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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Saber Cuidar


Leonardo Boff no livro 'Saber cuidar', discorre de forma simples e prazerosamente, acerca do Cuidado como essência humana, mais que a Razão e a Vontade.

A partir de uma fábula antiga sobre o Cuidado, ele aprofunda as suas várias dimensões na vida pessoal, social e planetária.

Boff tece uma crítica poderosa, de ângulo holiístico, ao realismo materialista - a filosofia que sustenta o cienticifismo tecnicista atual. A humanidade estaria cega à dimensão divina que a guiou desde tempos imemoriais. Este realismo materialista teria encurtado realidade ao tamanho dos 5 (cinco) sentidos, organizados pela razão analítica.

O teólogo e filósofo vai da mitologia à cosmologia e física quântica atuais, para ilustrar a necessidade e o surgimento de uma nova cnsciência alternativa ao realismo materialista: a filosofia holística. A perda de conexão com o Todo seria a falta de cuidado, falta da condição essencial humana.

Um novo paradigma (seminal) e re-ligação, re-encantamento pela natureza e da com-paixão pelos que sofrem representa o surgimento de uma ética civilizacional que nos permitirá dar um salto de qualidade de convivência e de paz.

By Tânia Barros - escritora,dramaturga, professora - Niterói-RJ.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Cotidiano

A Pedagogia a partir da vida cotidiana pode ser orientada
através do livro de Carlos Rodrigues BRANDÃO:
Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”.
Brasília/DF: Programa Nacional de Educação Ambiental/MMA, 2005. 180 p.

Resenha de Roberta Oliveira “Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”
O livro recém-lançado de autoria de Brandão, antropólogo de formação e humanitarista de paixão, autor de outras dezenas de livros, carioca de coração sertanejo, mora há décadas em Campinas – SP, onde atua como professor na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia –
UFU.
O livro faz parte das atividades do Programa Municípios Educadores Sustentáveis do
Ministério de Meio Ambiente através de sua Diretoria de Educação Ambiental, que tem
como proposta educacional contribui para uma mudança cultural no sentido do ideário
ambientalista, e que perpasse a dinâmica cotidiana do município, respeitando as
diversidades e a cultura local, através de parcerias que possam apoiar e estimular
municípios que queiram atuar nesta direção.
Na obra fica clara a importância da valorização da cultura e práticas de educação popular
aliada ao meio ambiente, resultando então, numa educação ambiental através do
testemunho de vida, aponta como um sugestivo viés no processo de empoderamento da
população, trilhando o caminho em busca de Municípios Educadores Sustentáveis.
Na obra o autor “dar o seu testemunho” de vida em cada capítulo do livro trapaceando
com as palavras e conceitos numa geopoética harmônica procurando situar, orientar e
refletir policemicamente o que fomos, somos e seremos, na qual é expressa através de
