreende ainda neste primeiro capítulo interessante discussão sobre ecologia sustentável e sociedade sustentável, apontando para referenciais que podem colaborar para a mudança da realidade, constituindo uma sociedade nova com a superação de moldes rígidos que constituem nossa formação. Interessantes sugestões para a reflexão pessoal e debate em grupo fazem parte do final deste capítulo. No capítulo 2 amplia-se a discussão, clareando os suportes conceituais sobre planetariedade, partindo do conceito de aldeia global proposto por Marshall McLuhan, na década de 60 do século passado ao conceito de dimensão planetária, presente nos documentos e discussões contemporâneas oriundas da ECO- 92. A formação pessoal é destacada quando os autores validam as dez características essenciais do perfil das pessoas da sociedade planetária propostas por Francisco Vio Grossi, indo além da dimensão pessoal e propondo a construção dos sujeitos coletivos, partindo da cotidianidade, da planetariedade e da capacidade de sentir e expressar a vida e a realidade tal como deve ser vivida e sentida.No terceiro capítulo, Francisco Gutierrez e Cruz Prado conseguem chamar nossa atenção para as novas práticas necessárias à participação ativa de todos, que desde a ECO- 92 até os movimentos sociais mais recentes, estão diferenciando o teor das declarações do que denominam processos de demanda, que em seu caráter educativo deve priorizar as dimensões sociais, políticas, técnicas, científicas, pedagógica e espaço-temporal, necessitam estar presentes nos diferentes programas de formação humanísticas voltados à ecologia e à discussão sobre a continuidade da vida no nosso planeta. Um outro aspecto também evidenciado neste capítulo é a essencialidade do processo que, para ser de fato educativo, deve trabalhar e inter-relacionar os seguintes elementos constitutivos: atores sociais como agentes, necessidade de sentido, relações sinérgicas, recursos e cotidianidade (tempo e lugar) e produto. Na segunda parte deste livro, intitulada Ecopedagogia, temos os capítulos 4 e 5. O capitulo 4 trata da proposta de formação em cidadania ambiental e sustentabilidade, a partir do processo pedagógico em si. Partindo das experiências em educação popular, os autores trabalham com o significado do ato de promover, compreendendo que a ecopedagogia está voltada, principalmente, à promoção da aprendizagem a partir da vida cotidiana. Neste sentido, com maestria os autores desenvolvem chaves pedagógicas à aprendizagem a partir do cotidiano, elaborando alguns indicadores de todo este processo, que podem auxiliar aos que estão envolvidos nos movimentos de ensinar e de aprender que estejam vinculados à ecopedagogia. De grande valia é atentar para os indicadores citados, que expressam questões práticas das mudanças paradigmáticas discutidas.Na terceira parte deste livro, os autores se voltam para a prática em si, iniciando o capitulo seis com interessante discussão a respeito dos espaços de aprendizagem, compreendidos em seus sentidos mais amplos: desde o espaço físico até o transcurso do tempo. É proposto aqui interessante análise de sete capacidades básicas para a construção de uma nova cultura, a cultura da sustentabilidade: resgatando a sensibilidade, a intuição e exaltando a consciência do poético, das emoções e da alegria, do amor e da satisfação. Enfim, este é um livro ímpar, para ser lido, debatido, refletido e discutido em diferentes espaços e tempos sociais onde haja a preocupação com o educar para a vida planetária. Trata-se de um belo trabalho, onde as palavras remetem ao pensar criativo e crítico da realidade, tal como ela é constituída. Sua leitura faz com que nossos pensamentos se abasteçam de novas possibilidades de ver e viver um outro mundo, mais humano e ecopedagogicamente constituído. Notas:1- GUTIÉRREZ, Francisco e PRADO, Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetária. Guia da Escola Cidadã vol. 3. São Paulo: Instituto Paulo Freire/Cortez Editora, 2000.
Joao Beauclair

sábado, 28 de junho de 2008

ECOPEDAGOGIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Ecopedagogia
e concepção de Educação

􀂄 Reflexão sobre a realidade: buscar desvelamento de elementos opressores; acessar verdade que está encoberta através da apropriação crítica da mesma
􀂄 Ação transformadora sobre esta realidade: é um caminho para a emancipação do sujeito.
􀂄 Educação é essencialmente um ato: possibilitar ao/à educando/a a compreensão de seu papel no mundo e de sua inserção na história
􀂄Ponto de partida: temas relacionados ao contexto do/a educando/a, compreensão inicial que tem do problema,
􀂄 Estabelecimento de um processo dialógico: entre educador(a) e educando(a), entre ambos e a realidade
􀂄 Diálogo visa ampliação da compreensão inicial e intervenção na realidade.

Maria Rita Avanzi
http://homologa.ambiente.sp.gov.br/EA/adm/admarqs/MariaRita.pdf

segunda-feira, 3 de março de 2008

Ação Ecopedagógica
Projeto Arroio Araçá: Nosso Rio Guri

Fonte: Jornal O TIMONEIRO Canoas/RS, 14 de fevereiro de 2008. Edição nº 2272 Notícias
Educadores criam projeto para o arroio Araçá.

