domingo, 16 de agosto de 2009

Ecopedagogia e Cultura da Sustentabilidade Frente à Globalização


Resumo

Para bem garantir o objetivo de pensar o presente precisamos construir uma outra globalização fundada no princípio da solidariedade. A globalização em si não é problemática, pois representa um processo de avanço sem precedentes na história da humanidade. O que é problemática é a globalização competitiva. Este texto tem por propósito realizar uma análise da ecopedagogia e uma reflexão a cultura da sustentabilidade para o campo da globalização competitiva. Pretende-se que este artigo seje desafiador e convidativo para reflexões de caráter ético e antropológico dos problemas impostos aos seres humanos e ao meio ambiente diante do potencial destrutivo que o desenvolvimento do capitalismo provoca. De caráter antropológico por se tratar da questão coletiva estando esta ávida de novas formas de vida, abrangendo todas as esferas da vida social contendo a possibilidade de um processo de mutação antropológica, no sentido de promover uma nova concepção de homem, e este percebendo que, inserido no universo, não está separado do planeta, e se questione o sentido da vida. E ético, porque os novos princípios que regularizam a atividade humana onde seus atores globais terão de se basear num novo paradigma que tenha a Terra como fundamento e centro. A mudança paradigmática trará com certeza implicações na "educação", tanto na abordagem curricular como no movimento social e político, esta entendida como uma reorientação de nossa visão de mundo. A educação como centro de estudo e de conhecimento deverá estar consciente da sua responsabilidade humana e ambiental. A ecopedagogia ou pedagogia da terra preocupa-se em inserir o indivíduo numa comunidade local e global ao mesmo tempo, esta é a lógica da revolução social ou universal hoje almejada ou possível. Podendo-se destacar na excelência de uma cidadania integral, ativa e plena. É a conquista da cidadania planetária, sendo o acesso aos direitos universais. Portanto, esta implica, também, a existência de uma democracia planetária.


Palavras-chave: Ecopedagogia. Cultura da sustentabilidade. Educação. Cidadania planetária.

Introdução
A sociedade, pela própria imposição da globalização competitiva, está diante de um modelo capitalista que tende a se fortificar ainda mais nas próximas décadas e testemunham a emergência da sustentabilidade como a expressão dominante no debate que envolve as questões do meio ambiente e de desenvolvimento social em sentido amplo. Sua expansão gradual tem influenciado diversos campos do saber e de atividades diversas, entre os quais o campo da educação.
No Brasil, o discurso da educação para a cultura da sustentabilidade ainda é pouco disseminado na literatura e nas práticas que relacionam educação e meio ambiente.
A crescente difusão do discurso do desenvolvimento sustentável veiculado pelo Relatório Brundtland permitiu uma pluralidade de leituras que oscilam e assumem múltiplos sentidos, pronunciado indistintamente por diferentes sujeitos, nos mais diversos contextos sociais, marcado por um mundo globalizado entre relações de dependência política e cultural dos países do centro e da periferia do sistema mundial, e da diversidade de sentidos envolvidos nesta construção dentro do jogo de forças e interesses que nelas se destacam. Diante deste caldeirão de conceitos de sustentabilidade o sistema educacional precisa analisar quais os significados e implicações entre educação e a sustentabilidade. Educar para sustentar o quê? Que fundamentos, valores e interesses estão envolvidos neste processo? Qual a história da construção do discurso da sustentabilidade e de sua inserção na educação? Estas são algumas questões que norteiam a reflexão para a humanidade procurar compreender as relações entre sustentabilidade e a educação.
A perspectiva adotada é baseada nas rupturas tecnológicas que se sucederam ao longo dos últimos séculos, expandindo-se no final do século XVIII a partir da Revolução Industrial. Não se pretende com isto dizer ou propor uma lógica inerente ou inevitável. Tampouco, garantir que a história se repete ou que se repetirá da mesma forma. Ao contrário, a ecopedagogia representa um projeto alternativo global, cujas finalidades são vias de mãos duplas, por um lado, promover a aprendizagem a partir da vida cotidiana e, por outro, a promoção de um novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico.
Os conflitos de interesse como lógica da globalização competitiva leva de forma inevitável à precarização da vida de parcela da população, reconhece-se que uma sociedade democrática cujos aspectos de totalitarismo subsistem dentro do âmbito da sociedade do consumo. Neste sentido o grande desafio do século XXI para a educação será encontrar maneira de fazer preservação do meio ambiente e social um caminho para atingir a prosperidade econômica; respeitando a diversidade cultural do ambiente humano e natural, principalmente do ponto de vista ético. Assim sendo, para Dias:
Nenhum sistema social pode ser mantido por longo período quando a distribuição dos benefícios e dos custos, ou das coisas boas e ruins de dado sistema é extremamente injusta, especialmente quando parte da população está submetida a um debilitante e crônico estado de pobreza. ( DIAS, 2004, p.226 ).
Tanto a opulência quanto a pobreza implica-se no viés de um desenvolvimento insustentável ao longo do tempo, a espécie humana experimenta um grande desafio: a perda do equilíbrio ambiental, acompanhada de erosão cultural, do seu empobrecimento ético e espiritual, também fruto de um tipo de educação que "treina" as pessoas para ser consumidoras úteis, egocêntricas, para ignorar as conseqüências de certos atos perversos. Como nos ensina Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido.
Os paradigmas clássicos que orientaram, até agora, a produção e a reprodução da existência do planeta colocaram em risco não apenas a vida do ser humano, mas todas as formas de vida existentes na Terra.


Cultura da Sustentabilidade
Apesar de o tema ambiental ser discutido em "prosa e verso" pelos diversos instrumentos existentes na mídia, pelos 'especialistas' no assunto. A maioria da sociedade vem experimentando resultados negativos, dia a dia, pois ainda não consegue entender a complexidade do assunto e até mesmo, qual é o papel de cada um de nós na contribuição envolvimento e comprometimento com a sua melhoria e conseqüente preservação.
A cultura da sustentabilidade é, pois uma cultura da planetariedade definida por (GADOTTI, 2005, p.24 ) como: "uma cultura que parte do princípio que a Terra é constituída por humanos que são considerados cidadãos de uma única nação".
A ecopedagogia tenta conceituar sustentabilidade dando um novo significado que vai além da preservação dos recursos naturais e da viabilidade de um desenvolvimento sem agressão ao meio ambiente. Esse novo conceito do ponto de vista da pedagogia da terra implica um equilíbrio do ser humano com o universo. Desse modo o verdadeiro desenvolvimento humano deve compreender o conjunto de autonomias individuais das participações comunitárias e da consciência de pertencer à espécie humana. A sustentabilidade que se defende aqui refere ao próprio sentido do que somos de onde viemos e para onde vamos, portanto, somos seres do sentido e doadores de tudo o que nos cerca. É a própria sobrevivência da vida no planeta que está em jogo, ameaçada por formas de relação do homem consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente físico que não servem mais. De certa forma essa nova visão coloca a humanidade diante da perspectiva de uma nova geração de hábitos.
Dessa forma a cultura da planetariedade permite uma visão integrada dos indivíduos no desenvolvimento mútuo da tríade indivíduo/sociedade e espécie. Morin em concordância sobre esse pensamento, observa que.
A Humanidade deixou de constituir, uma noção sem raízes e abstrata: está enraizada em uma "Pátria", a Terra, e a Terra é uma Pátria em perigo. É realidade vital, pois está, pela primeira vez, ameaçada de morte. A Humanidade deixou de constituir uma noção somente ideal, tornou-se uma comunidade de destino, e somente a consciência desta comunidade pode conduzi-la a uma comunidade de vida; a Humanidade é daqui em diante, sobretudo, uma noção ética: é o que deve ser realizado por todos e em cada um. (MORIN, 2004, p. 117).
Se a desunião homem e natureza foi uma conseqüência dessa visão universal, o resgate dessas unidualidade do humano requer urgência máxima. Existe uma visão capitalista do crescimento sustentável e o meio ambiente que, por ser antiecológica, deve ser considerada uma "cilada", como bem disse Leonardo Boff.
O descontrole da produção pode levar a humanidade à destruição do planeta, não por efeito de armas nucleares, mas por esta visão de progresso, a essa possibilidade pode-se dizer a era do exterminismo cuja produção de alta tecnologia é apoiada em discursos desenvolvimentista o qual prega a expansão a qualquer preço. Essa pequena fração de grandes propriedades rurais monocultoras e industriais está inserida em nossa economia. Vive-se num impasse civilizatório: ou corrigi-se os rumos do desenvolvimento, ou agravam-se ainda mais cenários como: escassez dos recursos naturais, aumento da pobreza, violência e das desigualdades sociais, entre outros problemas que ocorrem com incrível velocidade em escala global, precisa-se olhar para o passado, redescobrir a sabedoria da experiência e não deixar subestimar certos problemas. Morin corrobora com essa avaliação, ao afirmar que.
Todo conhecimento comporta risco do erro da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão. O maior erro; seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão. O reconhecimento do erro e a ilusão são ainda mais difíceis, porque o erro e a ilusão não se reconhecem em absoluto, como tais. (MORIN, 2004, p.19).
É preciso primeiro deixar-se contaminar pela causa primária da incerteza e descobrir que a razão e a desrazão integram qualquer tipo de conhecimento, mesmo que a ciência insista em não deixar contagiar por percursos: mítico-mágico-imaginários, que sempre se encontram presentes em teorias, conceitos e métodos.


