terça-feira, 10 de maio de 2011
Ecopedagogia e a Água
http://www.cetrans.com.br/artigos/Vera_Lessa_Catalao_e_Maria_do_Socorro_Rodrigues.pdf
http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001590/159041por.pdf
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Meio, metade e inteiro...
Meio metade inteira
Cansei de coisas pelo meio
quero agora tudo por inteiro.
Cansei de meia palavra,
meio sonho,
meio começo.
Cansei de meio pecado,
meio arrependimento,
meio inteiro.
Cansei de ser meio amada,
meio gente boa,
meio inteligente.
Cansei de meio amor,
meio interesse,
meia noite.
Cansei de coisas que vem
e vão parcialmente.
Cansei de estar meio afim,
meio por fora,
meio cansada,
meio com fome.
Cansei dessas parcelas.
Cansei desse meio caso de amor,
cansei desse meio amigo,
cansei dessa meia idade.
Cansei das coisas que acontecem pelo meio,
e cansei de ser metade.
Que as coisas aconteçam por inteiro,
para que sejam coisas de verdade.
Não mais me contento com os meios,
quero agora tudo por inteiro.
Laura Santos
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
DIREITOS E DEVERES...
...direitos humanos e deveres humanos...
...direitos e deveres trabalhistas...
...direitos e deveres do consumidor...
...direitos e deveres da família...
O professor Alessandro Eloy Braga (http://osnildo.wordpress.com/2008/12/17/estudar-e-um-dever-nao-um-direito/) apresenta um alerta sobre os rumos da educação, conduzida ou influenciada pelos valores em uma sociedade que apresenta grande nível de 'futilidade, hedonismo, superficialidade, amoralidade, violência, corrupção'... Os educadores em geral precisam atentar para as armadilhas na condução da educação infanto-juvenil, pois há 'necessidades sociais e pessoais básicas, que precisam ser exercidas e desempenhadas sejam elas prazerosas ou não, elas precisam ser feitas.' A vida não é um parque de diversões. O professor Alessandro coloca que 'a educação (e eu acrescento - a vida) é um processo sofrido, porque exige dedicação, comprometimento, trabalho, horas de estudo, esforço, concentração, responsabilidade, é abdicar do lazer para pensar sobre os problemas sociais e individuais, é atitude.'
E citando a Atitude é bom lembrar do direito, e do dever, do consumidor. Na sociedade da futilidade, da superficialidade, do descartável, torna-se, também, importante repensar sobre as reais necessidades de consumo: é necessário adquirir determinados produtos? é seguro para o meio ambiente natural e social? a indústria é ética com seus trabalhadores e com o consumidor? E, quando adquirimos produtos, pensamos sobre onde irá parar os resíduos de tal consumo?
O cumprimento do dever de cada um cada vez mais é necessário para acontecer o direito de todos. Nas ondas do tempo foram se consagrando os direitos civis (individuais), os direitos sociais (comunidades), e, com a globalização, deparamo-nos com os direitos universais. Neste contexto estão os cuidados com o meio ambiente, a solidariedade e a paz, o desenvolvimento sustentável, a partilha do patrimônio cultural e tecnológico.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Consumo na visão ecopedagógica
Para ver mais: Consumo e Ecopedagogia - Flávio Boleiz Júnior
http://www.forumeducacao.hpg.ig.com.br/ecopedagogia/conscot.htm
http://vidasustentavel.wordpress.com/2007/01/CAÍ NO MUNDO E NÃO SEI COMO VOLTAR
Eduardo Galeano - Jornalista e escritor uruguaio
O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…
Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!
Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.
O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.
Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!
É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.
Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?
Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.
Quem tem menos de 30 aos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!
Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.
E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher, a mesma e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.
Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...
Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.
Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette – até partidas ao meio – se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.
Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.
Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".
As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.
Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem ‘matá-los’ tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!
E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: ‘Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora’, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.
E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objectos com pessoas.
Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.
Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à ‘bruxa’, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a ‘bruxa’ me ganhe a mão e seja eu o entregue...
Presenteando a uma das Mãe Natureza

O vídeo da TVE, abaixo, apresenta o encerramento dos trabalhos da comunidade religiosa em prol ao meio ambiente.
http://www.youtube.com/watch?v=sjwlSDJujuU
Em razão de seus poderes natos, Iemanjá é a divindade que exerce domínio sobre todas as águas. Nos rituais brasileiros ela aparece com vários nomes entre os quais se destacam Mãe D’Água, Sereia, Iara, Rainha do Mar e Janaína. Por outro, ao ter dado origem a tantos outros poderosos orixás, Iemanjá também tem a sua figura ligada ao signo da maternidade. Sua natureza fértil acaba influenciando na construção de uma imagem em que as medidas do corpo são alargadas para que se reforce a capacidade de gerar a vida dentro de si. Assumindo o sentido materno, ela também é reverenciada como uma importante divindade para aqueles que buscam consolo e proteção para enfrentar os problemas da vida presente.
