Mostrando postagens com marcador Cidadania Planetária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidadania Planetária. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Estamos chegando ao Limite.

A Rosa de Hiroshima
Secos & Molhados


Maio, Junho, Julho... 06 de Agosto de 1945.

Estamos a 70 anos dos acontecimentos socioambientais que culminaram nos bombardeios que destruíram as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki, e atingiram severamente o mundo, o Planeta Terra. 
O calor, o fogo e a irradiação mataram instantaneamente pessoas e natureza, atingindo geneticamente gerações até os dias de hoje.

Em Outubro de 1961, período da Guerra Fria, os soviéticos realizaram um teste com a bomba Tzar, para mostrar seu poderio nuclear, arrasando uma ilha do Ártico, cuja onda de choque atingiu até a Finlândia. 



Qual o resultado destes atentados, e de outros mais, para a vida,
nos ecossistemas?
Energia nuclear é energia que move o UNIVERSO. Porém  estamos mexendo com algo que tem um efeito destruidor e muito maior que a nossa própria Casa. 
Um desastre na Terra envolve, também, o Universo.

Num mixto de temas - Ciência, Espiritualidade, Filosofia, Tecnologia, Ambiente Cósmico,  o documentário  DATA LIMITE aborda assuntos alusivos as preocupações aqui levantadas a partir do trabalho de Chico Xavier, cujas revelações já anunciavam uma nova era.  

SINOPSE - Especialistas em ufologia afirmam que após a explosão das bombas de Hiroshima e Nagasaki, se verificou um aumento considerável no número de avistamentos de OVNI’S (Objetos Voadores Não Identificados) em todo o mundo.

Pouco mais de duas décadas depois, o médium brasileiro Chico Xavier confidenciava aos companheiros mais próximos que, por ocasião da chegada do homem à lua em 20 de julho de 1969, acontecera uma reunião com as potências celestes de nosso sistema solar para verificar o avanço da sociedade terrena. Decidiram pois, conceder a humanidade um prazo de 50 anos para que evoluísse moralmente e convivesse em paz, sem provocar uma terceira guerra mundial.

Se assim convivesse até a Data Limite - Julho/2019, a humanidade estaria, a partir de então, pronta para entrar numa nova era de sua existência, e feitos magníficos seriam verificados por toda a parte, inclusive os nossos irmãos de outros planetas estariam autorizados expressamente à se apresentarem pública e oficialmente para os habitantes da terra.

Conheça o movimento (http://datalimite.com/) 
e assista abaixo o documentário. 
Imperdível.


Militares confirmam Data Limite
http://verdademundial.com.br/2015/04/militares-eua-confirmam-chico-xavier-e-a-data-limite/

Moramos no mesmo condomínio chamado Terra 
e temos que partilhar as responsabilidades.

Lição necessária:
 "humildade acima de tudo".


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Educação, cuidado e consciência socioambiental

O cuidado nasce com a gente. 
As experimentações que cada pessoa carrega consigo, da forma de estar no mundo, de percebe-lo, de relacionar-se, imprime as primeiras noções do cuidado. 
Ao longo do desenvolvimento pessoal, com as vivências diversas, deve ir acontecendo o despertar da consciência, as aprendizagens e escolhas positivas para a ação harmoniosa com o universo no qual estamos imersos.


 Como a sociedade está conduzindo este processo
para a convivência saudável?
Pois a responsabilidade é de cada uma de suas instâncias.



"...O conceito de cidadania planetária tem a ver com a consciência, cada vez mais necessária de que, assim como nós, este planeta, como organismo vivo, tem uma história. Nossa história faz parte dele. Não estamos no mundo; viemos do mundo. A Terra somos nós e tudo o que nela vive em harmonia dinâmica, compartilhando o mesmo espaço e o mesmo destino.

Educar para a cidadania planetária implica uma reorientação de nossa visão de mundo da educação como espaço de inserção do indivíduo não numa comunidade local, mas numa comunidade que é local e global ao mesmo tempo..."

A Casa da Cidadania Planetária (CCP) é uma instituição mantida pelo Instituto Paulo Freire (IPF) que tem como objetivo desenvolver programas, projetos e participar de fóruns de discussão e mobilização social – locais, regionais, nacionais e internacionais, tendo como principal desafio contribuir para a construção da cidadania planetária, ativa e crítica, em diferentes espaços educativos, na perspectiva de uma cultura de sustentabilidade.