Com a intenção de conscientizar a população sobre a poluição do Arroio Araçá um grupo de professores de escolas públicas criou o projeto Arroio Araçá – Nosso Rio Guri, que estuda o histórico e a importância do Arroio na Cidade. O programa integra estudantes e professores de escolas públicas em uma ação ambientalSegundo a professora, Maria Inês Pacheco, a população precisa aprender a cuidar do meio ambiente. “Precisamos ter cuidado com a natureza, e o Arroio Araçá faz parte do nosso dia-a-dia. Cuidar do Arroio é cuidar da saúde pública. Muitas pessoas não conhecem o Arroio Araçá e chegam a chamá-lo de valão, mencionar-lo dessa forma é um erro gravíssimo”, diz. “Temos lugares bonitos e ricos em beleza natural na nossa Cidade. Porém o município carece de serviço de preservação ambiental”, destaca a educadora.
Para a diretora da Escola de Educação Infantil, Talina Romano, as crianças precisam aprender como preservar a natureza. “A educação infantil deve ter aulas sobre o meio ambiente. Dessa forma as crianças acabam tendo contato direto com a natureza. Não podemos nos esquecer que os pequenos de hoje serão o futuro”, declara Talina.Para os interessados em receber palestras em instituições de ensino, igrejas, associações, entre outros é necessário agendar um horário através do telefone: 3465.7792. O programa pode ser acompanhado através da comunidade Arroio Araçá - Nosso Rio Guri, encontrada no site de relacionamento Orkut
Comunidade ARROIO ARAÇÁ 'preciso de amigos'

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Estudos...


OS ESTUDOS ABAIXO APRESENTADOS TEM A COLABORAÇÃO DE VÁRIOS EDUCADORES, E ESTÃO GRAVADOS EM UM CD QUE CADA UM RECEBEU NO FINAL DO ANO DE 2005.


"Este CD confirma Gutiérrez, pois é a compilação do trabalho e dos nossos estudos da equipe nos anos entre 2001 e 2005. O cotidiano foi enriquecido pelo esforço de cada um para fortalecer a rede interna na busca pelo Cuidar. Confirma, também, Freire que colocou: 'Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, nos educamos juntos em comunhão'. É um 'livro eletrônico', uma recompensa pela dedicação e pelo carinho mútuo nestes 5 anos de trabalho no Projeto Social EDUCANDO PARA A CIDADANIA E SOLIDARIEDADE."
(Partes da carta de apresentação feita pela EQUIPE DIRETIVA em Dezembro 2005)

NO ANO DE 2005 O PROJETO SOCIAL EDUCANDO PARA A CIDADANIA E SOLIDARIEDADE DA ESCOLA CORAÇÃO DE JESUS/ESTEIO - INSTITUIÇÃO VERZERI - RIO GRANDE DO SUL - BRASIL TEVE SUA PROPOSTA PEDAGÓGICA ENRIQUECIDA COM OS ESTUDOS SOBRE A ECOPEDAGOGIA. TAIS ESTUDOS AQUI APRESENTADOS NÃO PODERIAM FICAR ARQUIVADOS PELO EMPENHO E PELAS RIQUEZAS QUE ESTA EQUIPE PREPAROU.

"Pedagogia é o trabalho de promoção de aprendizagem por meio de recursos necessários ao processo educativo no cotidiano das pessoas. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A mídia eletrônica, nos interligando ao mundo todo, não anula esse lugar, pois "a revolução eletrônica cria um espaço acústico capaz de globalizar os acontecimentos cotidianos"(GUTIÉRREZ, 1996)

'É preciso cuidar da vida que há dentro da gente e em todo lugar, é preciso cuidar da vida que há na Terra e no Mar...' (Padre Zezinho)

A CARTA DA TERRA


estudos apresentados por
Scheila, Jéssica, Sandra, Cristina.


Ecopedagogia é a educação para o cuidar
A Carta da Terra é um compromisso com este 'cuidar'


O projeto da Carta da Terra inspira-se em uma variedade de fontes, incluindo a ecologia e outras ciências contemporâneas, as tradições religiosas e as filosóficas do mundo, a literatura sobre ética global, o meio ambiente e o desenvolvimento, a experiência prática dos povos que vivem de maneira sustentada, além das declarações e dos tratados intergovemamentais e não-governamentais relevantes.Sua proposta central é a construção de uma cidadania planetária a partir de uma ética humana comum e solidária.

Resultado de um processo intercultural de mais de uma década realizado em nível mundial, a Carta da Terra foi construída tanto por especialistas como por comunidades de base que se encontraram na ECO 92 para lançarem seu alicerce.
No início de 1997 formou-se um comitê redator internacional que ajudou no processo de consultas.
Em março de 2000 foi aprovada a versão final numa reunião celebrada no escritório da Unesco, em Paris.
No dia 29 de junho de 2000 ocorreu o lançamento oficial no Palácio da Paz, em Haya, na Suíça.
A Terra é nossa Casa, nosso lar;
Somos parte de um grande Universo.

Qual nossa situação Global?;
O que podemos e devemos fazer?

Quais os Desafios para o Futuro?
A Responsabilidade é Universal.

Somos todos responsáveis!

É clara a necessidade de uma mudança fundamental. A escolha está diante de nós: proteger a Terra ou participar de nossa própria destruição e da diversidade de vida. Devemos reinventar a civilização industrial e tecnológica, encontrando novos caminhos para equilibrar o individual e a comunidade, o possuir e o ser, a diversidade e a unidade, curto prazo e longo prazo, utilizar e nutrir.No meio de toda nossa diversidade, somos uma humanidade e uma família da Terra compartilhando um destino. As ameaças com as quais nos defrontamos requerem uma visão ética global. As associações devem ser constituídas e a cooperação deve emergir em níveis locais, bioregionais, nacionais e internacionais. Numa interação solidária e com a vida em comunidade, nós, os povos do mundo, nos obrigamos a agir guiados pelos seguintes princípios que se inter-relacionam:

  • RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

  • INTEGRIDADE ECOLÓGICA

  • JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

  • DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
1.Respeitar a Terra e todos os tipos de vida. Todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor; acreditar na dignidade de todos os seres humanos, no seu potencial intelectual, artístico, ético e espiritual.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor aceitando o direito de ter e usar os recursos naturais, bem como o dever de impedir causar danos ao meio ambiente e proteger o direito das pessoas. Aqueles que mais sabem e mais estudam tem a responsabilidade de colaborar e dividir este saber com todas as pessoas.

