quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fraternidade e Cuidado

Fraternidade, ligado ao fraterno, à irmandade, pressupõe cooperação, solidariedade e CUIDADO com o sofrimento, a precariedade, o desamparo, a fragilidade, que produz o mal estar na sociedade.
Atualmente vem se abordando muito o tema sustentabilidade, numa sociedade onde fortemente surge a busca pela ostentação, pelo belo padrão, pelo prazer, pela facilidade do descartável, da tecnologia, da artificialidade, do consumismo, fortalecendo a intolerância sobre aquilo que não combina com a chamada pós-modernidade.

Eis que, em meio a esta onda, se mantém a análise crítica e a confiança no espírito mútuo de colaboração para o enfrentamento do mal estar gerado e para o não estabelecimento do caos.

Assim a sustentabilidade não se volta somente para o cuidado com as questões da natureza do planeta, mas, também, e principalmente, para as relações socioambientais que provocam as problemáticas atuais.
Góis (2012) coloca que: “Cuidar da educação é cuidar da germinação humana, é cuidar do amor. Não é um caminho fácil, é preciso sentir o coração da natureza e perceber a profunda e sutil realidade do desdobramento do mundo em diversidade, conexão, complexidade, autocriação e transcendência...”

É preciso educar para a convivência de paz e solidariedade, para estabelecimento de relações éticas e fraternas, é preciso “ensinar a compreensão entre as pessoas como condição e garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade (Morin, 2000).


Neste sentido a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) vem coordenando a Campanha da Fraternidade que busca renovar, anualmente, consciências e responsabilidades sobre temas sociais relevantes, e de importante reflexão para ação de todos.

Campanha da Fraternidade 2015
Tema:“Fraternidade: Igreja e Sociedade” 

Lema: “Eu vim para servir”

Objetivo Geral: Aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade,...
Objetivo Específico 04. Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas.
Específico 05 - Buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de Cristo de levar a Boa Nova a cada pessoa, família e sociedade.
Parte do Hino: ...As chagas do ódio e da intolerância se curam com o óleo do amor-compaixão...
 Para ver mais visite a Fonte: 

Com o objetivo de informar e sensibilizar para a solidariedade a Campanha vem abordando a cada ano problemáticas da sociedade brasileira, propondo e promovendo ações, na busca da melhoria e transformação.
ANO
TEMA
LEMA
1964
Igreja em Renovação
Lembre-se: Você também é Igreja
1965
Paróquia em Renovação
Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor
1966
Fraternidade
Somos responsáveis uns pelos outros
1967
Co-responsabilidade
Somos todos iguais, somos todos irmãos
1968
Doação
Crer com as mãos!
1969
Descoberta
Para o outro, o próximo é você
1970
Participação
Ser Cristão é Participar
1971
Reconciliação
Reconciliar
1972
Serviço e Vocação
Descubra a felicidade de servir
1973
Fraternidade e libertação
O egoísmo escraviza, o amor liberta
1974
Reconstruir a casa
Onde está teu irmão?
1975
Fraternidade é repartir
Repartir o Pão
1976
Fraternidade e Comunidade
Caminhar juntos
1977
Fraternidade na Família
Comece em sua casa
1978
Fraternidade no mundo do trabalho
Trabalho e justiça para todos
1979
Por um mundo mais humano
Preserve o que é de todos
1980
Fraternidade no mundo das Migrações, Exigência da Eucaristia
Para onde vais?
1981
Saúde e Fraternidade
Saúde para todos
1982
Educação e Fraternidade
A verdade vos libertará
1983
Fraternidade e Violência
Fraternidade sim, violência não
1984
Fraternidade e Vida
Para que todos tenham vida
1985
Fraternidade e Fome
Pão para quem tem fome
1986
Fraternidade e Terra
Terra de Deus, Terra de irmãos
1987
Fraternidade e o Menor
Quem acolhe o menor, a mim acolhe
1988
Fraternidade e o Negro
Ouvi o clamor deste povo!
1989
Fraternidade e a Comunicação
Comunicação para a verdade e a paz
1990
Fraternidade e a Mulher
Mulher e Homem: Imagem de Deus
1991
A Fraternidade e o Mundo do Trabalho
Solidários na dignidade do Trabalho
1992
Fraternidade e Juventude
Juventude - caminho aberto
1993
Fraternidade e Moradia
Onde moras?
1994
Educação e a Família
A Família, como vai?
1995
A Fraternidade e os Excluídos
Eras tu, Senhor?!
1996
Fraternidade e Política
Justiça e Paz se abraçarão
1997
A Fraternidade e os Encarcerados
Cristo liberta de todas as prisões
1998
Fraternidade e Educação
A Serviço da Vida e da Esperança
1999
Fraternidade e os desempregados
Sem trabalho...Por quê?
2000
Dignidade Humana e Paz (ecumênica)
Novo Milênio sem Exclusões
2001
Fraternidade e as Drogas
Vida sim, Drogas não
2002
Fraternidade e Povos Indígenas
Por uma terra sem males
2003
Fraternidade e Pessoas Idosas
Vida, Dignidade e Esperança
2004
Fraternidade e Água
Água, fonte de Vida
2005
Solidariedade e Paz (ecumênica)
Felizes os que promovem a Paz
2006
Levanta-te, vem para o meio!
2007
Vida e Missão neste chão
2008
Escolhe, pois, a Vida
2009
A Paz é fruto da Justiça
2010
Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro
2011
A criação geme em dores de parto4
2012
Que a saúde se difunda sobre a terra!5
2013
Eis-me aqui, envia-me!
2014
É para a liberdade que Cristo nos libertou
2015
Fraternidade: Igreja e Sociedade