Em terras brasileiras, o culto em homenagem à Iemanjá acabou se aproximando das várias homenagens dedicadas a Nossa Senhora. Na famosa festa de Iemanjá, celebrada no segundo dia de fevereiro, os devotos desse poderoso orixá depositam peixes, arroz, mel, rosas e palmas brancas no mar. Sendo bastante popular, os louvores dirigidos para Iemanjá são também realizados por pessoas de diferentes religiões ou que apenas prestigiam o sentido de renovação e proteção ligado à sua imagem.
As crenças populares tem devoção a Mãe Terra e a Mãe de todas Águas.
domingo, 23 de janeiro de 2011
Projetos da Religiosidade pela Natureza
A FAUERS - Federação AfroUmbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul, através do Projeto Oficinas, como educação não-formal, proporciona, “leitura do mundo” e a “leitura da palavra”, oportunizando aprendizagem num processo interativo e lúdico. Difundindo os princípios da cidadania planetária e saberes que possam resultar em respeito à todas as formas de vida e no convívio em harmonia com o ambiente, organizou a oficina ecológica Barco da Iemanja. Tal movimento se originou da análise sobre os resultados das homenagens que acabaram por agredir a natureza na entrega das oferendas. Foi verificado que nos presentes entregues ao mar da Mãe Iemanjá são por demais utilizados e devolvidos as madeiras, os pregos, os plásticos e vidros...
No domingo 23/01/11, no parque Eduardo Gomes/Capão do Corvo, em Canoas, a educadora Luciana de Oxum, da Casa de Caridade Pai Thomé, organizou o material para realizar a primeira oficina: os moldes, tesouras sem ponta, papelão, jornais usados, cola, papel crepom e tinta guache para o acabamento das peças.
Utilizando de desenho, recorte, rasgadura, colagem, montagens, pintura e decoração, crianças, jovens e adultos da religiosidade, passo a passo, conheceram e/ou experimentaram uma nova possibilidade de construir o presente a Mãe Iemanjá sem agredir o seu reino.

A educação não-formal, dentro do movimento pela ecopedagogia, também provoca reflexão e debate sobre a realidade nas comunidades, gerando a disseminação de conhecimentos e vivências que proporcionam crescimento e autonomia aos agentes sociais, que fazem a sua história, transformando a realidade.

Na ocasião esteve presente realizando a oficina Lucía, aluna bolsista de iniciação científica da UFRGS que, juntamente com Stela, e sob a orientação do Professor Dr. Carlos Steil, vem participando dos eventos da FAUERS relativos ao meio ambiente. Eles estarão realizando a pesquisa Ambientalização Social da Religião, em parceria com os alunos bolsistas Pádula e Jorge da PUC, sob a orientação da Professora Drª Isabel Carvalho, sobre a produção da Cartilha Ecológica, buscando compreender a sua dimensão religiosa, pedagógica e ecológica no contexto da comunidade afroumbandista e espiritualista. Conforme a Professora Isabel o interesse é perceber processos de ambientalização de práticas de educação não formal e a presença da sensibilidade ecológica em tradições ecológicas, contribuindo com a compreensão das relações sociedade, ambiente e educação, valorizando tais práticas.domingo, 16 de janeiro de 2011
Mensagem de início de ano
- Florestas Tropicais & Clima
http://www.fgaia.org.br/texts/florestas.html
As notícias podem ser acompanhadas em vários jornais, telejornais, sites e revistas.
Na primeira quinzena de janeiro de 2011 o Brasil depara-se com chuvas torrenciais, deslizamentos de terra, cheias de córregos: calamidade pública. Ao mesmo tempo outras regiões enfrentam a estiagem e, no sul, a seca coloca cidades em estado de emergência.
- para a ética de valores e nas relações;
- para tratar o ambiente como um todo, no compromisso com a qualidade do meio natural e social;
- para compreender e analizar as consequências de nossas ações, reduzindo os efeitos nocivos;
- para que possamos ir além da reutilização e da reciclagem, para reduzir o consumo, em vista de que os recursos são esgotáveis, assim como a natureza se esgota no receber nossos resíduos.
Os problemas - ambientais e sociais - que enfrentamos enquanto sociedade são locais e globais. A Ecopedagogia propõe estudo que provoque o olhar sobre este meio, propõe nosso ensino e aprendizagem sobre crescimento, consumo e reservas enquanto seres fazendo parte do todo, que interferem e sofrem as ações deste todo, com o objetivo de movimentar a ação local com visão global, na busca pelo desenvolvimento sustentável.