O discurso do desenvolvimento sustentável
Embora o discurso da sustentabilidade possa ser identificado em diversas falas e contextos históricos remotos, foi conceituado pela primeira vez pela ONU em 1979, iniciando nos movimentos sociais em defesa da ecologia; nas conferencias internacionais promovidas pela ONU – Organização das Nações Unidas para debater os temas do meio ambiente e do desenvolvimento; nos relatórios do Clube de Roma.
Sachs reformulou a noção de ecodesenvolvimento, propondo uma estratégia multidimensional dando alternativa de um desenvolvimento que articulava promoção econômica, preservação ambiental e participação social. O seu compromisso com os direitos e desigualdades sociais e com a autonomia dos povos e países mais pobres era de extrema importância. Sachs apontou meios de superar a marginalização e a dependência política cultural e tecnológica dos atores envolvidos nos processos de mudança social
A Comissão de Brundtland, mesmo apoiada por muitas idéias de Sachs, aboliu de seu discurso o que poderia ser uma inovação o conteúdo emancipador do Ecodesenvolvimento, chegando a um discurso diferente ao que Sachs havia proposto. A Comissão ressaltava uma ênfase econômica e tecnológica.
Nesta perspectiva o discurso da sustentabilidade surgiu como um substituto ao discurso do desenvolvimento econômico, atendo-se em sanar um conjunto de contradições expostas e não respondidas por outros modelos de desenvolvimentos anteriores, produzido e difundido pelos países centrais do capitalismo – sobretudo os Estados Unidos.
Segundo documento, divulgado pelo BIRD no dia (10.05.06) durante a 14ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o desenvolvimento sustentável em Nova York Os principais poluidores continuam sendo os paises mais ricos, no ranking dessa contribuição está os Estados Unidos com 24% do total e os da zona do euro, com 10%. Este mesmo relatório mostra que os países mais ricos consomem mais da metade da energia produzida no mundo. Nos dias atuais a experiência tem demonstrado, por várias evidências, que o agronegócio é um eficiente instrumento de alocação de recursos, mas por outro lado um perverso gestor das disparidades sociais. Comunicar o senso de urgência que deveria inspirar as mudanças na direção da sustentabilidade desejada é tarefa de todos. Compete principalmente ao poder público, que no caso do Brasil prioriza a globalização competitiva sem a predominância da cooperação e da solidariedade. Incluindo nessa luta à sociedade organizada através de grupos, educação, entre outros setores da comunidade.
Neste contexto o termo sustentabilidade associado ao termo "sustentável + desenvolvimento", sofreu muitas críticas, pelo seu uso reducionista. As pessoas não estavam preparadas para lidar com essas questões. As críticas ao conceito de desenvolvimento sustentável e a própria idéia de sustentabilidade vêm do fato de que os ecologistas tratavam separadamente questões sociais e questões ambientais, surgido por um movimento conservador na tentativa elitista dos países ricos no sentido de reservar grandes áreas naturais para seu lazer e contemplação. A preocupação com a Amazônia, por exemplo, não era uma preocupação com a sustentabilidade planetária, mas com a continuidade do "bel-prazer" o que era contraditório com a necessidade da população.
Hoje, diante dessas críticas, para que a luta ecológica obtenha sucesso depende muito da capacidade dos ecologistas incentivarem a população, principalmente nos estrados mais baixos, convencendo-os de que não se trata apenas de atitudes reducionistas. Mas, trata-se de dar uma solução simultânea aos problemas ambientais e sociais os problemas existentes afetam o ser mais emaranhado da natureza que é o ser humano, essa visão errada que a ecologia trata apenas do meio ambiente para viver-se num planeta melhor num futuro distante deve ser desmistificada. Criou-se um duplo sentido ao conceituar esse binômio e recebeu muitas críticas, para alguns a associação desses dois termos tornou-se a expressão do absurdo lógico; pois a união de ambos é, incompatíveis. Quando se fala em sustentabilidade, conspira-se contra um modelo de desenvolvimento "ecologicamente predatório; politicamente perverso e socialmente injusto", revelando-se que o discurso da sustentabilidade, apresentado ao debate público, de ingênuo não tinha nada, priorizava gerenciar a reprodução econômica do capitalismo. Comunicar o senso de urgência que deveria inspirar as mudanças na direção da sustentabilidade desejada é tarefa de todos. Compete principalmente ao poder público, que no caso do Brasil prioriza a globalização competitiva sem a predominância da cooperação e da solidariedade.


Desenvolvimento Sustentável
O conceito de desenvolvimento não é um conceito neutro ele tem um contexto bem preciso dentro de uma ideologia de progresso. O conceito foi utilizado numa visão colonizadora, durante muitos anos em que os países foram divididos em três grupos: "desenvolvidos" em "desenvolvimento" e "subdesenvolvidos", critérios estes, sempre associados a um padrão de industrialização e de consumo. Esse conceito supõe que todas as sociedades devam orientar-se por uma única via de acesso ao bem-estar e a felicidade que são alcançados apenas pela acumulação de bens materiais.
Durante muitos anos era comum se pensar que, o que era bom para a indústria era bom pra a sociedade de um modo geral. Essa crença trazida por peritos convencidos de trabalhar para a razão e para o progresso permaneceu durante décadas pela humanidade. Com isso empobreceram ao enriquecer e destruíram ao criar. É preciso romper com a lógica de que a nação vai bem se o consumo for maior a cada ano.
As políticas econômicas neocolonialistas dos países chamados "desenvolvidos" tinham metas de desenvolvimento a cumprir a qualquer custo, com isso agravou-se o aumento da miséria, da violência e do desemprego. Quando esses modelos econômicos não satisfaziam mais as necessidades capitalistas eram feitos ajustes econômicos transplantando valores éticos e ideais políticos cuja conseqüência foi à destruição de povos das nações.
Esse tipo de desenvolvimento trouxe consigo uma iminente "catástrofe", tem-se hoje a percepção que se deve traduzir essa consciência em ação, para retirar da sustentabilidade essa visão predatória concebendo-a de forma mais antropológica, e menos capitalista para salvar a Terra. É claro que há uma incompatibilidade de princípios entre sustentabilidade e capitalismo. Reconhece-se que a conciliação desses dois termos no atual contexto da globalização competitiva é inconciliável e inaplicável. Na condução do país, o peso do setor do agronegócio é desmedido: considerando salvador da Pátria, para que ele tudo vale e tudo é permitido, é a este modelo de desenvolvimento 'exógeno' que o agronegócio terá de gerar valor, mesmo com um enorme custo social e ambiental, sendo esta a opção do governo. Estando este centrado numa característica contraditória onde se faz um longo caminho de violência e destruição de direitos. É uma ameaça para a humanidade, fere profundamente os direitos humanos. Essa contradição de base está no centro dos debates da carta da Terra.
É impossível haver um crescimento com equidade sustentável, numa economia regida pelo lucro, pela acumulação ilimitada, pela exploração do trabalho e não pelas necessidades das pessoas. As políticas neocolonialistas não desapareceram, mas adquiriram formas mais sofisticadas e suas mudanças não são mais que "máscaras". Os escravagistas de hoje só são diferentes daqueles do século IXX porque não chegam a acorrentar seus empregados, nem colocam à venda os que rendem pouco. Mas seus trabalhadores não possuem água potável, quase nunca se alimentam adequadamente. Quando têm o direito de comer mais de uma vez por dia pagam valores bem maiores pela alimentação do que o salário inicialmente acordados. Em dezembro de 2006 no Palácio do Planalto, por ocasião do lançamento da nova fase da Campanha da OIT e CONATRAE o público presente emocionou-se com depoimento de um trabalhador ex escravo no Iriri, hoje assentado precariamente no Tocantins quando apelando para o presidente, o conclamou: ' Olha para nós, Sr. presidente, vista essa camisa!'. O presidente entrou mudo e saiu calado. ( LEONARDO SAKAMOTO: 'Vive la France' 03/02/2006).
Portanto, no bojo da insegurança alimentar está também à insegurança quanto á água potável sendo o dobro de a insegurança alimentar propriamente dita. Essa situação ofende diretamente o "direito humano à água" que consta no Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais do qual o Brasil é signatário. A omissão da sociedade civil a estes fatos, e a essa falta de compromisso do espírito de cada um que leva a menosprezar o mal distante, que não nos afeta ou simplesmente está no outro e não em nós.