3. Criar sociedades justas, participativas, sustentáveis e pacíficas garantindo os direitos humanos e as liberdades básicas para todas as pessoas, independente da classe social, dando a cada um a oportunidade de desenvolver seu potencial. Sociedades onde as pessoas tenham condições de vida: alimentação, casa, roupa, educação saúde, e que sejam ecologicamente responsáveis.

4. Garantir a qualidade de vida na Terra para as atuais e as futuras gerações, reconhecendo a importância do cuidado com a Terra para que as atuais e próximas gerações tenham as mesmas condições e acesso à vida saudável.

5. Proteger a diversidade da vida na Terra. Proteger é uma ação de respeito. Devemos impedir todo tipo de desrespeito como maus tratos em geral (pessoas, animais, plantas).

6. Prevenir problemas ao ambiente e ter muito cuidado. Evitar fazer as coisas que sabemos que estão erradas como poluir, queimar, consumir demais, gastar muita energia, fabricar produtos prejudiciais. Assim estaremos prevenindo problemas.

7. Criar formas de produção, consumo e reprodução que protejam a vida na Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário. Produzir de forma moderada, consumir de forma moderada, informar as pessoas sobre o problema de ter muitos filhos e filhas.

8. Estudar sobre a vida na Terra e trocar experiências. Valorizar todos os tipos de conhecimento que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.

9. Acabar com a pobreza e resgatar os direitos humanos. Colaborar com o combate a fome e valorizar os alimentos evitando o desperdício.

10. Promover o desenvolvimento humano nas empresas e instituições. Que os empresários e as instituições que se posicionem em favor dos seus funcionários colaborando com a melhoria da qualidade de vida em todos os níveis.

11. Acabar com a discriminação contra as mulheres. Valorizar as mulheres evitando o desrespeito, pois elas são tão importantes quanto os homens.

12. Defender os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas na raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.

13. Fortalecer a democracia em todos os níveis. Que as políticas públicas façam valer os direitos e as necessidades dos cidadãos e cidadãs.

14. Incluir na educação formal (escola) e aprendizagem ao longo da vida (em casa, na igreja, na comunidade, no trabalho) os conhecimentos para um modo de vida que não prejudique o ambiente.

15. Tratar todos os seres com respeito e consideração. Amar a todos os seres, pois todos são importantes e dignos.

16. Promover uma cultura do respeito, da não violência e da paz. Respeitar diferentes culturas, diferentes religiões, diferentes idéias de forma que todos possam viver em harmonia mesmo que pensem de formas diferentes. Isto não é fácil, mas será possível se seguirmos estes princípios.