Eu vim para servir
                                      http://campanhas.cnbb.org.br/campanha/fraternidade2015
imagens retiradas da internet

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cuidado com as Nascentes



O Brasil tem um longo caminho a percorrer quando o assunto é a preservação das nascentes. 
Embora não existam números oficiais, a maioria está abandonada. 
Nos últimos anos, iniciativas isoladas ou de governo tentam convencer a população a cuidar dos espaços que, por lei, são Áreas de Preservação Permanente. 
Quem entrou nesta luta, hoje comemora os resultados.


- CARTILHA - 

PRESERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO DAS NASCENTES
Elaboração Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA)




segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ecopedagogia e Umbanda

Livro da umbanda lançado em 2014 
reserva capítulo sobre ecopedagogia.

 Apresentação
Desde quando iniciei minhas pesquisas dentro da temática “religiões de matrizes africanas”, venho percebendo que existe por parte de muitos dirigentes e demais adeptos uma grande preocupação com o futuro desse importante segmento afro-religioso. Preocupação voltada principalmente com a manutenção do legado deixado por aqueles que, no século passado, fizeram eclodir a Umbanda em nosso país.
Mas, ao longo desses quase 20 anos pesquisando principalmente a Umbanda, tem me inquietado o fato de não perceber de forma mais efetiva a preocupação com as questões que envolvem: a falta de uma maior aproximação e diálogo entre os diversos segmentos afro-religiosos; a pouca integração entre os Terreiros umbandistas e principalmente a falta de maior comprometimento por parte de muitos umbandistas com as questões ambientais.
Por conta disso, resolvi escrever essa obra, compartilhando com os adeptos ou não da Umbanda alguns temas que considero relevantes e necessários para um diálogo aberto e atual. Temas que Umbanda e Meio Ambiente envolvem, além das questões ambientais, outras discussões relacionadas aos novos paradigmas e às mudanças de postura diante dos 
desafios que surgem com o terceiro milênio. E afirmo com bastante otimismo que, se todos os umbandistas chegarem a um diálogo fraterno, respeitoso e principalmente ético, estará de fato se consolidando a intenção primordial do Caboclo das Sete Encruzilhadas, que em suas palavras profetizava a superação do ser humano, vencendo o obstáculo do ego, da intolerância e principalmente a erradicação das amálgamas que nos afastam da fé, do amor e da verdadeira irmandade entre os pares.
Partindo dessa premissa, o livro foi contemplado com três capítulos: 