O desenvolvimento econômico e o cuidado com o meio ambiente são compatíveis, interdependentes e necessários. A alta produtividade, a tecnologia moderna e o desenvolvimento econômico podem e devem coexistir com um meio ambiente saudável (DIAS, 1994: 141).
O desenvolvimento econômico e o bem-estar do homem dependem dos recursos da terra. O desenvolvimento sustentável é simplesmente impossível se for permitido que a degradação ambiental continue (UNESCO/UNEP, 1983 apud DIAS, 1994: 143).
Esse desenvolvimento (econômico) acontece em sua plenitude na cidade, guiada pela industrialização . Pois, as cidades são os locais onde o homem produz o seu maior impacto sobre a natureza. A sua construção alteram de modo drástico os ambientes naturais onde são erguidas, criando um novo ambiente com demandas únicas, em que cada habitante, em média, consome diariamente 560 l de água, 1,8 Kg de alimentos, 8,6 Kg de combustível fóssil e produz cerca de 450 L de água servidas (sujas), 1,8 Kg de lixo e 0,9 Kg de poluentes do ar (UNESCO/UNESP, 1983 apud DIAS, 1994: 143 ).
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Mensagem de Fim de Ano 2010/2011
em 2005 no site http://www.fgaia.org.br/informativos/infdezembro05/index.html
Além de mega furacões e tsunamis, grandes enchentes e secas ocorrendo em épocas e lugares improváveis; a Amazônia sem água, geleiras e icebergs derretendo onde antes nunca derretiam; tempestades e incêndios devastando extensas áreas densamente habitadas; invernos virando verão, verões virando inverno.
Realmente, as coisas estão mudando... não dá mais para fazer de conta que não.
O mundo, pouco a pouco, vai percebendo e reconhecendo que o equilíbrio de Gaia está abalado e que não só a flora e fauna silvestres estão ameaçados, mas nós humanos também, talvez até mais do que muitas outras espécies.
E o pior é que isso já era sabido, estava previsto e era divulgado há bastante tempo a quem se dispusesse a prestar atenção.
Só que, inconscientes e imediatistas como somos, nós nos recusamos a tomar conhecimento dos indícios e advertências. Ou até tomamos conhecimento, mas resolvemos varrer para debaixo do tapete, longe de nossas vistas,...
...José Lutzenberger era um dos ecólogos - muitas vezes taxados de "catastrofólogos" - que alertavam com insistência para os riscos de nossas atitudes egocêntricas e inconseqüentes em relação à Natureza.. um artigo por ele escrito em 1989, no qual comparava nosso modo de agir com um anãozinho que empurra uma régua cuja outra extremidade ele não consegue enxergar...
...para conferir seu conteúdo na íntegra.
- Florestas Tropicais & Clima
NÃO DEIXE DE LER!
(IMAGEM RETIRADA DA INTERNET)
QUE A FÉ, A SOLIDARIEDADE E A ESPERANÇA QUE NOS INVADE NO NATAL
CONTRIBUA PARA TORNAR EM 2011 NOSSA EXISTÊNCIA MAIS BELA.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
'Eu creio na semente lançada na vida da gente...'
http://www.canoas.rs.gov.br/Site/Noticias/Noticia.asp?notid=11039
Plantar a semente para colher a flor – esta é a nossa proposta de hoje. A semente será a sua atitude e a flor o resultado do esforço da familia unida. Entretanto, para isso, a tarefa não será simples. É preciso a dose certa de cuidado, compromisso e contínua manutenção. Este é um trabalho de equipe, onde cada um terá um papel fundamental no resultado final. A equipe do CREAS oferecerá a cada família as condições necessárias para um bom plantio: um vasinho, terra, água e sementes de girassol. Contudo, a tarefa de plantar a semente e cuidar para que floresça é de vocês. Vamos combinar o seguinte: hoje é o dia de plantar a semente. Cada família possui uma placa com o seu sobrenome e um vasinho com terra correspondente. Serão distribuidas sementes que a família deverá plantar no seu respectivo vaso. Após cada família, uma a uma, plantar suas sementes, o CREAS ajudará a regá-la pela primeira vez. Pensemos em emoções boas, em tudo de bom que desejamos para nossa família enquanto plantamos. Este é o significado desta dinâmica. Assim como em nossas casas plantamos dia a dia amor, compromisso, dedicação, carinho, cuidado uns com os outros, colhemos também dia a dia o resultado daquilo que plantamos. Por isso a importância de pensar em coisas boas, pois é essa energia positiva que estaremos passando a essa plantinha que está pronta para nascer. Hoje é aniversário do CREAS e sem vocês nós não estaríamos aqui. Cada família faz parte da nossa história e com cada uma construimos laços de confiança, afeto e dedicação mútua. E é isso que queremos colher daqui há um ano. Por isso, daqui há um ano todos