A Carta de Terra,
uma nova lei Universal,
deverá ser aceita, respeitada e praticada por todas nações e povos do mundo
como um novo começo,
uma vez que, em nenhuma época,
a humanidade teve consciência da interdependência a que está sujeita e da responsabilidade a ser compartilhada na defesa da Vida.
Como vimos acima ela apresenta Princípios que nortearão atitudes para a efetiva mudança .
RESUMO: A idéia da Carta surgiu na Cúpula da Terra - ECO 92, celebrada no Rio de Janeiro em 1992, mas a falta de acordo postergou até 1997 o seu nascimento, quando um primeiro rascunho foi elaborado durante a Cúpula Rio+5. A cantora argentina Mercedes Sosa representou a América Latina no grupo que redigiu a sua minuta. A versão final foi aprovada em 2000, em Haia, Holanda, e inclui quatro capítulos sobre integridade ecológica, respeito e cuidado da comunidade da vida, justiça socioeconômica, democracia, não-violência e paz. No Brasil o movimento tem o apoio do Instituto Paulo Freire, que juntamente com Conselho da Terra e UNESCO-Brasil, organizou o Primeiro Encontro Internacional - A CARTA DA TERRA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO - São Paulo, 23 a 26 de agosto de 1999. O resumo dos trabalhos de cada autor pode ser encontrado no site: http://www.paulofreire.org/Movimentos_e_Projetos/Cidadania_Planetaria/Ecopedagogia/carta_da_terra.htm
"Carta da Terra na Perspectiva da Educação - Um desafio para o terceiro milênio"
Por Moacir Gadotti e Gustavo Belic Cherubine* 07 de maio de 2000
Se olharmos para o céu atentamente em uma noite de lua minguante, longe das luzes artificiais dos grandes centros urbanos, poderemos identificar no espaço infinito uma miríade de corpos celestes que estão distribuídos por cerca de um bilhão de galáxias, cada galáxia com bilhões de astros. A fantástica e deslumbrante visão proporcionada pela natureza teve origem na grande explosão de um único corpo celeste, formando o universo que conhecemos e que, segundo os estudiosos, continua em expansão. O grande espaço universal ocupado pelos corpos celestes é medido por distâncias em anos-luz, tornando tudo ainda mais gigantesco, com proporções inimagináveis que continuamente despertam na humanidade o desejo de decifrar a origem e a totalidade do universo e da vida. As mesmas dimensões do universo que provocam na humanidade um desejo pelo seu conhecimento que nunca finda, também servem para demonstrar o quanto o fenômeno da vida é raro. Até onde sabemos, dentro da infinitude espacial, somente no minúsculo corpo celeste chamado terra a vida se fez, e com uma diversidade que nos fascina e encanta. Foi necessário que o caudaloso rio do tempo transcorresse para que as condições adversas da grande explosão abrandassem e longos processos sucessivos de acomodações e evoluções tivessem início e fim, continuamente, para que condições invulgares e de delicada textura tornassem possível o milagre da vida na Ecosfera, a fina camada que recobre o corpo da terra. Na história da humanidade, o século 20 é cultuado pelos ocidentais como um período de tempo onde pudemos avançar enquanto seres criadores de obras e objetos técnicos e informacionais, cuja função e finalidade seria a de contribuir com o desenvolvimento e o progresso material dos seres humanos. É inegável o avanço proporcionado por processos produtivos e tecnológicos, geradores de produtos e soluções para as questões práticas da vida humana, principalmente as relacionadas aos setores de comunicação, transporte e consumo. Mas, ao analisarmos detidamente o fim de século com um olhar acurado e sensível de observador interessado nos rumos da humanidade, podemos perceber que os valores universais construídos ao longo dos tempos por diversas culturas e pensamentos - valores e conceitos sobre a paz, a solidariedade e a harmonia - há muito deixaram de existir no cotidiano da vida do planeta. É como se a humanidade não levasse em consideração o quanto foi necessário de tempo e de adequação do espaço para que a vida, e toda espécie de vida, acontecesse no minúsculo corpo celeste chamado Terra. A Carta da Terra, cujo papel e significado tem por base os esforços das Nações Unidas e dos povos em identificar as questões fundamentais relativas à segurança mundial, surgiu primeiramente na Eco-92, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de junho de 1992, juntamente com outro importante documento mundial intitulado Agenda 21. Os dois documentos que nasceram juntos são muito diferentes, mas destaca-se uma diferença fundamental: a Carta da Terra foi aprovada no Fórum Paralelo da Sociedade Cível e não na plenária oficial dos chefes de Estado. Tal condição histórica de nascimento é determinante para dizermos que a Carta da Terra é o legítimo documento da Cidadania Planetária, pois a composição do Fórum Paralelo da Sociedade Civil representava todos os povos, principalmente os que não possuem "governo" ou "chefes de estado", como exemplo podemos citar os Xavantes, os Curdos e os Pigmeus. Como podemos pensar numa sociedade global se só aceitamos como legítimos os anseios supostamente populares levados às plenárias mundiais por chefes de estado constituídos? E os povos que não se organizam como os estados-nação, principalmente os que se encontram nos continentes diversos culturalmente do Ocidente dito "moderno"? Como defendermos - outro exemplo - os direitos dos Beduínos Nômades? A Cidadania Planetária, anunciada na Carta da Terra e que no momento está sendo fundamentada teoricamente pelos estudiosos da Ecopedagogia e da Pedagogia da Terra, nos dará sentido para agirmos enquanto seres vivos que compartilham com demais vidas a experiência do Planeta Terra. Diferentemente da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU, em 1948, por um grupo de especialistas e negociada pelos Estados Membros da organização sem que houvesse consulta prévia aos povos, a Carta da Terra, graças a um esforço que permanecerá e mobilizará numerosas pessoas e instituições num imenso processo pedagógico, foi proclamada no dia 14 de março de 2000 pela Unesco, em Paris, e deverá ser apresentada e assumida pela ONU no ano 2002 com o mesmo valor da Declaração dos Direitos Humanos. Nós, do Instituto Paulo Freire e do Movimento da Ecopedagogia, que participamos do I Encontro Internacional da Carta da Terra na Perspectiva da Educação, realizado em São Paulo entre os dias 23 e 26 de agosto, acreditamos que a aprovação poderia ser melhor precedida por um abrangente processo de consulta que, partindo da demanda dos povos, promulga-se os direitos da vida da terra, incluindo os Direitos Humanos. Teremos tempo até 2002 para continuarmos realizando o trabalho que iniciamos no ano passado com os Educadores que estiveram conosco nos quatro dias de trabalhos e vivência. A Carta da Terra, já percebemos, não é um documento conhecido como o é a Agenda 21: poucas pessoas conhecem e entendem seu significado, especificidade e importância. Para os Educadores, a Carta da Terra é um projeto inspirado em uma variedade de fontes que inclui a ecologia, as ciências contemporâneas, as tradições espirituais e filosóficas do mundo, além da literatura sobre ética global, o meio ambiente e o desenvolvimento, a Arte, a experiência prática dos povos que vivem de maneira sustentada e nas declarações e nos tratados intergovernamentais e não-governamentais relevantes. A Carta da Terra é parte integrante de um projeto social global de construção de uma sociedade humana que respeita e aplica cotidianamente a Ética, a Cultura da Sustentabilidade e a Prática da Não-violência. Muitos estudiosos já identificaram no conceito de desenvolvimento sustentável um formidável componente educativo, pois a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação. Como a Carta da Terra, além de ser um projeto dialógico e construtivo, é também um projeto político educacional que terá a função de contribuir para a criação de melhores condições e qualidade de vida, um dos espaços mais privilegiados para que a construção do documento seja feito com a verdadeira expressão dos povos é a Escola. O educador, que através dos tempos cumpre o papel magnífico de impregnar de sentido o caminhar da humanidade, terá neste novo século um papel decisivo e único. Para a construção de um novo milênio no qual uma verdadeira sociedade planetária comungue dos mesmos princípios e ideais civilizatórios, será preciso que o Educador ingresse no processo de consulta e participe do Movimento da Ecopedagogia, em parceria com os animadores da Carta da Terra que já estão trabalhando nesse sentido; pois somente assim conseguiremos construir uma metodologia da Carta da Terra que parta do universo sócio-cultural dos segmentos com os quais trabalha, que promova o pensar, o perguntar, o construir junto o conhecimento sobre nosso Planeta - próximo e distante - e que nos leve, coletivamente, a agir de maneira consciente sobre o espaço em que vivemos. A Escola se tornará um dos grandes palcos de discussão dos rumos da vida no planeta, partindo da elaboração dos seus respectivos projetos político-pedagógicos, aliada a uma organização curricular coletiva que envolva democraticamente os animadores da Carta da Terra, coordenadores pedagógicos, educandos, pais e mães, visando a uma seleção crítica, criteriosa, fundamentada e flexível de conteúdos, dos trabalhos a serem desenvolvidos e das metodologias a serem adotadas. A metodologia da Carta da Terra reconhece que a seleção de conteúdos é um recorte do conhecimento universal historicamente produzido e, assim, pode ser reconstruído e recriado. Por ser um recorte, implica numa opção, e toda opção é ideológica. É fundamental a clareza em torno do poder de escolher um conteúdo e não outro e qual o porquê desse novo modo de abordá-lo. O desafio lançado aos educadores e às escolas é o de contribuir para a construção da Carta da Terra a partir de uma visão interdisciplinar que se utilize do variado universo simbólico da linguagem e da comunicação humana, considerando a contribuição das diferentes áreas do conhecimento, integrando-as no processo de busca de compreensão dos problemas ecológicos e organizando-as por meio de atividades expressivas e criativas tais como: estudo da realidade local, observação das condições ambientais, caminhadas ecológicas que despertem a consciência da necessidade de preservação da natureza, discussão e debate de temas pertinentes, palestras, filmes, fotografias e slides, teatro, música, dança, desenho, esportes, comemorações, festas e jogos. No Brasil, o Instituto Paulo Freire, enquanto membro da coordenação nacional da Carta da Terra, por meio de acordo de cooperação com o Conselho da Terra, está incumbido de realizar a consulta mundial para sistematizar as contribuições dos educadores à Carta da Terra. A Rede Mundial pela Carta da Terra está aberta a toda escola e cidade que queiram ajudar a escrever o futuro do nosso planeta privilegiando os seguintes eixos temáticos: Visão Prospectiva de Sistemas Educacionais, Pedagogias de Afirmação Ética, Educação e Cultura da Sustentabilidade, Educação para a Cidadania Planetária e Sistemas Educativos Planetários de Comunicação e Intercâmbio.
Moacir Gadotti é Professor titular da USP, Diretor do Instituto Paulo Freire e auto de vários livros.Gustavo Belic Cherubine, técnico agropecuário, bacharel em Direito, pesquisador CIETEC/USP, membro CONAT e coordenador do Programa de Ecopedagogia do Instituto Paulo Freire. email: cherubin@paulofreire.org
A CARTA DA TERRA COM SUGESTÕES PARA TRABALHOS COM CRIANÇAS http://sites.uol.com.br/projetovida Berenice Gehlen Adams