...a sobrevivência do Planeta depende um processo educacional permanente voltado à formação de uma comunidade global com consciência de pertencimento e interdependência, capaz de reconhecer o que é melhor em termos individuais (pessoais) e coletivos (públicos) 
e de zelar pela sustentabilidade do ambiente em que vive.

O Fórum Mundial de Educação é um movimento pela cidadania planetária 
e pelo direito universal à educação. 
Constitui-se em um espaço de constante diálogo entre todas e todos os que, no mundo globalizado, levam adiante projetos de educação popular e de enfrentamento ao neoliberalismo, seja em esferas públicas, governamentais ou não, coletivas ou de pesquisa.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

UBUNTU...

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), contou o caso de um antropólogo que estava estudando os usos e costumes de uma tribo africana e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo então, propôs uma brincadeira para as crianças o que achou ser inofensiva. Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!" instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes. O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam: 

   
- "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"
Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"
Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...
https://sites.google.com/site/filosofiapopular/home/ubuntu

Nobel da Paz, o ex-presidente Nelson Mandela, coloca que para ser feliz é preciso viver em coletividade, em harmonia com quem está a sua volta. Ou seja, tudo de bom que você pode sentir ou desejar a uma pessoa, os africanos resumiram em apenas seis letras:Ubuntu.

A Profa. Fatima Reis: "Ter ou ser Ubuntu é lutar contra qualquer tipo de discriminação, ter cidadania ecológica, se esforçar para melhorar a vida do outro, participar da vida do outro, respeitar a opinião alheia, e não humilhar e oprimir. É ser e estar em sociedade, sendo humano e agindo e interagindo com outros seres humanos." http://www.miniweb.com.br/Historia/Artigos/i_contemporanea/africa_copa_mundial.html

Uma ética do ubuntu se pronunciaria contra essa interpretação ideológica da realidade por meio de uma filosofia nativa espiritual que está em maior consonância com a Terra, suas criaturas e suas formas vivas, e isso diz respeito a toda a humanidade em toda parte. Visto que o princípio central do ubuntu é o respeito mútuo, ele está em consonância com a epistemologia africana de modo mais geral, que é circular em sua compreensão e, consequentemente, está mais em harmonia ecológica com a Terra do que a epistemologia do racionalismo ocidental, que é linear, exploradora e insustentável. Educadora sul-africana Dalene Swanson

ESTÁ EM TEMPO DE APRENDERMOS A CONVIVER.
UBUNTU PARA TODOS NÓS!!!!!!!! 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Cidadania: Eu existo, nós existimos, e formamos esta cidade.

No dia 03/11/11 a equipe do CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social-Canoas/RS realizou reflexões para seu Projeto Político Pedagógico (PPP). O CREAS tem como objetivo fortalecer a rede social de apoio às famílias assegurando a proteção social imediata e o atendimento interdisciplinar às pessoas em situação de violação de direitos e/ou violência, visando sua integridade física, emocional e social, prevenindo o abandono e a institucionalização, contribuindo no combate a estigmas e preconceitos, fortalecendo vínculos e a capacidade de proteção da família.
 O texto desta data - UBUNTU : Eu só existo porque nós existimos, apresentado pelo Professor Rodrigo, propõe reflexões à equipe sobre um termo novo para todos: " Ter ou ser Ubuntu é lutar contra qualquer tipo de discriminação, ter cidadania ecológica, se esforçar para melhorar a vida do outro, participar da vida do outro, respeitar a opinião alheia, e não humilhar e oprimir. É ser e estar em sociedade, sendo humano e agindo e interagindo com outros seres humanos." Fonte: Fundação Cultural Palmares/Professora Fatima Reis.

O Professor Rodrigo discorre sobre a proposta Ubuntu, uma palavra de muitos significados e que expressa valores de uma cultura as quais, na nossa sociedade, precisamos rever. E, neste momento de construção coletiva de uma equipe que atende variedades de conflitos e violações, é primordial fortalecer a capacidade de entender e aceitar o outro de forma aberta, despidos de quaisquer julgamentos e de buscar pelo apoio necessário na realização de suas ações. Conhecer o UBUNTU, esta forma de ver o mundo de maneira holística e integradora, é um exercício importante para o PPP. O conceito do Ubuntu enfatiza a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisões.