estarão convidados a retornar a nova festa de aniversário do CREAS e ver o resultado do que durante todo esse ano vocês cultivaram. Assim, queremos propor o seguinte: cada família terá o compromisso de cuidar de sua plantinha depois do plantio. O CREAS irá ajudar vocês. Nos comprometeremos a preservar da chuva, pô-la no sol para que ela possa nascer e crescer saudável, protegê-la dos insetinhos que possam querer fazer-lhe mal. Mas o compromisso de molhar para que ela não morra será de vocês. Essa será nossa parceria. A propósito, todos receberão o mesmo tipo de semente: flor de girassol. O seu nome deriva do grego "Helios" (sol) e "Anthos" (flor), o qual se deve à sua peculiar maneira de seguir durante todo o dia o Sol e a sua luz, e, também, pela forma e cor da sua flor, lembrando o astro rei. Por isso, achamos que seria a simbologia perfeita para oferecer a vocês: plantar a semente hoje para colher a flor que representa tudo aquilo que desejamos para cada um de vocês – luz, alegria, prosperidade, amor. A cada mês estaremos esperando vocês para a manutenção deste vínculo e, daqui há um ano, então, nos encontraremos novamente e cada família levará para casa sua respectiva flor, para plantá-la em seu jardim e lembrarem-se sempre que esta linda flor foi resultado de um trabalho diário de carinho, dedicação e cuidado. Agora, vamos ouvir uma bonita música que tem uma mensagem especial do CREAS para vocês. Prestem atenção na letra e quando forem plantar a sua semente, lembrem-se dessas palavras pois é isso que desejamos a vocês. Contem conosco sempre. Um abraço cheio de carinho da equipe CREAS.
Lançada na terra
Na vida da gente
Eu creio no amor (bis)
Eu creio sim
A liberdade é um grito, bem alto ressoa
No jovem que luta a esperança se faz
A semente que nasce é vitória da paz
Na voz dos pequenos reunidos em prece
No serviço e louvor vida nova acontece
Na força do povo um novo dia já brilha
Na mesa de todos, eis o pão da partilha
Nas mãos que semeiam o sonho de Deus
Na terra de todos, presente do céu
Renasce a alegria no rosto do povo
Com certeza veremos um mundo mais novo
- Eu creio na semente - Padre Osmar
Neste dia do Professor e do Educador Ambiental, importante salientar tais práticas. O Educador Ambiental não transmite simplesmente valores verdes, mas prioriza a ação efetiva no ambiente natural e social, como, também, atitudes coerentes para a harmoniosa relação ser humano-natureza.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Pilares de uma vida saudável
Não é possível viver feliz em meio a banalizada destruição da vida, em todas a suas manifestações, por pequenas ações.
Como é possível viver feliz rodeado de pessoas vivendo em condições indignas e sub-humanas?
Como querer felicidade rodeado de violência produzida pela exclusão social, pela discriminação, pela degradação?
A ecopedagogia nasceu da educação problematizadora de Paulo Freire, na qual se pergunta sobre o sentido da aprendizagem.
É preciso refletir sobre tudo isso e modificar nossas consciências e, conseqüentemente nossas atitudes.
Os quatro pilares da educação para o século 21 nos dá o rumo:
a Aprender;
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Ecopedagogia, Espiritualidade, Participação...
Evidentemente, a religião, por si só, não nos fornece a chave dos problemas. 
Ela pode seguramente revitalizar uma dimensão da existência, o espaço institucional do sagrado e reforçar o seu poder histórico-social. Mas não necessariamente gesta um modo de ser mais solidário e compassivo. Nem ipso facto origina uma espiritualidade capaz de tudo religar e de tudo fundar na Fonte originária... O decisivo não são as religiões, mas a espiritualidade subjacente a elas. É a espiritualidade que une, liga e re-liga e integra. (2004:21)
Fonte:Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. ISSN 1517-1256, v.17, julho a dezembro de 2006.
O CONCEITO DE GESTÃO ESCOLAR NA ECOPEDAGOGIA
Hilda Gomes Dutra Magalhães - Doutora em Teoria da Literatura, Fundação Universidade Federal do Tocantins, Programa de Mestrado em Ciências do Ambiente -77.010-000- Palmas- Tocantins-Brasil, hildadutra@uft.edu.br.
http://www.remea.furg.br/edicoes/vol17/art7v17a16.pdf
domingo, 27 de junho de 2010
Você já parou para pensar?...
Legendado:
segunda-feira, 14 de junho de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010
Crise na família, SEMENTE da crise social
A família, tida como grupo social primário,
Voltar-se para o interesse pessoal,
É preciso apostar na semente.
Na semente da sociedade que é a família.
Na semente da família que é a criança.