Educação Sustentável
O desencontro entre a educação e cidadania planetária, são dois mundos que procuram um ao outro, mas não se encontram. É aqui que entra em cena a ecopedagogia: pedagogia da terra. Ela não é uma pedagogia a mais, ao lado de outras pedagogias. Seu sentido está como um projeto alternativo global em que a preocupação não está apenas na preservação da natureza, ou no impacto das sociedades humanas sobre o ambiente natural, mas num ponto de vista sustentável se visto do ponto de vista ecológico (Ecologia integral). Ela está ligada, portanto, a um projeto utópico: mudar as relações humanas, sociais e ambientais que temos hoje. Este é o sentido profundo da ecopedagogia ou da pedagogia da terra. A educação é uma das responsáveis pela a formação do homem, esta deverá estar vinculada aos princípios da dignidade, da participação, da co-responsabilidade, da solidariedade, da eqüidade e da ética. Prepara-lo é preparar as novas gerações, para agir com responsabilidade, ética e sensibilidade dando início a uma educação sustentável.
"O sistema não teme o pobre que tem fome. Teme o pobre que sabe pensar" que favorece sobremaneira, hoje, os modelos neoliberais não é "miséria material das massas, mas sua ignorância", ignorância que faz as pessoas esperarem soluções produzidas pelos sistemas. A função da educação de caráter reconstrutivo político, conclui o autor, "é desfazer a condição de massa de manobra, como bem queria Freire". (DEMO, 2000 ).
O desenvolvimento sustentável vendo de forma crítica tem um componente educativo formidável. Haja vista que a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação.
A ecopedagogia é uma pedagogia para promoção da aprendizagem contextualizada dando sentido das coisas para o cotidiano. Implica uma reorientação dos currículos para incorporar princípios defendidos por ela, como exemplo, orientar a concepção dos conteúdos e a elaboração dos livros didáticos. Jean Piaget ensinou que os currículos devem contemplar o que é significativo para o aluno. Esse conceito é correto, mas é incompleto. Os conteúdos curriculares têm que ser significativos para o aluno, e só terão relevância para ele, se esses conteúdos forem relevantes também para a saúde do planeta, para um contexto mais amplo.
Segundo (GUTIERREZ, 1998, p.21), "só encontramos sentido em caminhar vivenciando o contexto e o processo de desbravar novos caminhos; não apenas observando-o, por isso a educação sustentável é uma pedagogia democrática e solidária".
Como lugar de cultura e de estudo aberto a tudo a educação deve ser reconhecida por sua responsabilidade na participação dos grandes debates relacionados com o processo de transformação da sociedade.
Hoje precisamos de uma pedagogia da Terra e uma ecoformação, não somente para a tomada de consciência de nossa Terra - Pátria, mas também permitir que esta consciência se traduza em vontade de realizar cidadania terrena, proporcionando vinculação mais estreita entre os processos educativos a realidade e a liberdade das populações no exercício da cidadania planetária, para re-educação do homem/mulher, principalmente do homem ocidental, resultado de uma cultura cristã predatória, não podemos mais falar da Terra como um lar, como uma toca, para o bicho-homem, como fala Paulo Freire. Sem uma educação sustentável a terra continuará sendo espaço do nosso sustento. Mas não será o espaço de vida, o espaço do aconchego, de "cuidado". Existem múltiplas formas de viver em relação permanente com nosso planeta e compartilhar a vida com todos os que habitam ou o compõem. A vida só terá sentido se esta existe em relação. A raiz do dilema da humanidade está na forma como se aprende a pensar o mundo: dividindo-o em pedaços, precisa-se reaprender a reajustar a parte e o todo, o texto e o contexto, o global e o planetário e a enfrentar os paradoxos que a globalização competitiva trouxe consigo globalizando de um lado e excluindo do outro.

Considerações finais
A sustentabilidade tornou-se um tema gerador preponderante neste início de século, pensando em um projeto social global sem haver distância entre uma rigorosa formação ética ao lado sempre da estética.
A Ecopedagogia ou a pedagogia da Terra surge como uma luz capaz de reacender num futuro possível a esperança de uma vida digna para todos. A forma como iremos dar continuidade da nossa existência ao planeta cabe a nós decidirmos sobre sua morte ou vida, dos filhos e filhas desta continuidade. E a educação tem muito haver com essa responsabilidade precisamos de uma pedagogia, que recoloque a relação entre a natureza e o ser humano que em algum lugar do passado se perdeu, e hoje é preciso resgatar com urgência.
Uma pedagogia apropriada para essa reconstrução paradigmática, centrada na vida considerando as pessoas, as culturas, o modo de viver, o respeito, à identidade e à diversidade, apropriada para uma cultura de sustentabilidade e da paz. O ser humano é o único ser vivente que se pergunta sobre o sentido da sua vida, se somos humanos é porque sentimos e não apenas porque pensamos. A formação para a ética do gênero humano é fator primordial, esta não pode ser ensinada por meio de lições de moral. Deve formar-se nas mentes com base da consciência de que o humano é, ao mesmo tempo, indivíduo, parte da sociedade, parte da espécie. A pedagogia da terra tem seu fundamento nesse novo paradigma ético e numa nova inteligência do mundo. Neste sentido inteligente é aquele que tem um projeto de vida solidário. Solidariedade hoje não é apenas um valor, mas condição de sobrevivência de todos.
Uma ruptura paradigmática do paradigma mecânico, para aplicar o paradigma sistêmico parece fundamental para que a luta pelo direito da cidadania planetária não venha a ser prisioneira de uma visão instrumental inadequada para as formas ideológicas do atual quadro político, estabelecendo ligações de interdependência. Isto é, uma interação forte entre os povos pelos seus valores e uma educação que aproxime o Oriente do Ocidente. Dentro de uma mundialização, os alunos desenvolvem um conhecimento crítico dos desafios, conscientizando-se da interdependência mundial que lhes permitem acrescer habilidades para tratar dessas questões para a vida em sociedade; formando capital intelectualmente qualificado, uma vez que este se desenvolve em suas motivações intrínsecas. Educar para comunicar-se. Não comunicar para explorar, para tirar benefício do outro, mas para compreendê-lo melhor, isso implica em compreender e constatar que a dignidade humana está presente em todas as múltiplas condições em que se vivem homens e mulheres, sobrepondo-se a lógica de transformar tudo em mercadoria.
Se ainda não é chegada à hora de evaporar-se toda a diferenciação entre lutas sociais, tomando como referência o campo da ecopedagogia, todavia é bem visível o entrelaçamento entre o subjetivo e o objetivo presente na crescente afirmação da solidariedade, da paz com dignidade, das alternativas de trabalho, das redes de debates e de informação.
Estamos começando a assistir ao nascimento do cidadão planetário, embora um pouco tímido, este fato pode ser em decorrência de uma geração que chegou combatendo a ditadura e continua vivendo uma sociedade em que as tentações autoritárias não desapareceram por completo.
Se as necessidades são históricas, não sabemos quais as necessidades das futuras gerações. Entretanto, queremos ter a convicção que futuras gerações terão a esperança e certeza de que existe vida após a globalização competitiva.


REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. 11ª ed. Petrópolis: Vozes, 2004.
CAVALCANTI, Clóvis. Desenvolvimento e natureza: Estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo: Cortez, org. Fundação Joaquim Nabuco, 1995.
DEMO, Pedro. Conhecer e Aprender. Rio Grande do Sul: Artimed, 2000.
DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: Princípios e práticas. 9 ed. São Paulo: Gaia, 2004. p. 226.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 42ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
GADOTTI, Moacir, Pedagogia da terra: Ecopedagogia e educação sustentável. São Paulo: Fundação Peiropolis, 2005. p. 24.
GIDDENS, Anthony. Mundo em descontrole. Rio de Janeiro: Record, 2000.
GUTIERREZ Francisco; PRADO Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetária, São Paulo: IPF/ Cortez, 1998. p. 21.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 9 ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2004. p.19 e 117.
TORRES, Carlos Alberto. (org) Paulo Freire e a educação Latino-Americana no Século XXI. Buenos Aires:Education Review. ISBN 950-9231-63-0 http://www.edrev.asu.edu/reviews%20acessado%20em%2009/4/2006, Clacso e Asdi, 2001.
GONÇALVES, Hortência Abreu. Manual de artigos científicos. São Paulo: Avercamp, 2004.

Autora

Nereis de Paula Ferreira
Profª. Universitária.

Graduada em Ciências Contábeis e Química, especialista em Cont. Gerencial e Empresarial e em Ciências da Educação. Ms. Educação - Cultura da Sustentabilidade.

sábado, 25 de julho de 2009

Sustentabilidade por Lester Brown


16/01/2009 -
Para Lester Brown, um dos mais importantes pensadores ambientais do mundo, a injeção de recursos dos governos norte-americano e europeus não será suficiente para tornar mais sustentável a combalida economia internacional. O momento urgente sugere um plano B. A transição para a sustentabilidade passa, segundo ele, por taxar atividades baseadas na queima de combustíveis fósseis, incentivar o desenvolvimento e uso de energias renováveis e, com isso, criar novos empregos. Em seu mais recente livro, “Plano B mobilização para salvar a civilização, (ainda sem tradução para o português), mostra que evitar o declínio da economia significa impedir o colapso da civilização.
“As corporações precisam reconhecer que seu futuro é inseparável do futuro da civilização e que elas também são responsáveis pela manutenção da vida na Terra. Devem, portanto, contribuir com a construção de uma economia global sustentável. Sem isso, vamos enfrentar um colapso. Nenhuma companhia terá lucro avançando na escalada rumo à destruição. Precisamos rever rapidamente a economia global e particularmente a matriz energética por meio de políticas econômicas que reestruturem taxas e pressionem o mercado a contar a "verdade ambiental", ressalta o especialista.
A “verdade ambiental” a que se refere Brown diz respeito à inabilidade do mercado em incorporar impactos indiretos - também conhecidos como externalidades - causados ao meio ambiente e à sociedade pelas atividades econômicas. A inversão dessa lógica, que seria favorecer as tecnologias e práticas mais limpas em detrimento das baseadas na queima de combustíveis fósseis, representa uma oportunidade para criar novos postos de trabalho.
Apresentar a visão de um futuro sustentável e também os meios práticos para construí-la tem sido a missão de Brown ao longo de 40 anos dedicados à militância ambiental... Apesar de entusiasta do termo desenvolvimento sustentável, Brown acredita que ele não seja muito empolgante. Em sua opinião, a associação de aspectos sociais e políticos à discussão - inicialmente apenas ecológica – esvaziou de certa forma o sentido do conceito. “Ao se tornar tão ampla, a sustentabilidade passou a significar pouco. O termo não mobiliza as pessoas”, ressalta Brown.

Em entrevista exclusiva à repórter Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental, Brown falou das medidas necessárias para reverter a tendência de destruição e colocar a economia nos trilhos da sustentabilidade, entre outros temas que o leitor confere a seguir.


Idéia Socioambiental – Como o senhor avalia a evolução do conceito da sustentabilidade?...

Lester Brown – O conceito de desenvolvimento sustentável evoluiu nos últimos 35 anos. A princípio, falávamos apenas de sustentabilidade ecológica, mas o termo tem sofrido mutações para incluir a sustentabilidade social e política. Em alguns pontos, isso é tão amplo que não chega a significar muito. Embora intelectualmente útil, o termo sustentabilidade parece não empolgar e mobilizar as pessoas. Por isso, no Earth Policy Institute, começamos a falar sobre salvar a civilização ao invés de desenvolvimento sustentável porque é disso que realmente se trata.Assim, a discussão adquire um senso de urgência muito maior quanto ao que está em jogo.



Leia a entrevista na íntegra aqui:

Afinal: o que é esta tal de Sustentabilidade?


Sustentabilidade

é um conceito introduzido na década de 80 por Lester Brown,
(Brown foi descrito pelo jornal Washington Post como "um dos mais influentes pensadores do mundo". The Telegraph, de Calcutá, referiu-se a ele como "o gurú do movimento ambiental global". A Biblioteca do Congresso americano solicitou as notas pessoais e manuscritos de Brown, reconhecendo a importância do seu trabalho e o do Instituto, sob sua direção, na formação do movimento ambiental global nas últimas décadas do século XX.)

fundador do Wordwatch Institute,
que definiu comunidade sustentável como a que é capaz de satisfazer as próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.

Mantendo padrão positivo de qualidade,
apresentando no menor espaço de tempo possível autonomia na manutenção
visando harmonia na relação sociedade-natureza.

Em relação ao meio ambiente a sustentabilidade
define-se da seguinte maneira:
A sustentabilidade ambiental é aquela onde as atividades humanas não devem interferir nos ciclos naturais do planeta
permitindo sua auto manutenção e,
ao mesmo tempo,
não devem empobrecer seu capital natural,
que será transmitido às gerações futuras.
Dicas de como ser Sustentável:
Ser socialmente justo
Desenvolver projetos que sejam viáveis, não apenas economicamente falando
Ser ecologicamente correto.

Agenda 21 - um programa de ação sustentável


A Agenda 21 é um programa de ação, baseado num documento de 40 capítulos, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já realizada de promover, em escala planetária, um novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.
Trata-se de um documento consensual para o qual contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países num processo preparatório que durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), em 1992, no Rio de Janeiro, também conhecida por ECO-92.
Além da Agenda 21, resultaram desse processo cinco outros acordos: a Declaração do Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, o Convênio sobre a Diversidade Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.

O texto da Agenda 21 completo, com 40 capítulos e um Anexo, pode ser lido ou copiado na seguinte página:

ECOPEDAGOGIA - Educação e Saúde


  • A Ecopedagogia é um conceito ainda em construção e é definido mais como um movimento do que como uma nova teoria de educação.
    No Brasil, o principal centro de estudo sobre a Ecopedagogia é o Instituto Paulo Freire
    O professor Moacir Gadotti , titular da Universidade de São Paulo e diretor do IPF, apresentou o artigo " Pedagogia da Terra - ideias centrais para um debate ", no I Fórum Internacional sobre Ecopedagogia, realizado pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Porto, Portugal, em março de 2000.
  • A ecopedagogia surge, particularmente no Fórum Global 92 , evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, Rio-92, e seus princípios fundamentais.
    "... a ecopedagogia não é uma pedagogia a mais, ao lado de outras pedagogias. Ela só tem sentido como projeto alternativo global onde a preocupação não está apenas na preservação da natureza (Ecologia Natural) ou no impacto das sociedades humanas sobre os ambientes naturais (Ecologia Social), mas num novo modelo de civilização sustentável do ponto de vista ecológico (Ecologia Integral) que implica uma mudança nas estruturas econômicas, sociais e culturais. Ela está ligada, portanto, a um projeto utópico : mudar as relações humanas, sociais e ambientais que temos hoje. Aqui está o sentido profundo da Ecopedagogia , ou de uma Pedagogia da Terra , como a chamamos." (in: Pedagogia da Terra - ideias para um debate", Moacir Gadotti, Portugal, 2000).
  • Gadotti não opõe ecopedagogia à educação ambiental, mas amplia o seu campo de reflexão e de ação. Ele explica que a ecopedagogia está mais para uma educação sustentável , para uma ecoeducação , que não se preocupa apenas com uma relação saudável com o meio ambiente, mas com o sentido mais profundo do que fazemos com nossa existência, a partir da vida cotidiana, e que este sentido está intimamente ligado ao futuro de toda Humanidade e da própria Terra.
  • Gadotti trabalha com conceitos como consciência planetária, cidadania planetária, defendendo uma verdadeira revolução pedagógica e curricular tendo como centro a formação de indivíduos que sejam cidadãos do mundo, no sentido de pertencerem não a uma nação ou a um grupo étnico, mas à Humanidade.
    "Como posso sentir-me estrangeiro em qualquer território se pertenço a um único território, a Terra? Não há lugar estrangeiro para terráqueos, na Terra. Se sou cidadão do mundo, não podem existir para mim fronteiras. As diferenças culturais, geográficas, raciais e outras enfraquecem, diante do meu sentimento de pertencimento à Humanidade."
  • A ecopedagogia seria, assim, uma educação para a cidadania planetária , o que segundo o professor, implica uma reorientação de nossa visão de mundo, uma re-educação para vivermos numa comunidade que é local e global ao mesmo tempo.
  • Gadotti , fala, ainda sobre a necessidade de resgatarmos as utopias de libertação dos anos 60, afirmando que mais do que nunca precisamos lutar por um mundo mais justo e produtivo, num ambiente sustentável. Não é possível, como diz Leonardo Boff , citado no artigo, ter um mundo ecologicamente equilibrado sem justiça social, Boff fala em "justiça social com justiça ecológica".
  • O artigo lembra, também, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos , que mostra como saída para a Humanidade a "democracia eco-socialista". Para o sociólogo, "a única utopia possível é a utopia ecológica e democrática justamente porque chegamos ao limite entre um ecossistema finito e uma acumulação capitalista tendenciosamente infinita."
  • Diante de desafios tão grandes, Gadotti fala sobre o papel da educação sustentável ou ecológica nesse projeto utópico. Colocar em questão o modelo econômico capitalista, poluidor e consumista que está levando ao esgotamento dos recursos naturais. "O desenvolvimento sustentável tem um componente educativo formidável: a preservação do meio ambiente depende de uma consciência ecológica e a formação da consciência depende da educação. É aqui que entra em cena a ecopedagogia . Ela é uma pedagogia para a promoção da aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana."
  • Como a ecologia, a ecopedagogia também pode ser entendida como um movimento social e político . E como todo movimento novo, em processo, em evolução, ele é complexo e, pode tomar diferentes direções, até contraditórias. Ela ainda está em formação e formulação como teoria da educação. Mas já tem se manifestado em diversas práticas educativas que fazem parte do "Movimento pela ecopedagogia" liderado pelo Instituto Paulo Freire.
  • Procurando orientar educadores, Gadotti lista algumas referências dessa pedagogia , reconhecendo que são ainda imprecisas e que bebem em diversas fontes, sendo uma delas Paulo Freire , considerado um dos inspiradores da ecopedagogia , com seu método de aprendizagem a partir do cotidiano. São princípios da ecopedagogia ou de uma Pedagogia da Terra , segundo Moacir Gadotti:
    O planeta como uma única comunidade.
    A Terra como mãe, organismo vivo e em evolução.
    Uma nova consciência que sabe o que é sustentável, apropriado, e faz sentido para a nossa existência.
    A ternura para com essa casa. Nosso endereço é a Terra.
    A justiça sóciocósmica: a Terra é um grande pobre, o maior de todos os pobres.
    Uma pedagogia biófila (que promove a vida): envolver-se, comunicar-se, compartilhar, problematizar, relacionar-se entusiasmar-se.
    Uma concepção do conhecimento que admite só ser integral quando compartilhado.
    O caminhar com sentido (vida cotidiana).
    Uma racionalidade intuitiva e comunicativa: afetiva, não instrumental.
    Novas atitudes: reeducar o olhar, o coração.
    Cultura da sustentabilidade: ecoformação.
  • Ampliar nosso ponto de vista

terça-feira, 16 de junho de 2009

Envelhecimento humano e uma pedagogia para o cuidado


Rosane Terezinha Back Campanelli
Location: http://biblioteca.universia.net/irARecurso.do?page=http%3A%2F%2Fproxy.furb.br%2Ftede%2Ftde_busca%2Farquivo.php%3FcodArquivo%3D377&id=34042795

O envelhecimento da população humana como objeto de estudo é um fenômeno recente na história da humanidade. O aumento na importância desse tema como foco de debates gera significativas mudanças sociais, econômicas e comportamentais que se apresentam como desafios a serem superados quanto à promoção de dignidade a essa ampliação da vida. Esta pesquisa foca essa questão e discute, como recurso para a organização social, uma proposta educativa nomeada pedagogia do cuidado que tem a vida planetária como importante referencial. Ela pretende subsidiar ações voltadas para a formação de cuidadores de idosos institucionalizados. Esse trabalho é o resultado de uma pesquisa bibliográfica e de campo com ênfase em pesquisa participante. O suporte teórico se fundamenta na ecopedagogia que identifica a educação como ação capaz de colaborar no fortalecimento da responsabilidade e do compromisso de cada indivíduo pela sua vida, pela vida das pessoas na sociedade e pela dinâmica eco-desorganizativa/organizativa do planeta. Os Princípios Eco-Vitais da ecopedagogia, os lugares como possibilidades de exclusão e inclusão e as atitudes humanas essenciais, foram a base da organização do que nomeamos Pedagogia do Cuidado. Os autores com maior importância referencial foram Boff, Freire, Keim e Stoer et all. A pesquisa de campo foi realizada numa casa asilar de Blumenau (SC) com financiamento público e privado, que abriga pessoas de diferentes classes sociais, na qual foram entrevistados profissionais que atuam com os idosos, com instrumento composto de questões semiestruturadas. Um instrumento importante para fundamentar a pesquisa foi o diário profissional da pesquisadora que atua nessa instituição como assistente social, no qual estão registrados fatos diários, relevantes para retratar o que acontece e como se dá a rotina de cuidado eatenção aos idosos institucionalizados. Como considerações conclusivas esta pesquisa propõe, para a organização de cursos de cuidadores de idosos, princípios referenciais na perspectiva do cuidado, referenciado nos princípios eco-vitais, nos lugares como possibilidades de inclusão e exclusão social e nas atitudes humanas essenciais. Esses referenciais de natureza filosófica podem se apresentar como aspectos fundantes de uma postura de cuidado com a vida na biosfera terrestre.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Ética e Cuidado


A Humanidade do ser humano é conquistada na relação com outras pessoas e o mundo.

Diante disso surge a responsabilidade ética como a necessidade instransferível de CUIDAR DA VIDA.

Pela dimensão do cuidado nos sentimos ligados e religados a tudo e a todos.
Zero Hora - 16/05/09
Artigo enviado por Janaina Amaral de Oliveira
Obrigado Jana!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Dia Mundial do Meio Ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente é o evento ambiental mais importante das Nações Unidas, celebrado todos os anos no dia 5 de junho em mais de 100 países ao redor do mundo. Estabelecido em 1972 pela Assembléia Geral da ONU, sua comemoração é confiada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cuja sede internacional está localizada em Nairobi, Quênia.
O propósito do Dia Mundial do Meio Ambiente é focar atenção generalizada na importância do meio ambiente e estimular atenção e ação políticas. O evento procura dar um lado humano para as questões ambientais; conceder poder para as pessoas para que elas se tornem agentes ativos no desenvolvimento sustentável e eqüitativo; promover o entendimento de que comunidades são fundamentais na mudança de atitudes em relação às questões ambientais; e advogar pelas parcerias, que irão garantir que todas as nações e povos gozem de um futuro mais próspero e seguro.
A cada ano uma cidade diferente é escolhida como foco principal da celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente. O governo e/ou cidade sedes, em cooperação com o PNUMA, determina o tom do evento. Um tema, um slogan e um logo são selecionados para ser o foco de todo o material promocional e informativo das atividades do Dia Mundial do Meio Ambiente ao redor do mundo.
O interesse no Dia Mundial do Meio Ambiente cresce a cada ano, como evidenciado no número de países que dão apoio a esse importante Dia das Nações Unidas, pela crescente lista de municípios, empresas e comunidades que participam, e pelas centenas de milhares de indivíduos que visitam o sítio virtual do PNUMA no Dia Mundial do Meio Ambiente.
As atividades planejadas antes e durante o Dia Mundial do Meio Ambiente são muitas e diversas. Essencialmente, é um "evento de pessoas", com atividades como comícios nas ruas, paradas de bicicletas, concertos verdes, competições de trabalhos em escolas, plantações de árvores e campanhas de limpeza e reciclagem.
O Dia Mundial do Meio Ambiente também é idealizado para ser um evento "intelectual", provendo oportunidades para seminários, workshops e simpósios sobre preservação da saúde ambiental do planeta para o benefício das gerações futuras. A mídia tem um papel fundamental, e o evento inspira milhares de jornalistas ao redor do mundo a reportar notícias sobre o meio ambiente.
O Dia aumenta a ação e atenção políticas. Funcionários locais e regionais, Chefes de Estado e Governo e, obviamente, Ministros de Meio Ambiente discursam e se comprometem
a "cuidar" da Terra...