Cidadania Planetária



estudos apresentados por Bianca, Ivone, Zeno, Camila


EDUCAR PARA A CIDADANIA PLANETÁRIA
- EIS UM DOS DESAFIOS DA ECOPEDAGOGIA.

Cidadania planetária é uma expressão que abarca um conjunto de princípios, valores e atitudes que demonstra uma nova percepção da Terra como uma única comunidade. É preciso que se trabalhe pedagogicamente a partir da vida, do dia a dia, do cotidiano, a partir das necessidades e interesses das pessoas. É nesse sentido que a Ecopedagogia é a pedagogia que promove a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana. É uma pedagogia democrática e solidária, porque, encontramos nela, sentido ao caminhar, e não apenas observando o caminho. Toda e qualquer atividade que ajude o educando a perceber sua relação com o mundo que o cerca, que o auxilie a viver em harmonia com a Natureza, que desperte sua conciência para a necessidar do CUIDAR em qualquer instância de sua vida, estará desenvolvendo a Cidadania Planetária. Enquanto o ser humano não for capaz de cuidar de cada metro cúbico de onde vive, não poderá participar com êxito da preservação da vida e do meio ambiente. "A Carta da Terra precisa estar associada à Agenda 21 e ter um grande suporte na sociedade civil. Os governos podem assinar tratados, podem adotar a Carta da Terra, porém não cumprirão suas promessas se a sociedade civil não estiver vigilante e não pressionar os governantes para que eles cumpram o que assumiram. O que foi socialmente construído pode ser socialmente transformado. Precisamos chegar lá juntos e, sobretudo, em tempo." Moacir Gadotti

O Professor Celso Marques trouxe um exemplo de como exercer a cidadania planetária, a partir de nosso cotidiano, expresso no cuidado do sentinela do pampa com o seu meio.

"Temos na paisagem do Pampa riograndense um pássaro chamado quero-quero, que é considerado a sentinela do Pampa. O quero-quero, diferentemente de outras aves, faz os seus ninhos no chão, vivendo a maior parte do tempo em contato com a terra e apegado ao lugar onde vive. A este lugar em que o quero-quero, outros bichos e o próprio ser humano costumam ficar, no linguajar gaúcho nós chamamos de "querência". Em português esta palavra se reporta ao verbo querer. A querência é um lugar que tem uma vontade, um querer originário, conforme a própria etimologia da palavra indica. Mas não é um querer isolado e separado do querer humano, dos animais e das plantas que ali vivem. O querer da querência requer o querer de tudo o que ali vive, de tudo o que pertence ao lugar, inclusive a paisagem. Ser apegado a um determinado lugar é ser aquerenciado. O processo de se apegar a um lugar se expressa com o verbo "aquerenciar". Ser aquerenciado significa também estar de bem com a vida, estar na posse da plenitude do sentido da vida. Na sabedoria camponesa aqui do sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai, do gaúcho, a felicidade é o próprio sentido de pertencer a um lugar. A querência é a intimidade com a natureza e com as coisas do local em que se vive. É ser parte das histórias das pessoas, dos animais e das plantas de um lugar. É ter a própria identidade pessoal, a própria história individual, inseparável de toda a teia destas histórias. É estar em casa no mundo. Por outro lado a pessoa que é infeliz, que não encontrou o seu lugar no mundo, que está de mal com a vida, é "desaquerenciada". A pessoa desaquerenciada não tem paradeiro fixo, vive inquieta, sempre a procura de um outro lugar, insatisfeita, angustiada, no estado de carência, de falta. Na perspectiva da sabedoria gaúcha, o problema ecológico é a humanidade estar desaquerenciada da Mãe Terra, da Pachamama, de Gaia, a suprema morada do homem. O Fórum Social Mundial é a uma tentativa planetária de aquerenciar a humanidade na Terra. Mas para que isso aconteça, cada ser humano deve ser alerta e vigilante como o quero-quero, deve exercer a sua condição de cidadania planetária defendendo a Terra e a Humanidade em cada local onde vive. Cada cidadão do mundo pode se inspirar no exemplo da sentinela do Pampa: ao pressentir a aproximação de um perigo, o quero-quero dá o alarme, começa a gritar o canto que deu origem ao seu nome e a fazer investidas contra o intruso através de vôos rasantes. "

Trabalhos da Conferência de Fritjof Capra, Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, no sábado, 25 de janeiro de 2003.