Nossas atitudes ecoam no ambiente em que vivemos,
Vamos apostar no cuidado em cada ação
pois nosso futuro depende do que acontece aqui, a partir do agora.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
ECORECREAÇÃO: com a natureza se aprende brincando

Professor de Educação Física, Biólogo, Psicomotricista e Ms. em Educação busca estimular o interesse e a motivação dos alunos pelos assuntos e temas desenvolvidos nas aulas de ciências, através do prazer e da alegria proporcionado pelos jogos e atividades lúdicas, numa análise crítica da sua realidade no contexto sócio-ambiental local.
Acompanhe sua metodologia pelo link na relação de blogs ao lado.
http://ecorecreacao.blogspot.com/
O QUE É ECOBIOLOGIA HOLÍSTICA?
Já possuímos hoje muitos meios e competências para entender a Terra que nos hospeda, visto que convive conosco, como uma segunda pele, em um constante útero de sobrevivência. Devemos entender o clima em seu ciclo vital e saber conjugar as nossas exigências de alimento, casa, vestuário... na ordem contínua e aberta da reciclicidade sempre reversível e interativa.
Isso significa, por exemplo, produzir alimentos saudáveis na estação certa, cultivados na própria horta ou pomar, colaborando e trabalhando esta Terra que produz flores, frutos, alimentos de saúde e de cura. Portanto, ter uma relação organísmica entre corpo, alimento e natureza. Saber tratar e viver a terra como o próprio corpo ampliado.
A ecobiologia holística ensina o homem a como conectar o macrocosmo vivente ao microcosmo cotidiano, não somente para salvar os recursos biológicos não facilmente renováveis, mas para viver um estilo bio-orgânico causando o mínimo impacto ambiental e favorecendo com limpa criatividade e produtividade o habitat naturístico.
O ambiente nos causa e nós causamos o ambiente. Como consequência, é preciso entrar nessa visão para nos tornarmos responsáveis competentes e para obtermos uma interatividade nativa. Isso consente ao homem uma relação de melhor saúde, de superior espiritualidade com o princípio da vida e um qualificado humanismo de recíproco respeito entre pessoas e povos.
A ecobiologia holística propõe construir sem destruir, saber usar técnicas de construção, energia orgânica e uma confortável bioarquitetura segundo logística de sanidade do corpo, higiene da mente e transparência viva com a natureza. Portanto, significa saber viver com qualidade superior a própria vida junto ao ecossistema naturístico. Saber se inserir em um projeto já operativo daquilo que é a natureza.
Trechos extraídos e adaptados da matéria Artel: projetto ecobiologia, publicada na revista Nuova Ontopsicologia. Roma: Psicologica Ed., ano XXI, n. 2, 2003. pp.80-83.
13.11.2009
postado por Tom, às 13:33
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A Ecopedagogia e os Atores Sociais

A Secretaria de Cidadania e Assistência Social de Esteio/RS realizou, através do Serviço de Proteção e Atenção Integral às Famílias (PAIF), reflexão e debate sobre o meio em que vivem, proporcionando organização de um passeio e vivência na Quinta da Estância Grande na cidade de Viamão. http://www.quinta-da-estancia.com.br/
Doutor em sociologia pela USP e professor do Programa de Pos-graduação em Ciências Sociais Aplicadas Unisinos.
A Ecopedagogia e os atores sociais
http://homologa.ambiente.sp.gov.br/EA/adm/admarqs/Aloisio.pdf
Ecopedagogia e Cidadania

A atualidade tem-se mostrado caótica e, conseqüentemente, incompreensível para a maioria das pessoas. A globalização capitalista vem acentuando a dominação, exploração e manipulação social por parte dos poderosos. A xenofobia, explícita em algumas regiões do Globo e dissimulada em outras aparentemente mais democráticas, destaca-se como uma grande chaga social. O desequilíbrio econômico generalizado, gerado pelas especulações de investidores que buscam enriquecer a qualquer custo, continua a fomentar a opressão econômica de, pelo menos, dois terços da população do nosso planeta, acentuando as distâncias entre ricos e pobres, no que Gaudêncio Frigoto (1995) nomina Capitalismo Real. Guerras localizadas levam sofrimento e crueldade a vários pontos de todos os continentes, enquanto que as reações terroristas geram medo e insegurança por toda parte. O predomínio generalizado do ideal capitalista consumista gera, descontroladamente, a destruição progressiva dos bens naturais. As relações entre as pessoas e entre as nações têm gerado exclusão social das minorias, desprezo às suas culturas e aos seus ideais, necessidades e dignidade.
Tantos problemas presentes no mundo contemporâneo, no mais das vezes, impedem vislumbrar, sequer, uma ponta de luz no fim do túnel sem causar a sensação de que aquilo que se vê é, fatidicamente, um trem vindo na contramão.