www.brasilpnuma.org.br

terça-feira, 10 de março de 2009

Montagem de projetos e atividades de Educação Ambiental

Texto que apresenta em detalhes uma opção para elaboração de projetos.
por Declev Dib-Ferreira em Dicas, Educação Ambiental, Projetos
Fonte: http://www.revistaea.org/
Número 27, Ano VII. Março-Maio/2009

Aqui estou eu, mais uma vez, escrevendo sobre projetos. Já fiz isso mais de uma vez - veja os diversos posts na categoria PROJETOS. Mas sou um entusiasta. Acho que nosso trabalho educativo, seja dentro ou fora da escola, pode ser muito mais aproveitado, aprofundado, "capilarizado" (utilizando um neologismo da área) e solidificado através deles.
O bom desenvolvimento de atividades de educação ambiental depende, muitas vezes, da montagem de um bom projeto, que amarre todas as possibilidades e esclareça as caracteristicas do local e do trabalho a ser realizado.
Descrever seus objetivos e ações pode facilitar o envolvimento de mais pessoas, até mesmo a obtenção de apoios financeiros ou materiais.
Seja qual for a atividade, simples como a montagem de uma exposição, ou um projeto mais completo, um bom planejamento é o primeiro passo para seu sucesso.
Veja um pequeno resumo de como pode ser escrito o seu projeto, lembrando que outras opções podem entrar e se somar à esta idéia:1. Apresentação (quem?) Capa, título do projeto, coordenador do projeto, equipe técnica, local edata.
2. Introdução (o quê? Por quê?) Discorrer, resumidamente, sobre o tema geral no qual o projeto está inserido. Na introdução, a justificativa e a relevância do projeto podem ser apresentadas. Na justificativa, você vai expor as razões teóricas e práticas que tornam importante a realização do trabalho - o que ele vai mudar, e porque ele é fundamental. Pode-se dizer, aqui, qual o Público-alvo do projeto, ou seja, a quem ele se destina.
3. Objetivos (para quê? Para quem?) Os objetivos indicam os resultados a serem alcançados pelo projeto. São construídos com frases que começam com um verbo no infinitivo. São divididos em:Objetivo geral - É o seu resultado a longo prazo, aonde você quer chegar através da execução do projeto. Em geral, estabelece-se apenas um.Objetivo específico - São operacionais, correspondem ao que se pretende pôr em prática através do projeto. Definem as ações que, realizadas, farão o projeto alcançar o objetivo geral.
4. Desenvolvimento (como? Com quê?) Como o projeto será realizado? Chama-se também de metodologia do seu projeto. Considerando que você tem um ponto de partida (situação antes do projeto) e um ponto de chegada (situação após o projeto), esta etapa vai dizer como você vai chegar de um ponto a outro. Entram aqui suas concepções teóricas, a escolha do conjunto de estratégias que você vai utilizar.Desenvolver um curso é uma atividade, mas quais metodologias irão nortear a realização deste curso?
5. Cronograma de atividades (quando?) Deve explicitar como os objetivos serão atingidos. Aqui vamos definir quais atividades - as tarefas - serão desenvolvidas para se alcançar os objetivos específicos descritos. O que se precisa fazer para que os resultados esperados aconteçam? Sabendo o que se vai fazer, deve-se determinar quanto tempo cada atividade necessita para ser desenvolvida e quando ela será realizada.
O cronograma servirá também para a avaliação permanente do projeto. A melhor maneira é fazer uma tabela das atividades x mês de realização:AtividadesMês 1Mês 2Mês 3 Mês 4Mês 5Atividade I xAtividade II x xAtividade III x xAvaliação final x.6. Recurso para a realização do projeto (com o que e quanto?) Resumo financeiro ou dos recursos que requer. Entram os recursos humanos (pessoal) e os materiais (publicações, equipamentos, mesas, cadeiras, materiais de escritório.). Quem vai te dizer o que precisa são as atividades as quais você se dispõe a realizar. Muitas vezes, é necessário fazer um cronograma de desembolso (ou cronograma financeiro): uma tabela como a das atividades, mas com os valores a serem gastos por períodos determinados.
7. Bibliografia (quais as fontes?) Pode-se relacionar, ao final do projeto, os livros, artigos, documentos etc., que nortearam o trabalho.
8. Avaliação e Monitoramento (como acompanhar) Não se trata de avaliar apenas o desempenho daqueles que se submetem ao processo (como os alunos, por exemplo), mas avaliar toda a equipe e o próprio plano elaborado e desenvolvido. Trata-se de avaliar o projeto não como um julgamento, mas para melhorar a prática e consertar possíveis erros. Lembrando que a avaliação é um aspecto que deve estar presente em todos os momentos do processo, do planejamento à conclusão. É imprescindível uma avaliação final ao término do projeto, medindo osresultados imediatos. Estes resultados fornecem instrumentos para futuros projetos.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Ecologia Humana

A Ecopedagogia contribui para a formação do jovem, na perspectiva de cidadão e cidadã planetários, voltado não só para a ecologia necessária ao cultivo da terra, mas a ecologia humana em termos de equilíbrio de seus saberes, fazeres, seus conhecimentos e emoções. O jovem como um sujeito capaz de saber de si e saber sobre o mundo manifesta-se como sujeito que percebe, compreende, imagina, reflete, pensa e expressa. Neste entendimento de si e do mundo, de forma mais abrangente, volta seu estudo para a dimensão das competências e habilidades exigidas neste milênio em termos prospectivos, considerando, em especial as novas tecnologias que este dispõe para a construção da sua identidade pessoal/social.

Vídeo construído pela jovem Fernanda Luchina, que demostra sensibilidade (aliada ao conhecimento tecnológico) para com as questões ambientais, relacionando seu cotidiano com mensagens musicais e imagens, indo ao encontro do conceito de Ecopegagogia como a Pedagogia do 'CUIDAR'.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

ORAÇÃO POR UM MUNDO MAIS JUSTO E SUSTENTÁVEL


Tu és grande, ó Senhor do Universo,
Tu te vestes de luz como um manto
Nossa terra sustentas no espaço
A revestes de graça e de encanto.

Tu navegas nas asas do vento,
Tua face em mistério se encobre
Sobre as nuvens fixaste morada,
Mas habitas no humilde, no pobre.

Sobre a terra estendeste o oceano
Como vasto e infinito lençol
Tu fixaste no espaço as estrelas
Para a terra aquecer deste sol.

Tu mandaste que as fontes brotassem
das entranhas da terra, a cantar,
homens, aves e todo ser vivo
nelas vêm sua sede saciar.

Tu plantaste no mundo criança
a beleza da planta e da flor,
que transformam os prados floridos,
numa festa de graça e de cor.

Todo o ser que criaste te louva,
esperando de ti o sustento
Se lhes abres as mãos, os sacias,
e se fartam de bens num momento.

O infinito dos céus e dos mares,
a beleza e o perfume da flor,
a magia dos nossos luares,
a ti cantam, por nós, seu louvor.

Tu criaste, por fim, o homem livre
como a imagem fiel da tua glória
e entregaste em suas mãos o mundo,
para nele viver sua história.

Deste ao homem poder sobre tudo,
confiando-lhe a nobre missão
de zelar pelos bens que criaste
preservando o que cabe ao irmão.

Tu ao homem confiaste o Universo;
Nós queremos cumprir a missão
De tornar nosso mundo fraterno
Preservando o que deste ao irmão.