As demandas e questões sociais que surgem no CREAS requerem ações e iniciativas dos profissionais que vão além das necessárias ações preventivas, educativas e assistenciais. Requer a defesa de direitos humanos na situação de violação, requer o apoio no combate às situações ilegais, a busca da justiça social para um ambiente seguro, com qualidade e dignidade. Assim, é necessário o efetivo exercício da cidadania, com envolvimento de uma rede de pessoas e instituições, com tratamento justo a todos os envolvidos, buscando  a reversão das situações, a revisão de valores e novas ações e relações, para a construção de uma sociedade melhor. 
Ações locais contribuem com a ampliação da Cidadania Planetária - as pessoas vão adquirindo a consciência da sua responsabilidade com o ambiente em que vivem, com o desenvolvimento da sociedade em que se inserem, com a necessidade de se associarem para construir um mundo melhor.

Para ler o texto utilizado pelo Professor Rodrigo acesse o link
http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3691&secao=353
UBUNTU - uma forma ética de conhecer e de ser em comunidade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011



Vivemos numa sociedade com direitos, mas ela tem se voltado para os seus deveres?
DIREITOS E DEVERES...


CIDADANIA...
...direitos humanos e deveres humanos...
...direitos e deveres trabalhistas...
...direitos e deveres do consumidor...
...direitos e deveres da família...


...


O professor Alessandro Eloy Braga (http://osnildo.wordpress.com/2008/12/17/estudar-e-um-dever-nao-um-direito/) apresenta um alerta sobre os rumos da educação, conduzida ou influenciada pelos valores em uma sociedade que apresenta grande nível de 'futilidade, hedonismo, superficialidade, amoralidade, violência, corrupção'... Os educadores em geral precisam atentar para as armadilhas na condução da educação infanto-juvenil, pois há 'necessidades sociais e pessoais básicas, que precisam ser exercidas e desempenhadas sejam elas prazerosas ou não, elas precisam ser feitas.' A vida não é um parque de diversões. O professor Alessandro coloca que 'a educação (e eu acrescento - a vida) é um processo sofrido, porque exige dedicação, comprometimento, trabalho, horas de estudo, esforço, concentração, responsabilidade, é abdicar do lazer para pensar sobre os problemas sociais e individuais, é atitude.'

E citando a Atitude é bom lembrar do direito, e do dever, do consumidor. Na sociedade da futilidade, da superficialidade, do descartável, torna-se, também, importante repensar sobre as reais necessidades de consumo: é necessário adquirir determinados produtos? é seguro para o meio ambiente natural e social? a indústria é ética com seus trabalhadores e com o consumidor? E, quando adquirimos produtos, pensamos sobre onde irá parar os resíduos de tal consumo?

O cumprimento do dever de cada um cada vez mais é necessário para acontecer o direito de todos. Nas ondas do tempo foram se consagrando os direitos civis (individuais), os direitos sociais (comunidades), e, com a globalização, deparamo-nos com os direitos universais. Neste contexto estão os cuidados com o meio ambiente, a solidariedade e a paz, o desenvolvimento sustentável, a partilha do patrimônio cultural e tecnológico.


Cidadania Planetária, direitos e deveres da geração atual e das gerações futuras.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nosso Mundo

PRECISAMOS CUIDAR DO NOSSO PLANETA!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Ecopedagogia e os Atores Sociais


A Secretaria de Cidadania e Assistência Social de Esteio/RS realizou, através do Serviço de Proteção e Atenção Integral às Famílias (PAIF), reflexão e debate sobre o meio em que vivem, proporcionando organização de um passeio e vivência na Quinta da Estância Grande na cidade de Viamão. http://www.quinta-da-estancia.com.br/
Os atores sociais se relacionam no cotidiano da família, do trabalho, da comunidade. Portanto, torna-se necessário trabalhar, também na área social, uma metodologia que promova o sentido das coisas a partir da vida cotidiana que envolve o meio social, cultural e natural.
Assim, foi trabalhado com as famílias em situação de vulnerabilidade a geografia, a história e suas relações, no social e com a natureza na cidade. Após a vivência em local que integrou ambiente social e natural todos participaram em novo encontro quando foi feita avaliação da experiência que integrou educação, ecologia e lazer.
A ecopedagogia resulta da reflexão acerca das condições ambientais, culturais e sociais, configurações institucionais e engajamentos radicais pela alteração dos aspectos que deterioram a vida.
Aloísio Ruscheinsky
Doutor em sociologia pela USP e professor do Programa de Pos-graduação em Ciências Sociais Aplicadas Unisinos.
A Ecopedagogia e os atores sociais