Toda essa conjuntura real dificulta, em muito, a assunção de uma postura de esperança, de confiança num devir de paz e eqüidade social. O pensamento neoliberal tem conseguido, a cada dia, incutir em nossas mentalidades a desesperança no formato de um programa que se prescreve no cotidiano de nossas relações sociais, e Paulo Freire nos ensina que como programa, a desesperança nos imobiliza e nos faz sucumbir no fatalismo onde não é possível juntar as forças indispensáveis ao embate recriador do mundo. (...) Pensar que a esperança sozinha transforma o mundo e atuar movido por tal ingenuidade é um modo excelente de tombar na desesperança, no pessimismo, no fatalismo. Mas, prescindir da esperança na luta para melhorar o mundo, como se a luta se pudesse reduzir a atos calculados apenas, à pura cientificidade, é frívola ilusão. (FREIRE, 1992, p. 10)
Tal alerta nos chama à reflexão com relação a nossas escolhas diante da profissão docente. Se acreditamos na importância do processo educativo para a transformação do mundo, não podemos admitir uma postura desesperançosa, pessimista ou fatalista.
Assumir-se como educador implica compromisso para consigo mesmo e para com os educandos. Compromisso realista, não ingênuo. O educador tem que ser uma pessoa que ame a sua condição humana e, por conseguinte, as novas gerações e, por extensão, diríamos, toda a humanidade. Por isso Hannah Arendt afirma que “a educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele e, com tal gesto, salvá-lo da ruína que seria inevitável não fosse a renovação e a vinda dos novos e dos jovens.” (ARENDT, 1997, p. 229)
Diante da conjuntura social contemporânea, como se exerce a função de educadores-sujeitos-amantes-da-condição-humana? Como devem ser os nossos fazeres se desejamos estar engajados na busca de uma transformação social que garanta ao presente, às novas gerações, e a toda humanidade, melhores condições de vida, de igualdade, de justiça, de inclusão e inserção social; em uma palavra, um outro mundo mais humano?
Esta não é uma reflexão nova — “moderna” ou muito menos “pós-moderna”. Trata-se de questões pertinentes a todos os tempos — já presentes nas entrelinhas dos diálogos de Sócrates, retratados por Platão, há mais de dois milênios. São questionamentos latentes em nosso momento presente, incubados em nossas consciências desde tempos imemoráveis. Talvez jamais tenha havido, em toda nossa história, uma necessidade tão grande de se encontrar respostas como na atualidade, que é fruto de tamanho domínio de opressores — que Paulo Freire nos ensinou que são aqueles que nos impedem de realizarmos nossa vocação de ser mais(2) — que vivemos sob a égide de valores de vida antropofágicos que a ideologia dominante vem disseminando de maneira hegemônica; pois as relações de poder, tal como se nos vêm apresentando, legitimam a expressão latina que sentencia nossa desumanidade: "hominus lupus homini"(3). O ser humano vem se apresentando a seu semelhante como o mais temível e terrível de todos os predadores da natureza e de sua própria espécie. Destrói a natureza, destrói as relações interpessoais, destrói a cultura das minorias, destrói, enfim, a si mesmo.
Parece lógico que necessitamos buscar formas de reverter essa situação, de inverter esses valores, de construirmos uma re-humanização da espécie humana. Levando em conta nossa condição de docentes:
- como podemos contribuir para a valorização de paradigmas, atitudes e fazeres voltados para o estabelecimento de uma sustentabilidade mundial?
- Como ensinar a reverência à Terra e a cada um dos entes que formam sua grande comunidade de vida?
- Como trabalhar e ensinar uma outra maneira de relacionar-se, pautada no equilíbrio, na inserção social, na paz, no respeito indistinto e na liberdade para todos e para o todo?
Incomodados por esses pensamentos, nos vemos instados a refletir acerca de nossas próprias atitudes, de nossas práticas no cotidiano familiar, nos nossos fazeres profissionais e na nossa concepção do conceito tão desgastado — e ao mesmo tempo tão atual e necessário — que é o de cidadania. Faz parte de nossas atribuições de educadores, ensinar cidadania. Mas, nos perguntamos, que cidadania? Uma cidadania regionalista ou nacionalista? Uma cidadania que se traduza por obediência, por integração ao sistema, ao status quo? Ou nosso compromisso se estabelece com uma cidadania envolvida com o todo, com cada ser humano vivente e por viver em nosso Planeta: algo que possamos afirmar como, de fato, uma cidadania planetária? Trata-se de decidirmos se desejamos assumir uma postura de compromisso para com todos os homens e mulheres, independentemente do lugar de onde vieram e de como compreendam ser melhor viver. Trata-se, enfim, novamente, de assumirmos nosso amor pela condição de humanidade.