  • o primeiro: O Meio Ambiente, em que são tratados assuntos pertinentes às questões mundiais que envolvem discussões, encontros e convenções realizadas, principalmente nas décadas finais do século XX, e que alertam os seres humanos para a necessidade urgente de se repensar o papel da atual sociedade de consumo e todas as implicações decorrentes do uso insustentável dos recursos naturais; 
  • o segundo: Os Orixás e a Natureza, em que são abordados de forma objetiva, mas não menos importantes, alguns aspectos voltados aos Deuses Orixás Africanos e suas manifestações dentro do rito candomblecista e principalmente umbandista, mostrando, além do arquétipo de cada divindade, a relação estreita entre esses e os elementos da natureza; 
  • o terceiro: A Umbanda e os Novos Paradigmas, parte em que são apresentadas as propostas de ações afirmativas, direcionadas principalmente aos umbandistas e demais adeptos das religiões de matrizes africanas. E, objetivando uma visão mais cosmológica, um olhar não apenas contemplativo, considerando a importância e seriedade dos temas, a obra é finalizada com a frase emblemática do Caboclo Mirim que diz:“A Umbanda é coisa séria, para gente séria!”

Boa leitura e um Forte Axé!
Giovani Martins
http://www.iconeeditora.com.br/pdf/728286567Umbanda_Meio_Ambiente.pdf
Sumário
 Prefácio, 13
 Apresentação, 15
1. O MEIO AMBIENTE, 17
1.1. Questões Ambientais, 19
1.2. Protocolo de Kyoto, 23
1.3. Século XXI e Sustentabilidade, 24
1.4. As Religiões Afro-Brasileiras e o Meio Ambiente, 27
2. OS ORIXÁS E A NATUREZA, 35
2.1. Mitologia Africana dos Orixás, 37
2.2. Sincretismo na Umbanda, 44
2.3. Oferendas e Comidas de Santo, 48
2.4. As Ervas Sagradas na Umbanda, 57
3. A UMBANDA E OS NOVOS PARADIGMAS, 67
3.1. Mudanças na Prática Umbandista, 69
3.2. Umbanda e Sustentabilidade, 71
3.3. Sacrifícios de Animais na Umbanda, 76
3.4. Cursos: à Distância e Presenciais, 81
3.5. Ecopedagogia, 90
Umbanda e Meio Ambiente MIOLO.indd 11 19/08/2013 10:12:4612
 Considerações Finais, 95
 ANEXO 1. Ações Sustentáveis para Todos, 99
 ANEXO 2. Manifesto da Terra-Mãe, 109
 ANEXO 3. Carta da Terra, 117
 Referências Bibliográficas, 131
O Autor, 135

domingo, 13 de julho de 2014

Ecologia Humana

Qual é o escopo, ou, a que ciência pertence a ecologia humana? 
Várias ciências reivindicam propriedade sobre a ecologia humana. A biologia, com o estudo das cadeias tróficas e o ser humano, por exemplo, a geografia humana, com as dispersões populacionais e os estudos migratórios, a sociologia, através da pesquisa social-metabólica das comunidades humanas, a antropologia, com os estudos adaptativos-culturais da raça humana e a psicologia, através das pesquisas que relacionam o meio-ambiente e o comportamento humano. De fato a ecologia humana é uma ciência transdisciplinar, que toca todos esses campos e exige, para uma pesquisa séria, uma cuidadosa escolha do objeto de estudo e a escolha da, ou das, metodologias e disciplinas envolvidas na pesquisa. Sem dúvida, a ecologia humana é uma ciência nova, que tem ainda, como uma caixa de pandora, muito a dar para evolução da ciência humana, contribuindo com as bases teóricas do desenvolvimento sustentável e apontando limites e perspectivas que o homem precisa ter no seu processo evolutivo no planeta Terra. 
(Grifo nosso).

O cuidado está intrínsico na questão do apontar limites e perspectivas no processo evolutivo. O cuidado na sociedade, tendo como objeto de estudo sua diversidade e condicionantes, as relações,  como e quem se adapta, ou não, às inovações, os mecanismos de adaptação dos sujeitos, e, consequentemente, o desenvolvimento psicossocial, deve ser de atenção de todas as áreas das ciências.

Importante objeto de estudo atual são as redes sociais.
Como interferem no saudável desenvolvimento das relações humanas?

Que resultantes ocorrem no desenvolvimento do indivíduo, considerando sua formação contínua, cujo processo interno  é retroalimentado conforme inovações na relação com o mundo?