nossos sentidos, significados, sensibilidades e saberes conforme nossas vivências e
referências. Ao trapacear com as palavras, navega duma escala do local ao global e versa em uma dimensão em que uma abriga a outra ao invés de se opor a ela. Lança luz
sobre a existência e dilemas do ser humano, com um olhar novo sobre o sentimento
crescente dia-a-dia de co-responsáveis pela nossa vida e pela vida no mundo. Contribui
para bem mais do que imaginávamos, comoum repositório de idéias e estímulos para
que definitivamente as pessoas comecem a desempenhar o verdadeiro papel de cada
um de nós (você e eu) de cuidar do nosso corpo, casa, rua, bairro, cidade, enfim a nossa
casa-nave - Terra, e conseqüentemente de buscar melhoria na qualidade de nossas
vidas e da vida do mundo onde vivemos.
Neste trabalho, a obra destaca, sobretudo a socialização dos seres vivos através da
transformação da natureza ao bel prazer do ser humano. Faz uma correlação entre o
modo de vida do ser humano e as demais espécies de seres vivos, onde vivem em
harmonia com a natureza, retirando dela apenas o necessário para sua sobrevivência.
Assim, parte do princípio da teoria de pensamento sistêmico, ou seja, o ciclo da vida
onde tudo tem haver com tudo que interage e está relacionado com tudo. Destaca o
Mundo da Vida em teia-rede, que começa aqui no lugar onde eu moro, aqui no lugar
onde nós vivemos até cubrir a terra inteira.
Diligentemente, o autor aprofunda os conhecimentos sobre a proposta do Programa
Municípios Educadores Sustentáveis informando os passos do trabalho e da participação
estimulando adesão de cada município. O foco do Programa concentra-se na mudança:
mudança no modo de sentir, de pensar, de se motivar e de agir das pessoas para poucoa-
pouco se transformarem mais ativa, solidária e mais aberta aos outros e à Vida. Deste
modo, toda ênfase voltasse para a palavra “participação”: do sair da passividade do
“reclamar” e se dar ao prazer de participar, de agir, de fazer, de trocar, de partilhar. E
para isso, reunir é a palavra-chave. A interação é o ponto de partida por meio de
encontros, diálogos, acordos e parcerias.
Como assevera Marcos Sorrentino, o autor nos ensina a “dar o testemunho”. “Esta obra
nos aponta um caminho”. É uma obra não só para governantes e organizações
ambientalistas, mas para leitores, pesquisadores, educadores e interessados em
compreender e contribuir para construção e consolidação de comunidades aprendentes
até tornarem-se Municípios Educadores Sustentáveis.
Trata-se, portanto, de um formidável e sugestivo convite à leitura, reflexão e ação por
todas e todos sobre a nossa realidade e reflete sobre nossos costumes e valores
culturais tradicionais tantas vezes esquecidos na nossa forma cotidiana de conviver e
interagir a luz de uma nova época marcada pelo espírito cooperativista, solidário e
conservacionista, onde as pessoas trocam experiências e conhecimentos e assim,
mutuamente, ensinam e aprendem.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ecopedagogia e Cidadania Planetária