A Carta da Ecopedagogia4 (UNESCO, 1999) têm-se referido à Terra como um organismo vivo, que age, reage e interage em consonância com estímulos que recebe de todo seu entorno universal — estímulos que vêm de fora — e outros que recebe de sua própria superfície, como conseqüência das ações levadas a cabo por seus habitantes. Se não há muito que fazer quanto aos estímulos externos, grande é a quantidade de ações que se pode implementar, desde já, no que diz respeito aos estímulos que nós lhe temos aplicado.
Já é senso comum que, ao falar-se em sustentabilidade e preservação ambiental, remeta-se o pensamento às ações que os governos, as empresas, as organizações não governamentais; podem e devem implementar como formas de combate à poluição, à destruição e degradação do mundo. De fato essas ações são importantes e necessárias, mas são muito pouco se desejamos construir um mundo diferente — como diz o lema do Fórum Social Mundial: um outro mundo.
Uma tomada consciente de postura diante da vida deve permear todas as ações de nosso dia-a-dia, desde as mais simples até as mais complexas. Ações que vão do banho mais rápido como forma de preservação de água e energia, até o engajamento em projetos de luta pela igualdade e a inclusão social das minorias de nossa sociedade próxima ou global. Engajamento que se não ocorre, esvazia a pressão para com a execução de ações por parte dos governos, empresas, organizações não governamentais; por deixarem de exprimir prioridade dentre os interesses da sociedade civil organizada.
A Carta da Ecopedagogia nos auxilia na reflexão a respeito de nossos fazeres, de nosso agir pessoal cotidiano em todos os lugares onde se desenrola nossa vida, ao alertar-nos para o fato de que as experiências cotidianas aparentemente insignificantes, como uma corrente de ar, um sopro de respiração, a água da manhã na face, fundamentam as relações consigo mesmo e com o mundo. A tomada de consciência dessa realidade é profundamente formadora. O meio ambiente forma tanto quanto ele é formado ou deformado. Precisamos de uma ecoformação para recuperarmos a consciência dessas experiências cotidianas. Na ânsia de dominar o mundo, elas correm o risco de desaparecer do nosso campo de consciência, se a relação que nos liga a ele for apenas uma relação de uso. (UNESCO, 1999, item 8)
Para o educador e a educadora a formação de cidadãos planetários deveria se constituir numa preocupação meio que naturalizada, a partir de sua conscientização. Em cada atividade da sala de aula ou de qualquer espaço educativo, se o que se deseja lograr é um devir harmonioso para toda a humanidade, o educador ou educadora não pode agir em contradição com seu respeito para com toda a humanidade e sua certeza na possibilidade de transformação do mundo. É preciso que cada educador ou educadora ofereça uma formação a seus alunos e alunas que transcenda a teoria — seu discurso do professor — e se materialize nos seus próprios exemplos de vida diante dos educandos.
Historicamente o modo de produção hegemônico vem doutrinando os homens de modo a buscarem defender os bens da família e da pátria como virtude primordial no exercício da cidadania. Uma visão planetária, por parte do educador ou educadora, deveria apresentar aos educandos e educandas a Terra como pátria e a humanidade toda como grande família global com interesses comuns. Uma família formada por membros distantes, mas igualmente importantes, apesar das diferenças e peculiaridades de cada povo, de cada comunidade, da enorme diversidade enriquece nossa condição humana e, em liberdade, nos oferece infindáveis possibilidades diante de nossa natural vocação de ser mais...
Se o trabalho do educador estiver pautado na compreensão desse interesse universal, sem perder de vista o meio local onde está inserido, já estar-se-á iniciando o trabalho de libertação dos oprimidos do mundo. Trabalho fundamentado naquela Pedagogia comprometida com a esperança de um mundo melhor. Trabalho afinado com o que Paulo Freire chama de “Inédito Viável” (FREIRE, 1992, p. 5). Trabalho que se traduz numa Pedagogia preocupada com o equilíbrio do homem no ambiente onde vive, com seu semelhante, com a Terra — a casa de todos nós — e todas as espécies que a habitam; uma Pedagogia comprometida com o que Leonardo Boff (1995) chama de “bem estar sóciocósmico”. Uma Pedagogia da Sustentabilidade ou, no dizer de Gutiérrez e Prado, uma Ecopedagogia (GUTIÉRREZ e PRADO, 1999).
Filosoficamente comprometida com todas as causas sociais que buscam a igualdade eeqüidade humanas no planeta como um todo inteligente, a Ecopedagogia oferece ao homem a possibilidade de uma mudança radical de mentalidade, em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente.
Na Carta da Ecopedagogia, lemos:
A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes. (UNESCO, 1999, item 4)
Mais que simplesmente levantar questões sobre o grande tema da sustentabilidade, precisamos levar a cabo reflexões que norteiem, didática e pedagogicamente, o trabalho de todos os educadores e educadoras e de todos os homens e mulheres identificados com esses ideais, em busca da "formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações". (UNESCO, 1999, item 6)
Se a escola é, legitimamente, a “instituição social responsável pela continuidade da socialização das novas gerações e pela produção e reprodução dos saberes necessários a esse processo socializador” (MADEIRA, 1999, p.55), em seu seio devem-se sedimentar as bases de um conhecimento comprometido com a qualidade de vida dos sujeitos sociais, pautadas na convivência harmoniosa de toda a diversidade que compõe aquilo a que estamos nos referindo como cidadania planetária.