Ecopedagogia e Cidadania


(Eco)Pedagogia da esperança

Flávio Boleiz Júnior(1)



A atualidade tem-se mostrado caótica e, conseqüentemente, incompreensível para a maioria das pessoas. A globalização capitalista vem acentuando a dominação, exploração e manipulação social por parte dos poderosos. A xenofobia, explícita em algumas regiões do Globo e dissimulada em outras aparentemente mais democráticas, destaca-se como uma grande chaga social. O desequilíbrio econômico generalizado, gerado pelas especulações de investidores que buscam enriquecer a qualquer custo, continua a fomentar a opressão econômica de, pelo menos, dois terços da população do nosso planeta, acentuando as distâncias entre ricos e pobres, no que Gaudêncio Frigoto (1995) nomina Capitalismo Real. Guerras localizadas levam sofrimento e crueldade a vários pontos de todos os continentes, enquanto que as reações terroristas geram medo e insegurança por toda parte. O predomínio generalizado do ideal capitalista consumista gera, descontroladamente, a destruição progressiva dos bens naturais. As relações entre as pessoas e entre as nações têm gerado exclusão social das minorias, desprezo às suas culturas e aos seus ideais, necessidades e dignidade.

Tantos problemas presentes no mundo contemporâneo, no mais das vezes, impedem vislumbrar, sequer, uma ponta de luz no fim do túnel sem causar a sensação de que aquilo que se vê é, fatidicamente, um trem vindo na contramão.

Toda essa conjuntura real dificulta, em muito, a assunção de uma postura de esperança, de confiança num devir de paz e eqüidade social. O pensamento neoliberal tem conseguido, a cada dia, incutir em nossas mentalidades a desesperança no formato de um programa que se prescreve no cotidiano de nossas relações sociais, e Paulo Freire nos ensina que como programa, a desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo. (...) Pensar que a esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por tal ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo. Mas, prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão. (FREIRE, 1992, p. 10)

Tal alerta nos chama à reflexão com relação a nossas escolhas diante da profissão docente. Se acreditamos na importância do processo educativo para a transformação do mundo, não podemos admitir uma postura desesperançosa, pessimista ou fatalista.

Assumir-se como educador implica compromisso para consigo mesmo e para com os educandos. Compromisso realista, não ingênuo. O educador tem que ser uma pessoa que ame a sua condição humana e, por conseguinte, as novas gerações e, por extensão, diríamos, toda a humanidade. Por isso Hannah Arendt afirma que “a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens.” (ARENDT, 1997, p. 229)

Diante da conjuntura social contemporânea, como se exerce a função de educadores-sujeitos-amantes-da-condição-humana? Como devem ser os nossos fazeres se desejamos estar engajados na busca de uma transformação social que garanta ao presente, às novas gerações, e a toda humanidade, melhores condições de vida, de igualdade, de justiça, de inclusão e inserção social; em uma palavra, um outro mundo mais humano?

Esta não é uma reflexão nova — “moderna” ou muito menos “pós-moderna”. Trata-se de questões pertinentes a todos os tempos — já presentes nas entrelinhas dos diálogos de Sócrates, retratados por Platão, há mais de dois milênios. São questionamentos latentes em nosso momento presente, incubados em nossas consciências desde tempos imemoráveis. Talvez jamais tenha havido, em toda nossa história, uma necessidade tão grande de se encontrar respostas como na atualidade, que é fruto de tamanho domínio de opressores — que Paulo Freire nos ensinou que são aqueles que nos impedem de realizarmos nossa vocação de ser mais(2) — que vivemos sob a égide de valores de vida antropofágicos que a ideologia dominante vem disseminando de maneira hegemônica; pois as relações de poder, tal como se nos vêm apresentando, legitimam a expressão latina que sentencia nossa desumanidade: "hominus lupus homini"(3). O ser humano vem se apresentando a seu semelhante como o mais temível e terrível de todos os predadores da natureza e de sua própria espécie. Destrói a natureza, destrói as relações interpessoais, destrói a cultura das minorias, destrói, enfim, a si mesmo.