Por um mundo mais justo e habitável
cada dia queremos lutar
e o produto do nosso trabalho
em pão vivo se vai transformar

Vem ó Pai, converter o teu povo;
ele é santo e também pecador
Para criarmos um mundo mais justo,
mais humano e mais rico em amor.
Irmã Maria/2005

Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus

Instituição Verzeri

Adaptado dos materiais das Campanhas da Fraternidade

Ecopedagogia, uma nova visão

A ecopedagogia, termo que significa educação sócio-ambiental, é um movimento político que respeita os princípios de resgate cultural, histórico e ético do cidadão. Esse projeto virou a paixão de uma aluna da Faculdade JK que participa da ONG Círculo de Giz, parceira da Universidade de Brasília (UnB), divulgando a ecopedagogia para ser estudada em sala de aula e na formação de novos professores.O projeto visa a priorizar as vivências da prática educativa escolar e cotidiana por meio das atividades socioeducativas e interdisciplinares, permitindo que educadores e educandos posicionem-se com responsabilidade, compromisso, ética e cidadania, colaborando na resolução das situações-problemas diversas inerentes à educação brasileira. A ecopedagogia poderá propiciara construção dinâmica dos conhecimentos e as experiências interdisciplinares para o desenvolvimento de hábitos e atitudes como o discernimento crítico das contribuições positivas e negativas da globalização para a educação contemporânea; a discussão dos temas transversais contextualizados no processo de ensino-aprendizagem; a reflexão crítica e ativa referentes às situações-problemas coexistentes no planeta e violências no geral; desigualdades sociais; preconceito racial; degradação ambiental; e outros. E como fazer para resolvê-los.“Esse tipo de educação deveria ser estudado mais em sala de aula e na formação de novos educadores, pois hoje existe uma grande preocupação com a questão social e ambiental em sala de aula, Trabalhos com reciclagem, poderia ser um ponto desenvolvido por alunos para eles perceberem quanto tempo leva algo para se decompor no meio ambiente, a importância de separar o lixo, de reciclar um papel e outros projetos a serem desenvolvidos”, explica a aluna, que prefere não se identificar.O projeto democratiza as informações educativas referentes à preservação socioambiental por meio de campanhas a curto, médio e longo prazos e promove a valorização das competências artísticas e culturais inerentes ao movimento de ecopedagogia. “O curso de pedagogia deveria acrescentar essa visão para melhorar a formação do aluno”, acrescenta a estudante.
Natacha
http://jornalmedidacerta.blogspot.com/2008/06/ecopedagogia-uma-nova-viso.html

A prática no cotidiano


www.ecofuturo.org.br

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CARTA DA ECOPEDAGOGIA

A CARTA DA TERRA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO
Primeiro Encontro Internacional - São Paulo, 23 a 26 de agosto de 1999.
Organização: Instituto Paulo Freire - Apoio: Conselho da Terra e UNESCO-Brasil
Em defesa de uma Pedagogia da Terra
(Minuta de discussão do Movimento pela Ecopedagogia)
1. Nossa Mãe Terra é um organismo vivo e em evolução. O que for feito a ela repercutirá em todos os seus filhos. Ela requer de nós uma consciência e uma cidadania planetárias, isto é, o reconhecimento de que somos parte da Terra e de que podemos perecer com a sua destruição ou podemos viver com ela em harmonia, participando do seu devir.
2. A mudança do paradigma economicista é condição necessária para estabelecer um desenvolvimento com justiça e eqüidade. Para ser sustentável, o desenvolvimento precisa ser economicamente factível, ecologicamente apropriado, socialmente justo, includente, culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação. O bem-estar não pode ser só social; deve ser também sócio-cósmico.
3. A sustentabilidade econômica e a preservação do meio ambiente dependem também de uma consciência ecológica e esta da educação. A sustentatibilidade deve ser um princípio interdisciplinar reorientador da educação, do planejamento escolar, dos sistemas de ensino e dos projetos político-pedagógicos da escola. Os objetivos e conteúdos curriculares devem ser significativos para o(a) educando(a) e também para a saúde do planeta.
4. A ecopedagogia, fundada na consciência de que pertencemos a uma única comunidade da vida, desenvolve a solidariedade e a cidadania planetárias. A cidadania planetária supõe o reconhecimento e a prática da planetaridade, isto é, tratar o planeta como um ser vivo e inteligente. A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes.
5. A partir da problemática ambiental vivida cotidianamente pelas pessoas nos grupos e espaços de convivência e na busca humana da felicidade, processa-se a consciência ecológica e opera-se a mudança de mentalidade. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A ecopedagogia implica numa mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente, que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.
6. A ecopedagogia não se dirige apenas aos educadores, mas a todos os cidadãos do planeta. Ela está ligada ao projeto utópico de mudança nas relações humanas, sociais e ambientais, promovendo a educação sustentável (ecoeducação) e ambiental com base no pensamento crítico e inovador, em seus modos formal, não formal e informal, tendo como propósito a formação de cidadãos com consciência local e planetária que valorizem a autodeterminação dos povos e a soberania das nações.
7. As exigências da sociedade planetária devem ser trabalhadas pedagogicamente a partir da vida cotidiana, da subjetividade, isto é, a partir das necessidades e interesses das pessoas. Educar para a cidadania planetária supõe o desenvolvimento de novas capacidades, tais como: sentir, intuir, vibrar emocionalmente; imaginar, inventar, criar e recriar; relacionar e inter-conectar-se, auto-organizar-se; informar-se, comunicar-se, expressar-se; localizar, processar e utilizar a imensa informação da aldeia global; buscar causas e prever conseqüências; criticar, avaliar, sistematizar e tomar decisões. Essas capacidades devem levar as pessoas a pensar e agir processualmente, em totalidade e transdisciplinarmente.
8. A ecopedagogia tem por finalidade reeducar o olhar das pessoas, isto é, desenvolver a atitude de observar e evitar a presença de agressões ao meio ambiente e aos viventes e o desperdício, a poluição sonora, visual, a poluição da água e do ar etc. para intervir no mundo no sentido de reeducar o habitante do planeta e reverter a cultura do descartável. Experiências cotidianas aparentemente insignificantes, como uma corrente de ar, um sopro de respiração, a água da manhã na face, fundamentam as relações consigo mesmo e com o mundo. A tomada de consciência dessa realidade é profundamente formadora. O meio ambiente forma tanto quanto ele é formado ou deformado. Precisamos de uma ecoformação para recuperarmos a consciência dessas experiências cotidianas. Na ânsia de dominar o mundo, elas correm o risco de desaparecer do nosso campo de consciência, se a relação que nos liga a ele for apenas uma relação de uso.
9. Uma educação para a cidadania planetária tem por finalidade a construção de uma cultura da sustentabilidade, isto é, uma biocultura, uma cultura da vida, da convivência harmônica entre os seres humanos e entre estes e a natureza. A cultura da sustentabilidade deve nos levar a saber selecionar o que é realmente sustentável em nossas vidas, em contato com a vida dos outros. Só assim seremos cúmplices nos processos de promoção da vida e caminharemos com sentido. Caminhar com sentido significa dar sentido ao que fazemos, compartilhar sentidos, impregnar de sentido as práticas da vida cotidiana e compreender o sem sentido de muitas outras práticas que aberta ou solapadamente tratam de impor-se e sobrepor-se a nossas vidas cotidianamente.
10. A ecopedagogia propõe uma nova forma de governabilidade diante da ingovernabilidade do gigantismo dos sistemas de ensino, propondo a descentralização e uma racionalidade baseadas na ação comunicativa, na gestão democrática, na autonomia, na participação, na ética e na diversidade cultural. Entendida dessa forma, a ecopedagogia se apresenta como uma nova pedagogia dos direitos que associa direitos humanos – econômicos, culturais, políticos e ambientais - e direitos planetários, impulsionando o resgate da cultura e da sabedoria popular. Ela desenvolve a capacidade de deslumbramento e de reverência diante da complexidade do mundo e a vinculação amorosa com a Terra...

...POIS COMO UM SER VIVO ELA RESPIRA CONOSCO.