Projeto Caminhos do Cuidado


Fevereiro de 2014 no Canal Saúde da Fundação Oswaldo Cruz sobre o projeto Caminhos do Cuidado.

Projeto Caminhos do Cuidado vai capacitar trabalhadores em saúde de todo o país no atendimento aos usuários de crack e outras drogas

Projeto que envolve  as instituições Fiocruz (RJ), através do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (ICICT), o Grupo Hospitalar Conceição (RS) e a Rede de Escolas Técnicas do SUS, o Ministério da Saúde vai oferecer, em 2013 e 2014, cursos de formação para a totalidade dos agentes comunitários de saúde distribuídos por todos os estados e regiões do país.
Além desse público de agentes comunitários, o projeto vai abranger ainda um auxiliar ou técnico de enfermagem por cada equipe de saúde da família, perfazendo um total de 290.760 trabalhadores em saúde, que estarão recebendo informações sobre os melhores procedimentos e as práticas mais eficientes para o atendimento aos usuários de drogas, visando sempre a redução de danos.
O Projeto “Caminhos do Cuidado” se configura na ‘Formação de agentes comunitários de saúde, auxiliares e técnicos de enfermagem da saúde da família – saúde mental ênfase em crack, álcool e outras drogas’ visando melhorar a atenção ao usuário e seus familiares, por meio da formação e qualificação dos profissionais da Rede de Atenção Básica à Saúde.
Esta ação se insere no eixo do Cuidado do plano integrado de combate às drogas ‘Crack, é Possível Vencer’, sob responsabilidade do Ministério da Saúde e articulado pela Casa Civil.”


...A formação em saúde mental, álcool, crack e outras drogas oferecida pelo projeto Caminhos do Cuidado vai possibilitar que você, agente comunitário de saúde e auxiliar e técnico em enfermagem, ator da Atenção Básica, possa trabalhar em conjunto com a Saúde Mental, visando melhorar a atenção às pessoas que fazem uso prejudicial de drogas e seus familiares. Esse acolhimento e cuidado ao usuário de forma integral pressupõe um novo olhar sem preconceitos e sem exclusão de qualquer natureza.
O curso aqui oferecido tem como base a política do Ministério da Saúde de Atenção Integral e o cuidado com as pessoas que fazem o uso prejudicial de drogas, norteado pela Redução de Danos (RD) aos usuários. A carga horária para os alunos será de 60 horas, sendo 2/3 do tempo gastos em horas presenciais e 1/3 em observações de campo.
Essa formação em saúde mental inova pelo dinamismo e mudança de modelos. O projeto trabalha com a quebra da lógica do “especialismo” no cuidado em saúde mental, propondo a convergência da atenção envolvendo diversas áreas e setores e promove ainda a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) em seus propósitos, já que os profissionais da Atenção Básica passam a dispor de ferramentas para o acolhimento dos usuários e se tornam multiplicadores dessa linha de cuidado....

Apresentação Técnica:





Em 23 de outubro de 2013, o projeto Caminhos do Cuidado foi lançado, oficialmente, em cerimônias simultâneas, nos estados pilotos do Acre, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Distrito Federal. Na ocasião, os Agentes Comunitários tiveram sua aula magna com uma palestra de um técnico do Ministério da Saúde...
A primeira etapa do projeto iniciou-se em outubro de 2013. Membros da coordenação do projeto Caminhos do Cuidado (executiva, planejamento, infra-estrutura, grupo condutor, macrorregiões, acadêmica, pedagógica e comunicação social) se reuniram em uma oficina de trabalho, onde foram discutidos pontos na estrutura organizacional e o cronograma de datas para a elaboração dos trabalhos por área.
Na ocasião foi definido que as oficinas de capacitação para orientadores seriam realizadas nos seis estados prioritários: Acre, São Paulo, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Para alcançar a meta de formação 290.197 Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (ATENFs) será necessário formar 80 orientadores e 1.200 tutores de aprendizagem.
A formação do Caminhos do Cuidado dirigida aos ACSs e ATENFs contemplará 114.532 alunos na Região Nordeste, 86.998 na Região Sudeste, 35.570 alunos na Região Sul, 32.440 alunos na Região Norte e 20.657 na Região Centro-Oeste.