Parece lógico que necessitamos buscar formas de reverter essa situação, de inverter esses valores, de construirmos uma re-humanização da espécie humana. Levando em conta nossa condição de docentes:
  • como podemos contribuir para a valorização de paradigmas, atitudes e fazeres voltados para o estabelecimento de uma sustentabilidade mundial?
  • Como ensinar a reverência à Terra e a cada um dos entes que formam sua grande comunidade de vida?
  • Como trabalhar e ensinar uma outra maneira de relacionar-se, pautada no equilíbrio, na inserção social, na paz, no respeito indistinto e na liberdade para todos e para o todo?

Incomodados por esses pensamentos, nos vemos instados a refletir acerca de nossas próprias atitudes, de nossas práticas no cotidiano familiar, nos nossos fazeres profissionais e na nossa concepção do conceito tão desgastado — e ao mesmo tempo tão atual e necessário — que é o de cidadania. Faz parte de nossas atribuições de educadores, ensinar cidadania. Mas, nos perguntamos, que cidadania? Uma cidadania regionalista ou nacionalista? Uma cidadania que se traduza por obediência, por integração ao sistema, ao status quo? Ou nosso compromisso se estabelece com uma cidadania envolvida com o todo, com cada ser humano vivente e por viver em nosso Planeta: algo que possamos afirmar como, de fato, uma cidadania planetária? Trata-se de decidirmos se desejamos assumir uma postura de compromisso para com todos os homens e mulheres, independentemente do lugar de onde vieram e de como compreendam ser melhor viver. Trata-se, enfim, novamente, de assumirmos nosso amor pela condição de humanidade.

A Carta da Ecopedagogia4 (UNESCO, 1999) têm-se referido à Terra como um organismo vivo, que age, reage e interage em consonância com estímulos que recebe de todo seu entorno universal — estímulos que vêm de fora — e outros que recebe de sua própria superfície, como conseqüência das ações levadas a cabo por seus habitantes. Se não há muito que fazer quanto aos estímulos externos, grande é a quantidade de ações que se pode implementar, desde já, no que diz respeito aos estímulos que nós lhe temos aplicado.

Já é senso comum que, ao falar-se em sustentabilidade e preservação ambiental, remeta-se o pensamento às ações que os governos, as empresas, as organizações não governamentais; podem e devem implementar como formas de combate à poluição, à destruição e degradação do mundo. De fato essas ações são importantes e necessárias, mas são muito pouco se desejamos construir um mundo diferente — como diz o lema do Fórum Social Mundial: um outro mundo.

Uma tomada consciente de postura diante da vida deve permear todas as ações de nosso dia-a-dia, desde as mais simples até as mais complexas. Ações que vão do banho mais rápido como forma de preservação de água e energia, até o engajamento em projetos de luta pela igualdade e a inclusão social das minorias de nossa sociedade próxima ou global. Engajamento que se não ocorre, esvazia a pressão para com a execução de ações por parte dos governos, empresas, organizações não governamentais; por deixarem de exprimir prioridade dentre os interesses da sociedade civil organizada.

A Carta da Ecopedagogia nos auxilia na reflexão a respeito de nossos fazeres, de nosso agir pessoal cotidiano em todos os lugares onde se desenrola nossa vida, ao alertar-nos para o fato de que as experiências cotidianas aparentemente insignificantes, como uma corrente de ar, um sopro de respiração, a água da manhã na face, fundamentam as relações consigo mesmo e com o mundo. A tomada de consciência dessa realidade é profundamente formadora. O meio ambiente forma tanto quanto ele é formado ou deformado. Precisamos de uma ecoformação para recuperarmos a consciência dessas experiências cotidianas. Na ânsia de dominar o mundo, elas correm o risco de desaparecer do nosso campo de consciência, se a relação que nos liga a ele for apenas uma relação de uso. (UNESCO, 1999, item 8)

Para o educador e a educadora a formação de cidadãos planetários deveria se constituir numa preocupação meio que naturalizada, a partir de sua conscientização. Em cada atividade da sala de aula ou de qualquer espaço educativo, se o que se deseja lograr é um devir harmonioso para toda a humanidade, o educador ou educadora não pode agir em contradição com seu respeito para com toda a humanidade e sua certeza na possibilidade de transformação do mundo. É preciso que cada educador ou educadora ofereça uma formação a seus alunos e alunas que transcenda a teoria — seu discurso do professor — e se materialize nos seus próprios exemplos de vida diante dos educandos.