Quem cuida dos Cuidadores ?


QUEM CUIDA OS CUIDADORES?

Esta pergunta circundou os profissionais do Projeto Social Educando para a Cidadania e Solidariedade, em Esteio/RS. A grande resposta foi procurada juntos: refletindo, estudando, planejando, avaliando a realidade. Desta abertura para 'fazer juntos' surgiram estudos sobre a Ecopedagogia durante o ano de 2005, paralelo ao desenvolvimento do tema da Campanha de Fraternidade - FELIZES OS QUE PROMOVEM A PAZ.

"Entendemos que nossa primeira grande busca deve ser a Paz Interior, para auxiliar no exterior."

"RESGATANDO O SENTIDO DA VIDA -

de Sandra Magalhães Albetino, de Londrina/PR, escreveu para o Jornal Corujinha (2005 nº 52)

Os desafios da crise de passagem que atravessamos nos convoca a descobrir novas propostas. Elas não devem ser procuradas no mundo esterno, mas no interior de cada ser humano. Os avanços científicos, o uso incoseqüente dos meios naturais e tecnológicos vem provocando a escasses dos elementos básicos para nossa sobrevivência e exaurindo o equilíbrio físico-químico da Terra. A atitude utilitária, desencadeada pelo estilo de vida competitivo e direcionado para o prazer, converte tudo em objeto de lucro e de posse. Como resultado desse consumismo desenfreado, vemos a destruição dos ecossistemas planetários, o abismo cada dia maior entre excluídos e incluídos, a degradação dos valores, e outras tantas doenças do TER e do esquecimento do SER. Investir na cultura do ser, no resgate profundo sentido da vida é missão de todos. Colocar ordem, equilíbrio e harmonia em nosso interior, inocular qualidade em nossos pensamentos, emoções, atitudes e ações é uma tarefa prioritária. Enquanto educadores, trabalhando em comunidades de aprendizagem, temos um espaço privilegiado de participação no desenvolvimento humano. Este privilégio implica na grande responsabilidade de facilitar aos educandos o auto-conhecimento, a prática da autocrítica, a autoria de seu próprio processo de transformação, a receptividade à ação do outro, a interação com o meio... Precisamos estar conscientes que só desencadearemos esse processo se o estivermos vivenciando em nosso interior. É primordial investirmos constantemente em nós mesmos, nos talentos que nos foram confiados, em nossa plenitude como seres humanos, para que possamos alcançar nossa plenitude enquanto educadores."

"...desafio a todos aqueles professores ...que querem assumir o compromisso com uma sociedade mais justa, desenvolvendo a sua ação pedagógica dentro e fora da escola conhecendo, porém, os limites da educação no conjunto geral das práticas sociais."
PAULO FREIRE no livro MEDO E OUSADIA.

Ecopedagogia trata da pedagogia orientada para a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida quotidiana, tendo como objetivo a promoção das sociedades sustentáveis. O conceito de ecopedagogia, criado por Francisco Gutiérrez, pesquisador do pensamento de Paulo Freire na Costa Rica, segue os princípios da "Carta da Terra", documento anunciado em março de 2000 pela Unesco e deverá ser adotado pela ONU com o mesmo valor da "Declaração dos Direitos Humanos". A "Carta da Terra" foi aprovada por um fórum da sociedade civil, com representante de todos os povos, e, por isso, conseguiu o status de documento da "cidadania planetária". A ecopedagogia trabalha com a fundamentação teórica dessa "cidadania planetária" cuja idéia é dar sentido para a ação dos homens enquanto seres vivos que compartilham com as demais vidas a experiência do planeta Terra. Ou seja, constitui-se um verdadeiro movimento político e educativo cujo projeto é mudar as atuais relações humanas, sociais e ambientais. A promoção das sociedades sustentáveis e a preservação do meio ambiente depende, de acordo com a ecopedagogia, de uma consciência ecológica e a formação dessa consciência depende da educação.
http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario

SUSTENTABILIDADE

estudos apresentados por Janete, Marli, Ir. Sibila, Ir. Maria

•
Sustentar: segurar por baixo, servir de escora, suportar.
•Sustentabilidade: um dos pilares da ecopedagogia, não têm haver apenas com biologia, economia e a ecologia. Tem haver com a relação que mantemos como nós mesmos com os outros e com a natureza. Conforme Gadotti
O cenário não é otimista - Podemos destruir toda a vida no planeta neste milênio que se inicia. Uma ação conjunta é necessária ... E fundamentada em outros princípios éticos que não os baseados na exploração econômica, na dominação política e na exclusão social”

Paradigma Clássico - Visão industrialista predatória desenvolvimentalista que não da conta de explicar o momento presente e responder necessidades futuras. Precisamos construir um novo paradigma que seja fundamentado na visão sustentável do planeta terra.


Visão Sustentável - Visão que o cidadão local assume também a identidade indispensável de cidadão planetário, com uma consciência voltada para o cuidado do próprio corpo, sem o esquecimento da comunidade. Enfim , o cuidado de si mesmo sem o esquecimento do outro; Seja ele quem for, esteja onde estiver.