Resenha: Ecopedagogia e Cidadania Planetária.
Professor MS. João Beauclair

Este interessante livro trata de uma temática essencial para a educação do século XXI. Desde a sua apresentação, intitulada Cidadania Ambiental, elaborada por Alicia Bárcena, e a apresentação feita pelo eminente educador brasileiro, Moacir Gadotti, com o texto Cidadania planetária, a temática Ecopedagogia ganha destaque e exemplificação. Trata-se, entretanto, de um livro oriundo de um programa coordenado pelos autores Francisco Gutiérrez e Cruz Prado, organizado pelo PNUMA – Programa de Cidadania Ambiental Global.Oriundo de uma travessia histórica, o problema ambiental supõe o reconhecimento e a prática da planetariedade, que é percebermos o planeta terra como um ser inteligente e vivo. Isso se refere a uma mudança paradigmática onde a dimensão educativa ganha ênfase cada vez maior. No decorrer dos capítulos que compõem as diferentes partes do livro, ganha cada vez mais destaque a idéia de que somos todos parte de uma mesma Nave Mãe Terra, como sempre nos lembra Leonardo Boff. Na primeira parte deste livro, temos os referenciais teóricos que nos mostram novas perspectivas, onde seja possível superar a lógica racional, hierárquica e dominante por uma outra ordem, mais intuitiva, processual e relacional, onde a flexibilidade seja predominante e essencial. Inicia-se esta primeira parte com o capítulo 1 Novas Categorias interpretativas, trazendo reflexões sobre o paradigma emergente, que nos leva para novos modos de ver, sentir, perceber e agir, onde novos valores e comportamentos fomentem novas atitudes e novos sonhos. Um aspecto relevante aqui lançado é o de revalorizar a consciência como essencial ao processo de construção de uma nova harmonia ambiental, focalizando novas relações com o planeta terra e com valores que refletem tolerância, igualdade, biodiversidade, e promoção cultural a partir da dimensão ética do ser humano. Compreende ainda neste primeiro capítulo interessante discussão sobre ecologia sustentável e sociedade sustentável, apontando para referenciais que podem colaborar para a mudança da realidade, constituindo uma sociedade nova com a superação de moldes rígidos que constituem nossa formação. Interessantes sugestões para a reflexão pessoal e debate em grupo fazem parte do final deste capítulo. No capítulo 2 amplia-se a discussão, clareando os suportes conceituais sobre planetariedade, partindo do conceito de aldeia global proposto por Marshall McLuhan, na década de 60 do século passado ao conceito de dimensão planetária, presente nos documentos e discussões contemporâneas oriundas da ECO- 92. A formação pessoal é destacada quando os autores validam as dez características essenciais do perfil das pessoas da sociedade planetária propostas por Francisco Vio Grossi, indo além da dimensão pessoal e propondo a construção dos sujeitos coletivos, partindo da cotidianidade, da planetariedade e da capacidade de sentir e expressar a vida e a realidade tal como deve ser vivida e sentida.No terceiro capítulo, Francisco Gutierrez e Cruz Prado conseguem chamar nossa atenção para as novas práticas necessárias à participação ativa de todos, que desde a ECO- 92 até os movimentos sociais mais recentes, estão diferenciando o teor das declarações do que denominam processos de demanda, que em seu caráter educativo deve priorizar as dimensões sociais, políticas, técnicas, científicas, pedagógica e espaço-temporal, necessitam estar presentes nos diferentes programas de formação humanísticas voltados à ecologia e à discussão sobre a continuidade da vida no nosso planeta. Um outro aspecto também evidenciado neste capítulo é a essencialidade do processo que, para ser de fato educativo, deve trabalhar e inter-relacionar os seguintes elementos constitutivos: atores sociais como agentes, necessidade de sentido, relações sinérgicas, recursos e cotidianidade (tempo e lugar) e produto. Na segunda parte deste livro, intitulada Ecopedagogia, temos os capítulos 4 e 5. O capitulo 4 trata da proposta de formação em cidadania ambiental e sustentabilidade, a partir do processo pedagógico em si. Partindo das experiências em educação popular, os autores trabalham com o significado do ato de promover, compreendendo que a ecopedagogia está voltada, principalmente, à promoção da aprendizagem a partir da vida cotidiana. Neste sentido, com maestria os autores desenvolvem chaves pedagógicas à aprendizagem a partir do cotidiano, elaborando alguns indicadores de todo este processo, que podem auxiliar aos que estão envolvidos nos movimentos de ensinar e de aprender que estejam vinculados à ecopedagogia. De grande valia é atentar para os indicadores citados, que expressam questões práticas das mudanças paradigmáticas discutidas.Na terceira parte deste livro, os autores se voltam para a prática em si, iniciando o capitulo seis com interessante discussão a respeito dos espaços de aprendizagem, compreendidos em seus sentidos mais amplos: desde o espaço físico até o transcurso do tempo. É proposto aqui interessante análise de sete capacidades básicas para a construção de uma nova cultura, a cultura da sustentabilidade: resgatando a sensibilidade, a intuição e exaltando a consciência do poético, das emoções e da alegria, do amor e da satisfação. Enfim, este é um livro ímpar, para ser lido, debatido, refletido e discutido em diferentes espaços e tempos sociais onde haja a preocupação com o educar para a vida planetária. Trata-se de um belo trabalho, onde as palavras remetem ao pensar criativo e crítico da realidade, tal como ela é constituída. Sua leitura faz com que nossos pensamentos se abasteçam de novas possibilidades de ver e viver um outro mundo, mais humano e ecopedagogicamente constituído. Notas:1- GUTIÉRREZ, Francisco e PRADO, Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetária. Guia da Escola Cidadã vol. 3. São Paulo: Instituto Paulo Freire/Cortez Editora, 2000.
Joao Beauclair