Historicamente o modo de produção hegemônico vem doutrinando os homens de modo a buscarem defender os bens da família e da pátria como virtude primordial no exercício da cidadania. Uma visão planetária, por parte do educador ou educadora, deveria apresentar aos educandos e educandas a Terra como pátria e a humanidade toda como grande família global com interesses comuns. Uma família formada por membros distantes, mas igualmente importantes, apesar das diferenças e peculiaridades de cada povo, de cada comunidade, da enorme diversidade enriquece nossa condição humana e, em liberdade, nos oferece infindáveis possibilidades diante de nossa natural vocação de ser mais...

Se o trabalho do educador estiver pautado na compreensão desse interesse universal, sem perder de vista o meio local onde está inserido, já estar-se-á iniciando o trabalho de libertação dos oprimidos do mundo. Trabalho fundamentado naquela Pedagogia comprometida com a esperança de um mundo melhor. Trabalho afinado com o que Paulo Freire chama de “Inédito Viável” (FREIRE, 1992, p. 5). Trabalho que se traduz numa Pedagogia preocupada com o equilíbrio do homem no ambiente onde vive, com seu semelhante, com a Terra — a casa de todos nós — e todas as espécies que a habitam; uma Pedagogia comprometida com o que Leonardo Boff (1995) chama de “bem estar sóciocósmico”. Uma Pedagogia da Sustentabilidade ou, no dizer de Gutiérrez e Prado, uma Ecopedagogia (GUTIÉRREZ e PRADO, 1999).

Filosoficamente comprometida com todas as causas sociais que buscam a igualdade eeqüidade humanas no planeta como um todo inteligente, a Ecopedagogia oferece ao homem a possibilidade de uma mudança radical de mentalidade, em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente.

Na Carta da Ecopedagogia, lemos:

A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes. (UNESCO, 1999, item 4)

Mais que simplesmente levantar questões sobre o grande tema da sustentabilidade, precisamos levar a cabo reflexões que norteiem, didática e pedagogicamente, o trabalho de todos os educadores e educadoras e de todos os homens e mulheres identificados com esses ideais, em busca da "formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações". (UNESCO, 1999, item 6)

Se a escola é, legitimamente, a “instituição social responsável pela continuidade da socialização das novas gerações e pela produção e reprodução dos saberes necessários a esse processo socializador” (MADEIRA, 1999, p.55), em seu seio devem-se sedimentar as bases de um conhecimento comprometido com a qualidade de vida dos sujeitos sociais, pautadas na convivência harmoniosa de toda a diversidade que compõe aquilo a que estamos nos referindo como cidadania planetária.

O conceito de cidadania em si, deriva de outro conceito importante para sua própria apreensão, que é o de “civitas” — em latim, cidade — que no mundo romano corresponde à polis, Cidade-Estado dos gregos. O conceito de cidadania, pois, encontra sua idéia-força no que diz respeito à liberdade — real ou ilusória — de que dispunha o homem livre, habitante da cidade, em comparação com o escravo. Pensando a relação entre cidadania e cidade (cidade-estado), os gregos antigos tinham muito clara a importância de uma convivência coletiva, pautada na harmonia como garantia de sua própria sobrevivência. Sabiam a polis como lugar onde sua liberdade e seus direitos eram reconhecidos e respeitados. Os deveres e direitos eram amplamente discutidos e o senso de democracia pairava acima de todas as questões individuais.