A sustentabilidade depende da capacidade da organização de estabelecer relações com indivíduos e organizações de todos os setores da sociedade. Os dirigentes de Organizações da Sociedade Civil devem ter duas funções primordiais:
ØExercer seu papel de liderança;
ØSer gestores competentes.

Sustentabilidade é um processo, não um estado que se atinge e se mantém.
ØAvalie constantemente se está no caminho certo.
ØLembre-se que está lidando com pessoas e não apenas com instituições.
ØTrabalhe para a formação de parcerias e não, apenas, a busca de doadores.
A sustentabilidade tornou-se um tema preponderante neste início de milênio, um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos,capaz de reacender a esperança em um futuropossível, com dignidade, para todos. A sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia; tem a ver com a relação que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.

'Que sabe o rio disso e que sabe a árvore? E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?''Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.'
Fernando Pessoa


Artigo de Moacir Gadotti

professor titular da Universidade de São Paulo e diretor do Instituto Paulo Freire.

Artigo resultante de diversos debates promovidos em encontros e congressos, em particular: a Conferência Continental das Américas, realizada em Cuiabá (MT), em dezembro de 1998; o Primeiro Encontro Internacional da Carta da Terra na Perspectiva da Educação, organizado pelo Instituto Paulo Freire, com o apoio do Conselho da Terra e da UNESCO, realizado em São Paulo, de 23 a 26 de agosto de 1999, e o I Fórum Internacional sobre Ecopedagogia, realizado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, Portugal, de 24 a 26 de março de 2000.