O conceito de cidadania em si, deriva de outro conceito importante para sua própria apreensão, que é o de “civitas” — em latim, cidade — que no mundo romano corresponde à polis, Cidade-Estado dos gregos. O conceito de cidadania, pois, encontra sua idéia-força no que diz respeito à liberdade — real ou ilusória — de que dispunha o homem livre, habitante da cidade, em comparação com o escravo. Pensando a relação entre cidadania e cidade (cidade-estado), os gregos antigos tinham muito clara a importância de uma convivência coletiva, pautada na harmonia como garantia de sua própria sobrevivência. Sabiam a polis como lugar onde sua liberdade e seus direitos eram reconhecidos e respeitados. Os deveres e direitos eram amplamente discutidos e o senso de democracia pairava acima de todas as questões individuais.
O ideal a que aludimos ao falarmos de uma cidadania planetária vai ao encontro dessa vivência plena da condição de sujeitos sociais. A civitas-polis, aqui, é o planeta como um todo — que os gregos chamavam de “Gaia” grande deusa criadora e mantenedora da vida, anterior, mesmo, a Zeus, o deus dos deuses. A aplicação universalista que desejamos atribuir a esse conceito de cidadania planetária, busca a igualdade entre todos os homens e não aceita que apenas alguns sejam cidadãos. Todos são naturais da grande civitas/polis Terra, portanto filhos da mesma mãe Gaia constituindo a grande família humana, e são inaceitáveis a escravidão e a subserviência em qualquer circunstância, ainda que o pensamento hegemônico, tantas vezes, nos tente reduzir a identidades que nos fazem viver como se fossemos, ainda, escravos ou habitantes das glebas feudais — servos sem direitos de cidadania.
Não é objetivo da Ecopedagogia massificar e mundializar uma determinada cultura, um determinado molde onde todos devam se encaixar para viver. Antes pretende oferecer subsídios para ações educativas que respeitem a cultura local ao mesmo tempo em que não excluam, enquanto valor, a cultura de todos aqueles que sejam diferentes. Subsídios que valorizem o respeito, a tolerância e a harmonia com o diverso. A sustentabilidade da vida no planeta clama por atitudes dessa monta: atitudes militantes na defesa da inclusão social de todos e todas e nas lutas contra a exclusão.
Trabalhando conscientes de que é possível semear, na atividade educativa, a construção de uma nova ordem mundial, aprendendo e apreendendo uma visão planetária de vida e de mundo, assumindo para a própria vida uma filosofia holística e mundializadora da cidadania; estaremos implementando uma base ética no desempenho das funções docentes que se dêem em consonância com a Ecopedagogia.
A boa-vontade, como condição de humanidade diante da lida com os conflitos, a vontade de prosseguir vivendo harmonicamente, apesar de toda e qualquer diferença, buscando a convergência dos interesses de todos, é o caminho a trilhar que nos enche, hoje e sempre, de esperança. Por isso uma Ecopedagogia é, acima de tudo, uma (Eco)Pedagogia da Esperança.
Referências Bibliográficas
ARENDT, Hannah. Entre o Passado e o Futuro. São Paulo: Perspectiva, 1997.
BOFF, Leonardo. Ecologia – Grito da Terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1995.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança – Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 32. ed., São Paulo: Paz e Terra, 2002.
FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e a crise do capitalismo real. São Paulo: Cortez, 1995.
GUTIÉRREZ, Francisco e PRADO, Cruz., Ecopedagogia e Cidadania Planetária. São
Paulo: Cortez, 1999
UNESCO, Carta da Ecopedagogia, 1999, http://www.paulofreire.org.
1 Mestrando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Professor Universitário e Educador do Movimento pela Ecopedagogia.
2 Paulo Freire nos diz: “A desumanização, que não se verifica apenas no que têm sua humanidade roubada, mas também, ainda que de forma diferente, nos que a roubam, é distorção da vocação do ser mais.” (FREIRE, 2002, p. 30)
3 O homem é o lobo do homem.
4 A “Carta da Ecopedagogia” também é chamada de “Carta da Terra na Perspectiva da Educação”. Foi escrita coletivamente pelos participantes do Primeiro Encontro Internacional “A Carta da Terra na Perspectiva da Educação”, em São Paulo – SP, Brasil, de 23 a 26 de agosto de 1999; organizado pelo Instituto Paulo Freire com apoio do Conselho da Terra e da UNESCO-Brasil.