O ideal a que aludimos ao falarmos de uma cidadania planetária vai ao encontro dessa vivência plena da condição de sujeitos sociais. A civitas-polis, aqui, é o planeta como um todo — que os gregos chamavam de “Gaia” grande deusa criadora e mantenedora da vida, anterior, mesmo, a Zeus, o deus dos deuses. A aplicação universalista que desejamos atribuir a esse conceito de cidadania planetária, busca a igualdade entre todos os homens e não aceita que apenas alguns sejam cidadãos. Todos são naturais da grande civitas/polis Terra, portanto filhos da mesma mãe Gaia constituindo a grande família humana, e são inaceitáveis a escravidão e a subserviência em qualquer circunstância, ainda que o pensamento hegemônico, tantas vezes, nos tente reduzir a identidades que nos fazem viver como se fossemos, ainda, escravos ou habitantes das glebas feudais — servos sem direitos de cidadania.

Não é objetivo da Ecopedagogia massificar e mundializar uma determinada cultura, um determinado molde onde todos devam se encaixar para viver. Antes pretende oferecer subsídios para ações educativas que respeitem a cultura local ao mesmo tempo em que não excluam, enquanto valor, a cultura de todos aqueles que sejam diferentes. Subsídios que valorizem o respeito, a tolerância e a harmonia com o diverso. A sustentabilidade da vida no planeta clama por atitudes dessa monta: atitudes militantes na defesa da inclusão social de todos e todas e nas lutas contra a exclusão.

Trabalhando conscientes de que é possível semear, na atividade educativa, a construção de uma nova ordem mundial, aprendendo e apreendendo uma visão planetária de vida e de mundo, assumindo para a própria vida uma filosofia holística e mundializadora da cidadania; estaremos implementando uma base ética no desempenho das funções docentes que se dêem em consonância com a Ecopedagogia.

A boa-vontade, como condição de humanidade diante da lida com os conflitos, a vontade de prosseguir vivendo harmonicamente, apesar de toda e qualquer diferença, buscando a convergência dos interesses de todos, é o caminho a trilhar que nos enche, hoje e sempre, de esperança. Por isso uma Ecopedagogia é, acima de tudo, uma (Eco)Pedagogia da Esperança.

Referências Bibliográficas

ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro. São Paulo: Perspectiva, 1997.

BOFF, Leonardo. Ecologia – Grito da Terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1995.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança – Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 32. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2002.

FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e a crise do capitalismo real. São Paulo: Cortez, 1995.

GUTIÉRREZ, Francisco e PRADO, Cruz., Ecopedagogia e Cidadania Planetária. São

Paulo: Cortez, 1999

UNESCO, Carta da Ecopedagogia, 1999, http://www.paulofreire.org.

1 Mestrando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Professor Universitário e Educador do Movimento pela Ecopedagogia.

2 Paulo Freire nos diz: “A desumanização, que não se verifica apenas no que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais.” (FREIRE, 2002, p. 30)

3 O homem é o lobo do homem.

4 A “Carta da Ecopedagogia” também é chamada de “Carta da Terra na Perspectiva da Educação”. Foi escrita coletivamente pelos participantes do Primeiro Encontro Internacional “A Carta da Terra na Perspectiva da Educação”, em São Paulo – SP, Brasil, de 23 a 26 de agosto de 1999; organizado pelo Instituto Paulo Freire com apoio do Conselho da Terra e da UNESCO-Brasil.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ecologia Humana

A Ecopedagogia contribui para a formação do jovem, na perspectiva de cidadão e cidadã planetários, voltado não só para a ecologia necessária ao cultivo da terra, mas a ecologia humana em termos de equilíbrio de seus saberes, fazeres, seus conhecimentos e emoções. O jovem como um sujeito capaz de saber de si e saber sobre o mundo manifesta-se como sujeito que percebe, compreende, imagina, reflete, pensa e expressa. Neste entendimento de si e do mundo, de forma mais abrangente, volta seu estudo para a dimensão das competências e habilidades exigidas neste milênio em termos prospectivos, considerando, em especial as novas tecnologias que este dispõe para a construção da sua identidade pessoal/social.

Vídeo construído pela jovem Fernanda Luchina, que demostra sensibilidade (aliada ao conhecimento tecnológico) para com as questões ambientais, relacionando seu cotidiano com mensagens musicais e imagens, indo ao encontro do conceito de Ecopegagogia como a Pedagogia do 'CUIDAR'.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Cidadania Planetária



estudos apresentados por Bianca, Ivone, Zeno, Camila


EDUCAR PARA A CIDADANIA PLANETÁRIA
- EIS UM DOS DESAFIOS DA ECOPEDAGOGIA.