HARMONIA DA TERRA



O Instituto Harmonia na Terra é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), com sede na Ilha de Santa Catarina, Brasil

A Instituição tem os seguintes objetivos:
Promoção da educação, em especial a ecopedagogia e a educação ambiental;
Produção e distribuição de materiais educativos;
Defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção da sustentabilidade ambiental, econômica, social, política e ética;
Promoção da cultura e da arte;
Experimentação, não lucrativa, de novos modelos sócio-produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, serviços e trabalho;
Incentivo à justiça social e combate à pobreza;
Promoção da ética, da paz, da cidadania e dos direitos humanos;
Promoção do voluntariado.

- missão: promover a ecopedagogia e a harmonia dos seres humanos entre si e com o planeta.
- Núcleo da Ecopedagogia: projetos e programas educacionais

domingo, 4 de janeiro de 2009

Artigo de Leonardo Boff

Ressonância Schumann
publicado no JB em 05/MAR/2004

Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por uma campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formasde vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz.Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde.Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico.
Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz por segundo. O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra. Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera.Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann. Se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade, com mais amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Para isso importa termos coragem de ser anticultura dominante, que nos obriga a ser cada vez mais competitivos e efetivos. Precisamos respirar juntos com a Terra, para conspirar com ela pela paz.


Carta da Terra em
2009


Que tenhamos amor a vida,
respeito com a natureza
e vontade política para fazer acontecer.

A Carta da Terra é um documento e um movimento.
Como documento começou a ser produzido na Conferência de Meio Ambiente Rio 92 e, tecido por pessoas no mundo inteiro, foi acolhido pela UNESCO, em 2002, como um código de ética planetário. Esse documento deu origem a um movimento mundial que visa implementar seus princípios.
A Carta da Terra tem como eixos o respeito à comunidade da vida, à integridade ecológica, à justiça econômica e social e à democracia, cultura de paz e não-violência.


Visite o site abaixo e tenha acesso a diversos materiais:
http://ww2.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/meio_ambiente/umapaz/cartadaterra.html

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ação na comunidade


Um exemplo da

'PEDAGOGIA A PARTIR DA VIDA COTIDIANA'

- ECOPEDAGOGIA -


é a ação na comunidade de Canoas/RS

em prol ao arroio da cidade

- Projeto Ambiental Arroio Araçá nosso Rio Guri.
Um projeto que envolve escolas municipais, estaduais e particulares, moradores e associações de diversos bairros, religiosidades, representantes e alunos das universidades, unindo-se a outros projetos para a defesa da natureza local.

Você pode ver as ações por aqui:
http://www.orkut.com.br/Main#Home.aspx
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=48064434
http://picasaweb.google.com/arroioaracacanoas
http://www.ceucabrscanoas.com.br/documents/blog_1.php
http://www.opaaraucaria.org.br/links.html

Cotidiano

A Pedagogia a partir da vida cotidiana pode ser orientada
através do livro de Carlos Rodrigues BRANDÃO:
Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”.
Brasília/DF: Programa Nacional de Educação Ambiental/MMA, 2005. 180 p.

Resenha de Roberta Oliveira “Aqui é onde eu moro, aqui nós vivemos”
O livro recém-lançado de autoria de Brandão, antropólogo de formação e humanitarista de paixão, autor de outras dezenas de livros, carioca de coração sertanejo, mora há décadas em Campinas – SP, onde atua como professor na Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP e no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia –
UFU.
O livro faz parte das atividades do Programa Municípios Educadores Sustentáveis do
Ministério de Meio Ambiente através de sua Diretoria de Educação Ambiental, que tem
como proposta educacional contribui para uma mudança cultural no sentido do ideário
ambientalista, e que perpasse a dinâmica cotidiana do município, respeitando as
diversidades e a cultura local, através de parcerias que possam apoiar e estimular
municípios que queiram atuar nesta direção.
Na obra fica clara a importância da valorização da cultura e práticas de educação popular
aliada ao meio ambiente, resultando então, numa educação ambiental através do
testemunho de vida, aponta como um sugestivo viés no processo de empoderamento da
população, trilhando o caminho em busca de Municípios Educadores Sustentáveis.
Na obra o autor “dar o seu testemunho” de vida em cada capítulo do livro trapaceando
com as palavras e conceitos numa geopoética harmônica procurando situar, orientar e
refletir policemicamente o que fomos, somos e seremos, na qual é expressa através de
nossos sentidos, significados, sensibilidades e saberes conforme nossas vivências e
referências. Ao trapacear com as palavras, navega duma escala do local ao global e versa em uma dimensão em que uma abriga a outra ao invés de se opor a ela. Lança luz
sobre a existência e dilemas do ser humano, com um olhar novo sobre o sentimento
crescente dia-a-dia de co-responsáveis pela nossa vida e pela vida no mundo. Contribui
para bem mais do que imaginávamos, comoum repositório de idéias e estímulos para
que definitivamente as pessoas comecem a desempenhar o verdadeiro papel de cada
um de nós (você e eu) de cuidar do nosso corpo, casa, rua, bairro, cidade, enfim a nossa
casa-nave - Terra, e conseqüentemente de buscar melhoria na qualidade de nossas
vidas e da vida do mundo onde vivemos.
Neste trabalho, a obra destaca, sobretudo a socialização dos seres vivos através da
transformação da natureza ao bel prazer do ser humano. Faz uma correlação entre o
modo de vida do ser humano e as demais espécies de seres vivos, onde vivem em
harmonia com a natureza, retirando dela apenas o necessário para sua sobrevivência.
Assim, parte do princípio da teoria de pensamento sistêmico, ou seja, o ciclo da vida
onde tudo tem haver com tudo que interage e está relacionado com tudo. Destaca o
Mundo da Vida em teia-rede, que começa aqui no lugar onde eu moro, aqui no lugar
onde nós vivemos até cubrir a terra inteira.
Diligentemente, o autor aprofunda os conhecimentos sobre a proposta do Programa
Municípios Educadores Sustentáveis informando os passos do trabalho e da participação
estimulando adesão de cada município. O foco do Programa concentra-se na mudança:
mudança no modo de sentir, de pensar, de se motivar e de agir das pessoas para poucoa-
pouco se transformarem mais ativa, solidária e mais aberta aos outros e à Vida. Deste
modo, toda ênfase voltasse para a palavra “participação”: do sair da passividade do
“reclamar” e se dar ao prazer de participar, de agir, de fazer, de trocar, de partilhar. E
para isso, reunir é a palavra-chave. A interação é o ponto de partida por meio de
encontros, diálogos, acordos e parcerias.
Como assevera Marcos Sorrentino, o autor nos ensina a “dar o testemunho”. “Esta obra
nos aponta um caminho”. É uma obra não só para governantes e organizações
ambientalistas, mas para leitores, pesquisadores, educadores e interessados em
compreender e contribuir para construção e consolidação de comunidades aprendentes
até tornarem-se Municípios Educadores Sustentáveis.
Trata-se, portanto, de um formidável e sugestivo convite à leitura, reflexão e ação por
todas e todos sobre a nossa realidade e reflete sobre nossos costumes e valores
culturais tradicionais tantas vezes esquecidos na nossa forma cotidiana de conviver e
interagir a luz de uma nova época marcada pelo espírito cooperativista, solidário e
conservacionista, onde as pessoas trocam experiências e conhecimentos e assim,
mutuamente, ensinam e aprendem.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CONCEITO

O conceito de ecopedagogia,
criado por Francisco Gutiérrez, pesquisador do pensamento de Paulo Freire na Costa Rica, segue os princípios da “Carta da Terra”, documento anunciado em março de 2000 pela Unesco e que será adotado pela ONU no ano 2002 com o mesmo valor da “Declaração dos Direitos Humanos”. A “Carta da Terra” foi aprovada por um fórum da sociedade civil, com representante de todos os povos, e, por isso, conseguiu o status de documento da “cidadania planetária”.

A ecopedagogia trabalha com a fundamentação teórica dessa “cidadania planetária” cuja idéia é dar sentido para a ação dos homens enquanto seres vivos que compartilham com as demais vidas a experiência do planeta Terra. Ou seja, constitui-se um verdadeiro movimento político e educativo cujo projeto é mudar as atuais relações humanas, sociais e ambientais. A promoção das sociedades sustentáveis e a preservação do meio ambiente depende, de acordo com a ecopedagogia, de uma consciência ecológica e a formação dessa consciência depende da educação.

http://br.geocities.com/decioladislau/Ecoped1.htm