Venho acompanhando o tema da educação ambiental desde 1992, quando representei a Internacional Community Education Association (ICEA) na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), chamada de Cúpula da Terra, que elaborou e aprovou a Agenda 21. No Fórum Global 92, na mesma época, participei, ao lado de Moema Viezer, Fabio Cascino, Nilo Diniz e Marcos Sorrentino, da coordenação da Jornada Internacional de Educação Ambiental, que elaborou o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.
Três décadas de debates sobre 'nosso futuro comum' deixaram algumas pegadas ecológicas, tanto no campo da economia quanto no campo da ética, da política e da educação, que podem indicar-nos um caminho diante dos desafios do século XXI. A sustentabilidade tornou-se não só um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar o planeta, mas também um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança em um futuro possível, com dignidade, para todos.
O cenário não é otimista: podemos destruir toda a vida no planeta neste milênio que se inicia. Uma ação conjunta global é necessária, um movimento como grande obra civilizatória de todos é indispensável para realizarmos essa outra globalização, essa planetarização, fundamentada em outros princípios éticos que não os baseados na exploração econômica, na dominação política e na exclusão social. O modo pelo qual vamos produzir nossa existência neste pequeno planeta decidirá sobre a sua vida ou a sua morte, bem como a de todos os seus filhos e filhas. A Terra deixou de ser um fenômeno puramente geográfico para se tornar um fenômeno histórico.
Os paradigmas clássicos, fundados em uma visão industrialista predatória, antropocêntrica e desenvolvimentista, estão esgotando-se, não dando conta de explicar o momento presente e de responder às necessidades futuras. Precisamos de um outro paradigma, fundado em uma visão sustentável do planeta Terra. O globalismo é essencialmente insustentável. Ele atende primeiro às necessidades do capital e depois às necessidades humanas. E muitas das necessidades humanas a que ele atende tornaram-se 'humanas' apenas porque foram produzidas como tais para servirem ao capital.
Precisamos de uma 'Pedagogia da Terra', uma pedagogia apropriada a esse momento de reconstrução paradigmática, apropriada à cultura da sustentabilidade e da paz. Ela vem constituindo-se gradativamente, beneficiando-se de muitas reflexões que ocorreram nas últimas décadas, principalmente no interior do movimento ecológico. Ela se fundamenta em um paradigma filosófico (Paulo Freire, Leonardo Boff, Sebastião Salgado, Boaventura de Sousa Santos, Milton Santos, Aziz Ab’Sáber, Thomas Berry, Fritjop Capra, Edgar Morin) emergente na educação que propõe um conjunto de saberes/valores interdependentes. Entre eles podemos destacar:
Educar para pensar globalmente: na era da informação, diante da velocidade com que o conhecimento é produzido e envelhece, não adianta acumular informações. É preciso saber pensar. E pensar a realidade, não pensamentos já pensados. Daí a necessidade de recolocarmos o tema do conhecimento, do saber aprender, do saber conhecer, das metodologias, da organização do trabalho na escola.
Educar os sentimentos: o ser humano é o único ser vivente que se pergunta sobre o sentido de sua vida. É necessário educar para sentir e ter sentido, para cuidar e cuidar-se, para viver com sentido em cada instante da nossa vida. Somos humanos porque sentimos, e não apenas porque pensamos. Somos parte de um todo em construção.
Ensinar a identidade terrena como condição humana essencial: nosso destino comum é compartilhar com todos nossa vida no planeta. Nossa identidade é ao mesmo tempo individual e cósmica. É preciso educar para conquistar um vínculo amoroso com a Terra, não para explorá-la, mas para amá-la.
Formar para a consciência planetária: é preciso compreender que somos interdependentes. A Terra é uma só nação e nós, os terráqueos, os seus cidadãos. Não precisaríamos de passaportes. Em nenhum lugar na Terra deveríamos considerar-nos estrangeiros. Separar primeiro de terceiro mundo significa dividir o mundo para governá-lo a partir dos mais poderosos; essa é a divisão globalista entre globalizadores e globalizados, o contrário do processo de planetarização.
Formar para a compreensão: é necessário formar para a ética do gênero humano, não para a ética instrumental e utilitária do mercado. No mesmo sentido, é necessário educar para se comunicar, não comunicar para explorar, para tirar proveito do outro, mas para compreendê-lo melhor. A Pedagogia da Terra funda-se nesse novo paradigma ético e em uma nova inteligência do mundo. Inteligente não é aquele que sabe resolver problemas (inteligência instrumental), mas aquele que tem um projeto de vida solidário, porque a solidariedade não é hoje apenas um valor, e sim condição de sobrevivência de todos.
Educar para a simplicidade e para a quietude: nossas vidas precisam ser guiadas por novos valores, como simplicidade, austeridade, quietude, paz, saber escutar, saber viver juntos, compartilhar, descobrir e fazer juntos. Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura dominante, que é uma cultura de guerra, de competitividade sem solidariedade, e passar de uma responsabilidade diluída a uma ação concreta, praticando a sustentabilidade na vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua. A simplicidade não se confunde com a simploriedade e a quietude não se confunde com a cultura do silêncio. A simplicidade deve ser voluntária, como a mudança de nossos hábitos de consumo, reduzindo nossas demandas. A quietude é uma virtude conquistada com a paz interior e não com o silêncio imposto.
É claro, tudo isso supõe justiça, e justiça supõe que todas e todos tenham acesso à qualidade de vida. Seria cínico falar de redução de demandas de consumo, atacar o consumismo, falar de consumismo aos que ainda não tiveram acesso ao consumo básico. Não existe paz sem justiça.
Diante do possível extermínio do planeta, surgem alternativas em uma cultura da paz e uma cultura da sustentabilidade. A sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia; tem a ver com a relação que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza. A pedagogia deveria começar por ensinar sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo, porque é ele nosso primeiro educador. Essa primeira educação é uma educação emocional, que nos coloca diante do mistério do universo, na intimidade com ele, produzindo a emoção de nos sentirmos parte desse sagrado ser vivo e em evolução permanente.
Não entendemos o universo como partes ou entidades separadas, mas como um todo sagrado, misterioso, que nos desafia a cada momento de nossas vidas, em evolução, em expansão, em interação. Razão, emoção e intuição são partes desse processo, em que o próprio observador está implicado. O paradigma Terra é um paradigma civilizatório. E, como a cultura da sustentabilidade oferece uma nova percepção da Terra, considerando-a como uma única comunidade de humanos, ela se torna básica para uma cultura de paz.
O universo não está lá fora. Está dentro de nós. Está muito próximo de nós. Um pequeno jardim, uma horta, um pedaço de terra é um microcosmos de todo o mundo natural. Nele encontramos formas de vida, recursos de vida, processos de vida. A partir dele podemos reconceitualizar nosso currículo escolar. Ao construí-lo e ao cultivá-lo, podemos aprender muitas coisas. As crianças o encaram como fonte de tantos mistérios! Ele nos ensina os valores da emocionalidade com a Terra: a vida, a morte, a sobrevivência, os valores da paciência, da perseverança, da criatividade, da adaptação, da transformação, da renovação... Todas as nossas escolas podem transformar-se em jardins e os professores-alunos, os educadores-educandos em jardineiros. O jardim ensina-nos ideais democráticos: conexão, escolha, responsabilidade, decisão, iniciativa, igualdade, biodiversidade, cores, classes, etnicidade e gênero.
Estamos diante do crescimento incessante e paralelo entre a miséria e a tecnologia: somos uma espécie de sucesso no campo tecnológico, porém muito malsucedida no governo do humano. Vivemos na era da informação, mas não do conhecimento e da comunicação. As tecnologias da comunicação não significam comunicação humana. Por isso, temos necessidade de uma 'esfera pública cidadã' (Jürgen Habermas), uma esfera pública de decisão não-estatal; precisamos, como diz Adela Cortina, de uma 'ética pública cívica', fundada em uma sociedade pluralista (por exemplo, respeitar respostas distintas a perguntas sobre a vida, isto é, praticar o pluralismo ético), na convivência autêntica ('viver juntos e não apenas se justapor'), na construção coletiva ('tarefa a realizar permanentemente, pois os pontos de convergência não são automáticos') e no descobrimento mútuo e no diálogo ('buscar o que temos em comum').
'Carta' significa 'mapa', um mapa para nos guiar nessa travessia conturbada. Nesse sentido, a Carta da Terra precisa ser considerada como um código de ética planetária a nos guiar hoje para um mundo onde predominem os valores da solidariedade e da sustentabilidade, um projeto, um movimento, um processo que pode transformar o risco de extermínio em oportunidade histórica, transformar o temor em esperança. Adotar e promover a prática de seus valores não pode ser apenas o compromisso de estados e nações, e sim de cada ser humano, individual, pessoal, como sujeito da história, como vem promovendo o Manifesto 2000 da Unesco. Precisamos de uma cultura de paz com justiça social para enfrentar a barbárie. Se aceitamos a barbárie, acostumamo-nos a um cotidiano de violência e de insustentabilidade.
No livro Pedagogia da Terra, defendemos a necessidade de uma Carta da Terra associada a um processo de paz, a uma cultura de paz. E, como a Carta da Terra é um documento ético, ela precisa da educação para se tornar cada vez mais conhecida. Contudo, precisamos de mudança não só na consciência das pessoas, mas também de mudanças estruturais no campo econômico, como as propostas pela Agenda 21. A Carta da Terra precisa estar associada à Agenda 21 e ter um grande suporte na sociedade civil. Os governos podem assinar tratados, podem adotar a Carta da Terra, porém não cumprirão suas promessas se a sociedade civil não estiver vigilante e não pressionar os governantes para que eles cumpram o que assumiram. O que foi socialmente construído pode ser socialmente transformado. Um outro mundo é possível. Uma outra globalização é possível. Precisamos chegar lá juntos e, sobretudo, em tempo.