Cidadania planetária é uma expressão que abarca um conjunto de princípios, valores e atitudes que demonstra uma nova percepção da Terra como uma única comunidade. É preciso que se trabalhe pedagogicamente a partir da vida, do dia a dia, do cotidiano, a partir das necessidades e interesses das pessoas. É nesse sentido que a Ecopedagogia é a pedagogia que promove a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana. É uma pedagogia democrática e solidária, porque, encontramos nela, sentido ao caminhar, e não apenas observando o caminho. Toda e qualquer atividade que ajude o educando a perceber sua relação com o mundo que o cerca, que o auxilie a viver em harmonia com a Natureza, que desperte sua conciência para a necessidar do CUIDAR em qualquer instância de sua vida, estará desenvolvendo a Cidadania Planetária. Enquanto o ser humano não for capaz de cuidar de cada metro cúbico de onde vive, não poderá participar com êxito da preservação da vida e do meio ambiente. "A Carta da Terra precisa estar associada à Agenda 21 e ter um grande suporte na sociedade civil. Os governos podem assinar tratados, podem adotar a Carta da Terra, porém não cumprirão suas promessas se a sociedade civil não estiver vigilante e não pressionar os governantes para que eles cumpram o que assumiram. O que foi socialmente construído pode ser socialmente transformado. Precisamos chegar lá juntos e, sobretudo, em tempo." Moacir Gadotti

O Professor Celso Marques trouxe um exemplo de como exercer a cidadania planetária, a partir de nosso cotidiano, expresso no cuidado do sentinela do pampa com o seu meio.

"Temos na paisagem do Pampa riograndense um pássaro chamado quero-quero, que é considerado a sentinela do Pampa. O quero-quero, diferentemente de outras aves, faz os seus ninhos no chão, vivendo a maior parte do tempo em contato com a terra e apegado ao lugar onde vive. A este lugar em que o quero-quero, outros bichos e o próprio ser humano costumam ficar, no linguajar gaúcho nós chamamos de "querência". Em português esta palavra se reporta ao verbo querer. A querência é um lugar que tem uma vontade, um querer originário, conforme a própria etimologia da palavra indica. Mas não é um querer isolado e separado do querer humano, dos animais e das plantas que ali vivem. O querer da querência requer o querer de tudo o que ali vive, de tudo o que pertence ao lugar, inclusive a paisagem. Ser apegado a um determinado lugar é ser aquerenciado. O processo de se apegar a um lugar se expressa com o verbo "aquerenciar". Ser aquerenciado significa também estar de bem com a vida, estar na posse da plenitude do sentido da vida. Na sabedoria camponesa aqui do sul do Brasil, da Argentina e do Uruguai, do gaúcho, a felicidade é o próprio sentido de pertencer a um lugar. A querência é a intimidade com a natureza e com as coisas do local em que se vive. É ser parte das histórias das pessoas, dos animais e das plantas de um lugar. É ter a própria identidade pessoal, a própria história individual, inseparável de toda a teia destas histórias. É estar em casa no mundo. Por outro lado a pessoa que é infeliz, que não encontrou o seu lugar no mundo, que está de mal com a vida, é "desaquerenciada". A pessoa desaquerenciada não tem paradeiro fixo, vive inquieta, sempre a procura de um outro lugar, insatisfeita, angustiada, no estado de carência, de falta. Na perspectiva da sabedoria gaúcha, o problema ecológico é a humanidade estar desaquerenciada da Mãe Terra, da Pachamama, de Gaia, a suprema morada do homem. O Fórum Social Mundial é a uma tentativa planetária de aquerenciar a humanidade na Terra. Mas para que isso aconteça, cada ser humano deve ser alerta e vigilante como o quero-quero, deve exercer a sua condição de cidadania planetária defendendo a Terra e a Humanidade em cada local onde vive. Cada cidadão do mundo pode se inspirar no exemplo da sentinela do Pampa: ao pressentir a aproximação de um perigo, o quero-quero dá o alarme, começa a gritar o canto que deu origem ao seu nome e a fazer investidas contra o intruso através de vôos rasantes. "

Trabalhos da Conferência de Fritjof Capra, Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, no sábado, 25 de janeiro de 2003.